Mariah Brasil

Self

Mariah faz acontecer
A DIVA POP REVÊ OS DOIS ÚLTIMOS TUMULTUOSOS ANOS E ESPERA O LANÇAMENTO DO SEU NOVO ÁLBUM #1'S.

Mariah Carey está sentada de pernas cruzadas na cama de seu chalé 5 A do hotel The Beverly Hills Hotel – que já foi o ninho de amor de Yves Montand e Marilyn Monroe, e o local das mais memoráveis brigas regadas à vodka entre Elizabeth Taylor e Richard Burton. Mas agora Carey, que falou em seu hit de 1992 "Emotions" sobre "a maneira para me fazer perder o controle", é obviamente para a sensual história de seu quarto. "Olhe isto", ela avisa, enquanto gentilmente arranha o seu antebraço com uma unha sem esmalte. Em menos de um minuto a linha invisível, que se estende desde seu pulso até seu cotovelo, se transformou numa linha vermelha e inchada.
"Isto se chama dermografia", ela diz com satisfação. "Qualquer pequena marca na minha pele se torna vermelha e levantada." A condição está relacionada ao estresse, ela explica: "Hoje está muito bom. Era bem pior há alguns anos atrás." Deve ser sobre o tempo em que seu casamento com o presidente da Sony Music Entertainment Tommy Mottola começou a se desmanchar.

Emoção escrita na pele. Você poderia dificilmente imaginar uma condição mais apropriada para uma cantora cujas baladas de amor e paixão lhe renderam milhões. De fato, apesar do enorme sucesso de seu último álbum, Butterfly, e a expectativa em torno do lançamento de seu mais novo, #1's, uma coleção de seus 13 hits número um, os dois últimos anos da vida de Carey teriam criado colmeias nas almas menos sensíveis. Houve seu divórcio de Mottola, um homem que aparentemente amava muito; a sua apressada queda nos braços do galã dos Yankees, Derek Jeter, gerando acusações de infidelidade já anterior; a eterna especulação dos tablóides sobre relacionamentos com homens que variam desde Donald Trump a Leonardo DiCaprio e Sean "Puffy" Combs; o colapso da Crave, sua gravadora privada na Sony; a ação judicial de 1,5 milhões de dólares movida por um motorista de limousine que alegou que ela tinha uma dívida de 40.000 dólares de contas não-pagas, que ainda está pendente – e eternas reportagens de ataques de estrelismo, incluindo uma insistência em ser fotografada apenas pela direita ou o lado "bom".
"Um amigo me disse ontem que a definição de diva é 'deusa/prima donna'", ela diz com um sorriso largo. "Então eu acho que ser chamada de uma diva pode ser um elogio extremo ou o oposto."

Para seu grande número de fãs (e eles são um grupo muito devotado, o que dúzias de sites da Internet inteiramente feitos para ela atestam), os detalhes de sua infância são familiares. Ela cresceu sendo a filha multirracial de uma mão irlandesa e americana e um pai afro-americano/venezuelano. O casamento de seus pais, repleto de barulhentos conflitos, terminou quando ela tinha três anos. Sua mãe, uma cantora, lutou para sustentar Mariah e seus irmãos mais velhos se dividindo entre diferentes trabalhos, incluindo gerenciando uma loja de animais e trabalhando como professora de canto.
Outro capítulo bem conhecido da saga de Carey é o precoce reconhecimento do talento de sua voz, como descoberta por sua mãe e promovida com forte determinação pela própria Carey. Aos 18 anos, enquanto trabalhava como backvocal, ela compareceu a uma festa industrial onde entregou sua fita demo a um executivo poderoso chamado Tommy Mottola. Mottola dentro de sua limousine, tocou a fita e voltou para encontrá-la. Carey assinou com a Columbia Records em 1989, e os anos 90 se tornaram um mar de álbuns de platina, clipes provocadores e prêmios. Enquanto os críticos devem ver sua música como baladas muitos melosas, ninguém – nem mesmo os próprios heróis de Carey na música, incluindo Aretha Franklin, Diana Ross, Karen Clark, Vanella Bell Armstrong e Choka Khan – alcançou suas vendas, que atualmente já passaram de 80 milhões de unidades.
Precisamente quando Carey se envolveu com o já casado Mottola, 20 anos mais velho que ela, é uma questão de alguma especulação; qualquer que seja o início, eles se casaram em junho 1993, e se separaram em maio de 1997. (Um porta-voz da Sony, agora categoriza o ex-casal como tendo "uma relação profissional no trabalho muito próxima.") Está claro que ele ainda está muito em sua mente, enquanto ela regularmente, e delicadamente se refere a "minha situação anterior" ou "na minha vida no passado, não me permitiam..." Não é preciso muito para concluir que para uma criança que cresceu sem um pai por perto, deverá sentir algo confortável e seguro sobre um marido controlador. Carey dá indiretas sobre similaridades entre eles, suas histórias da separação de Mottola são curiosamente interrompidas com lembranças de seu pai, que agora vive em Washington DC e com quem ela tem apenas um contato limitado. Ela diz que gostaria que seu pai fosse uma grande parte de sua vida.
Qualquer que seja o controle de Mottola sobre sua vida, Carey acha isto "machismo" quando as pessoas assumem "porque eu fui casada com alguém muito mais velho, quem estava envolvido em minha carreira, que eu era uma mulher presa". De fato, ela sempre manteve suas finanças separadas das dele. "Eu sentia que dividir a casa, as contas, tudo, me faria mais responsável com minha vida, Quando isso foi revelado, eu fiquei – ei! – um pouco desligada nesta avaliação". Ainda, ela está preocupada que "as pessoas pensem que eu era uma menininha que foi tratada como... o canário na gaiola". Enquanto reconhece "de certa forma, isto é verdade", ela se apressa para realçar: "A gaiola foi metade paga por mim!"
Isto deve ser uma resposta a qualidade excessivamente "tranqüila" de sua vida com Mottola que estes dias, Carey não tem nada que seja dela mesma – nem carro, nem casa – e tem um time de administradores financeiros. Mas é muito difícil, ela diz, encontrar conselheiros dignos de confiança. "Sempre termina em decepção", ela observa, "e isto é uma coisa triste". (Entre os processos judiciais conduzidos por pessoas que ela pensava que podia confiar, uma é conduzida por seu ex-padastro por negar um acordo alegado para licenciar uma linha de "bonecas Mariah". A ação foi rejeitada.)
Os problemas de alguns anos passados ajudaram-na a aprender como lidar com a perda – algumas vezes simplesmente reconhecendo o absurdo da situação. "Mesmo quando estou em um momento de desespero intenso, eu irei pensar em alguma piada e irei apenas rir", ela explica. "Eu direi, 'não tenho o direito de estar triste.'" Carey acredita que o humor a ajudou a manter um senso da realidade enquanto tentava conviver com a imagem de Mottola do que ela deveria ser. "Não me permitiam ser eu mesma", ela adiciona.
Claramente, a habilidade de apenas ser ela mesma, e confiar, são batalhas difíceis de se vencer – o que pode explicar sua relação muito próxima com sua mãe. Na metade de nossa entrevista, Carey procura pelo telefone para ligar para sua mãe, Pam, para checar a exatidão de algumas de suas memórias de infância. "Eu me orgulho muito dela, ela perdeu 17 quilos", diz Carey enquanto disca. "Eu consegui para ela esta piscina, e – oi, mãe!" O momento em que ela ouve a voz de sua mãe, Carey visivelmente relaxa. Mesmo nos momentos mais difíceis na sua própria vida, Carey diz, sua mãe "sempre esteve lá para mim. Mas não era uma relação tradicional. Algumas vezes ela era a mãe, e às vezes eu era. Nós trocávamos."
Nestes dias, Carey tem um enorme prazer em poder dar a sua mãe coisas que a família não podia comprar quando ela estava crescendo. Carey comprou para sua mãe não só uma piscina, mas uma casa no estado de N.Y.. "Ela sempre teve casas alugadas, e nunca teve uma que fosse dela. Eu realmente entendo a importância de algo que é todo seu", diz a filha calmamente.

