Música deu força e inspiração para a cantora Mariah Carey, Steve Edwards ouve seu refrão...
Doce Mariah
Estou sonhando com a idéia de encontrar a artista de maior vendagem dos anos 90 em um luxuoso hotel no centro de Londres. Este é para ser o nosso segundo encontro, o primeiro foi a mais de dois anos atrás, celebrando o lançamento de 'Music Box', seu quarto álbum pela Sony. O time de jornalistas e repórteres de TV vieram, sem surpresa para ela, alguns esperaram por pelo menos duas horas. A maioria se preocupava com constantes entregas do serviço de quarto tentando conseguir uma audiência com Mariah Carey.
SE: Muita coisa aconteceu desde 1990, conte a nós sobre isso
MC: Eu lancei seis álbuns em cinco anos – e não conheço muitas outras pessoas que fizeram isso. Não tenho certeza de como eu fiz na verdade, mas eu lembro que depois do primeiro álbum eu tinha tantas idéias que não queria apenas arquivar; eu achava que tinha acumulado muito material e deveria apenas continuar gravando.
SE: Essas músicas foram escritas quando você estava no colegial?
MC: Sim. Eu escrevi a maioria do primeiro álbum quando estava no colegial, imaginando conseguir um contrato na esperança de realizar meu sonho. Minha vida inteira eu sempre quis cantar. Eu canto desde que tinha quatro anos e comecei a compor com 12.
SE: Quais foram as coisas que estimularam você durante sua infância?
MC: Eu tive uma infância louca; eu me mudei muitas vezes com minha mãe e tive muitas coisas agitadas acontecendo na minha vida. A coisa constante para mim foi meu amor por cantar, a música me fazia superar qualquer coisa pela qual eu estivesse passando – o que mais adiante confirmou o meu desejo de me tornar uma cantora profissional.
SE: O estilo de vida associado ao mundo da música foi um atrativo?
MC: Eu acho que cresci e não me motivei muito, porque nunca me senti estável. Sempre senti como se o tapete pudesse ser puxado debaixo de mim a qualquer momento. Eu realmente não tive qualquer estabilidade na minha vida e eu acho que foi uma força guiadora.
SE: Enquanto os discos passam, você está fazendo mais duetos. Você se juntou com Luther (Vandross) em 'Songs' e Boyz II Men fazem uma aparição no seu álbum atual, uma colaboração bem diferente.
MC: Eu tive ótimos momentos trabalhando com Wayne, Shaun, Nate e Michael, foi uma experiência única. Eu tive a idéia desta música, 'One Sweet Day', fiz metade da melodia e da letra e então parei porque quando escrevi o refrão, pensei 'este é um refrão Boyz II Men', podia ouvir a voz deles nesta música e pensei seria o máximo se eu pudesse conseguir que eles cantassem nela.
SE: Por que 'se eu pudesse conseguir'? Qualquer um pensaria que no seu nível nos négocios seria fácil estar junto com estas estrelas.
MC: Bem, eu não tinha os encontrado antes, nós apenas nos vimos em shows de premiações, você sabe. Eu não tenho este tipo de coisa por certo, então nós nos encontramos e eu mostrei para eles a idéia e cantei minhas poucas letras, eu já tinha a parte do meu da música. O tema é sobre perder alguém querido, Nate tinha escrito uma música muito parecida para o empresário deles que tinha sido assassinado alguns anos atrás. A letra era quase idêntica a minha e a melodia ele podia cantar sobre a minha faixa, o que criou um sentimento incrível na sala. Foi um momento fantástico, então nós juntamos as duas músicas.
SE: Você administrou se estabelecer no pulso da sociedade em todo mundo. O que é isto que você está comunicando atrás das suas letras que é considerado tão bem sucedido?
MC: Eu vivo pela mídia. Em todo lugar que eu vou, tenho que tê-la comigo, eu sinto que isto me mantém em contato com o que está acontecendo na música hoje. Em 'Daydream' eu realmente gostei de trabalhar com novos jovens produtores como Jermaine Dupri, Puffy Combs e ODB.