Carey está torturando seu cérebro, tentando lembrar um sonho estranho que ela teve outra noite. "Espere, espere, virá pra mim se nós falarmos sobre outra coisa," ela diz. Então conversaremos. Carey sempre gosta de mencionar suas causas favoritas, a maioria delas envolve crianças. Neste inverno, o prefeito da cidade de Nova Iorque, Rudolph Giuliane, a nomeou a celebridade porta-voz do departamento do Serviço de Adoção de Crianças da cidade. Desde 1994, ela está com um papel similar pelo The Fresh Air Fund, que lhe fez uma homenagem com o "Camp Mariah" no estado de N.Y. para reconhecer seus esforços em nome disto.
Um tópico menos agradável da discussão é a implacável especulação sobre sua vida amorosa pós-Mottola. "Mentiras! Eu não estou vendo Leo DiCaprio, e nunca estive, Q-Tip [o rapper do A tube called Quest], e nunca houve nada com Puffy [Sean Combs, o rapper e algumas vezes seu produtor]." Então toda essa coisa de garota-de-festa agitada é apenas a imaginação fervente de colunistas fofoqueiros? Tudo?
"É difícil pra mim", diz Carey. "Não sou muito experiente para onde eu estou na vida. Tive namorados na escola que não eram coisa séria. Então um casamento, com tão pouca idade. E depois, outro." Jeter? Ela afirma com a cabeça. "Eu nunca estive em um encontro – como, onde você encontra um estranho, ele diz, 'oi, você gostaria de sair para jantar?' e você diz 'claro'. Nunca. E quando você alcança este nível [de celebridade], é muito difícil até mesmo estar com alguém sem ouvir rumores. Você ouve rumores sobre eles, eles ouvem rumores sobre você." No momento de nossa entrevista, Carey diz que ela não está encontrando ninguém em particular.

De repente, ela se lembra de seu sonho. "Eu estava em um spa em Sonoma County, tendo uma massagem, porque às vezes isto ajuda na minha insôniam e sinto sono." Neste momento Carey, sendo massageada, começa a sonhar que está sendo massageada. "No meu sonho, eu disse à massagista que tinha que ir ao banheiro, e voltaria. Ela me perguntou, 'você quer que eu deixe a luz acessa para você?' E eu disse, 'Não. Você pode deixá-las apagadas. Porque estando no escuro nós todos ficamos iguais.' O que isto significa? Não tenho certeza."
Eu também não tenho certeza, mas se eu tivesse que adivinhar, eu diria que às vezes, não importa o quanto você ame ser uma diva, é bom poder desligar os holofotes e ser você mesmo. E além disso, também: amigos em quem você possa confiar; rapazes que irão te amar sendo você mesma; membros da família que não processem você.
Enquanto estava saindo, eu notei algo engraçado: todo o tempo que estivemos conversando, ela manteve as luzes fracas.


Self - dezembro 1998
Traduzido por Vany

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