SE: 'De volta às raízes' foi uma diretiva para este álbum, como oposto ao seu regular atrativo?
MC: Eu amaria ter feito isto o tempo todo, mas eu também amo cantar baladas e me expressar nesta forma; acho que uma vez que aconteceu e criou impacto, as pessoas pensaram 'nós temos que ter aquelas baladas e empurrá-las nesta direção'. Isto é ótimo também porque estas músicas fazem um grande impacto nas pessoas, o que é importante para mim. Eu adoro fazer este material onde posso me estender mais vocalmente, por exemplo nos remixes, as pessoas realmente respondem bem a eles porque eles são gravações excitantes. Eu sinto que se a faixa reflete algo que as pessoas estão sentindo, então isto vai dar certo, e é como novos artistas se tornam populares. Não é necessariamente verdade que, porque eu tenho um grande nome agora, nada que eu faça irá explodir e ser a maior coisa e conectar-se às pessoas.
SE: Se isso tudo parasse amanhã, como você lidaria com a mudança?
MC: Eu sentaria e tentaria entender o que aconteceu e por quê, olhar para a situação e tudo o que fiz. Ser grata por isso, ir para fora de casa e brincar com meus cachorros, fazer o que eu tivesse vontade e talvez gravar um álbum que não fosse comercial – ir em uma direção diferente.
SE: O que você acha que você representa para as mulheres do mundo?
MC: Algumas mulheres se identificam, algumas provavelmente não.
SE: E para aquelas que não?
MC: Eu realmente não sei, é muito difícil para mim analisar e entender a visão de mim mesma para as outras. Eu sou a pessoa vivendo dentro de mim mesma. Acho que o perigo que você corre quando você é uma pessoa pública é que todo mundo forma opiniões sobre você, boa, ruim ou indiferente. Quando você senta para uma entrevista, você não irá dizer as coisas que você diria ao seu melhor amigo. Quando eu me encontro com alguém pela primeira vez, fico um pouco tímida, a medida que vou conhecendo-os, eu me solto e quando eles realmente me conhecem, eu me torno uma maluca total! Acho que a mesma coisa aconteceu com a minha carreira, em geral; meu nível de confortabilidade – apenas falar sobre as coisas e relaxar – aumentou quando eu comecei a sentir que todos faziam eu me sentir tão paranóica, sendo uma jovem menina cercada de pessoas poderosas que estão empurrando você para direções diferentes e te controlando através das ações. Não que eles estão tentando, mas eles terminam moldando e controlando você – eu não conheci nenhum outro que escreveu músicas, sendo uma criança e sonhando em ser uma cantor.
SE: O seu casamento com o presidente da Sony, Tommy Mottola, teve alguma influência em sua carreira?
MC: Eu não entrei no negócio de discos sendo a esposa dele, você sabe. Eu tinha uma fita demo que ele por um acaso ouviu, muitas das músicas daquela fita demo terminaram fazendo muito sucesso.
SE: Você mesma dirigiu o vídeo de 'Fantasy', por que?
MC: Foi uma experiência muito interessante dirigir meu próprio vídeo, um aprendizado também. Eu fiz muitos vídeos e nunca me senti 100% feliz com eles. Algumas coisas eu gosto, mas quando você comunica algo a um diretor, eles podem apenas fazer isto através do ponto de vista deles. Eles não estão dentro da minha cabeça vendo o que estou visualizando. Então eu tinha um ótimo time de produção que me ajudou nisto e explicou as coisas para mim. Trabalhei com um grande diretor de fotografia, seu nome é Max e ele é jovem e legal e não teve nenhum problema de ego lidando comigo, eu apenas queria colocar minha visão e eles me ajudaram a fazer isto.
SE: Por que você decidiu começar a sua própria gravadora?
MC: Eu amo música, e acho que trabalhar com novos artistas será realmente excitante – eu sei como é ser o artista lidando com as pessoas e as coisas de uma gravadora. Eu tive em contato com um grande número de artistas que não têm contrato e são muito talentosos. Será divertido, outro escape para minha criatividade e uma chance para eu me expandir e fazer um monte de outras coisas.
SE: Obrigada pelo sonho!