Mariah Brasil

Rolling Stone

A agitada diva
Receita para a vida de Maiah: misture uma parte de comédia excêntrica, uma parte de capitalismo global. Adicione batidas de Hip-Hop, mexa bem em um jatinho e sirva com gelo.

Mariah Carey está num característico redemoinho dublo de atividade que ocupa o que parece quase 105 porcento do seu tempo. Ela está, para usar a palavra correta, em uma espiral. É uma da manhã, o que é quase a metade do dia no universo de Mariah, e ela está vestindo uma blusa cinza e um jeans personalizado – com a bainha e o cós cotados – um visual que ela desenvolveu enquanto fotografava a capa para o single "Heartbreaker". "Minha estilista. Tonjua Twist, estava dobrando para baixo a parte de cima do jeans, porque quando você veste um jeans, que vem até aqui em cima, ele pode te dar um pneu de gordura", ela explica. "Mas eu gosto da forma como ele veste no bumbum. E ela continuou tendo que dobrar aqui e ali, então finalmente eu falei, 'Rasgue, corte', e então aquela noite, quando eu vesti a calça, todo mundo ficou 'Uau, aonde você conseguiu este jeans?'. Então nós começamos a fazer isso com todos eles."
Para Mariah, a espiral tem muitas faces: Há a espiral de viagens, a espiral de humor e, como é o caso no momento, a espiral de trabalho. Mariah está em Miami, embora ela tenha começado o dia na Argentina, e ela está apenas de passagem para uma sessão de edição de um especial de televisão para o qual ela voltou e cantou no seu colégio, em Long Island, onde ela cresceu com sua mãe – seus pais se divorciaram quando ela tinha três anos. "Isso começou com a vontade de fazer alguma coisa depois de tudo o que aconteceu em Columbine, e eu ainda tenho sonhos com meu colégio e com aqueles dias", ela diz. "Então eu achei que era algo positivo de se fazer". Depois que ela terminar com isso, ela irá para Venezuela para passar alguns dias com seu namorado, super estrela pop latino-americano Luis Miguel, 29, e então para Los Angeles para uma sessão de fotos, Las Vegas para aceitar o Billboard Music Award de Artista da Década, e México para promover seu disco. Sem maquiagem, seu cabelo preso e seus pés – calçados em botas Prada cinzas e de saltos vermelhos muito, muito altos – em cima da mesa na frente dela, ela se parece um pouco com uma menina de terceira série que entrou no armário da sua mãe e então inesperadamente herdou uma corporação multinacional.
Embora não seja, na verdade, herdeira de uma corporação multinacional – Mariah cresceu sem muito dinheiro, e sua mãe, uma cantora de ópera e professora de canto, às vezes trabalhava em pelo menos três empregos ao mesmo tempo para manter a família – ela é, aos vinte e nove anos, um dos principais bens de uma: a Sony, companhia dona da sua gravadora, Columbia. Desde o último verão, Mariah compôs e gravou um álbum (Rainbow), parece que o primeiro single ("Heartbreaker") vai ser número um; fez três clipes e filmou um especial para televisão. Ela é a única artista a ter tido um sucesso número um em cada ano da década passada, um feito atingido pela última vez nos anos Vinte. Ela tem mais sucessos número um do que qualquer artista feminino, qualquer artista em atividade em qualquer gênero e, quanto a isso, qualquer artista de qualquer tipo exceto por Elvis Presley e os Beatles. Mundialmente, ela vendeu um extraordinário número de 105 milhões de discos desde a sua estréia, em 1990. Ela está, atualmente, na pré-produção de um filme que ela vem desenvolvendo sobre uma cantora pop nos anos Oitenta, chamado All That Glitters. Ela fez inúmeras aparições em lojas e entrevistas. E ela fez tudo isso enquanto usava saltos muito, muito altos.
De fato, às vezes ela fez tudo isso enquanto usava saltos muito, muito altos duas vezes – seu eu alternativo mau, Bianca, com quem ela luta no clipe de "Heartbreaker", também não é uma aficionada por sapatos confortáveis. Na verdade, dado o arco principal da espiral que é a vida de Mariah, duas pessoas dificilmente seriam o suficiente para lidar com o tráfego do telefone celular, cumprir todos os compromissos de trabalho. "Eu acho que seus amigos ficam mais excitados com seu sucesso do que ela fica", diz o cantor Trey Lorenz, quem conheceu Mariah quando ela estava gravando seu primeiro álbum. "Eu vou ficar, 'Você quebrou o recorde das Supremes' de singles número um!' Mas talvez isso seja porque ela está sempre trabalhando."
Mariah gravou a maior parte de Rainbow em Capri, Itália, o que foi porque lá é uma ilha montanhosa e você tem que andar à pé para todos os lugares, algo de desafio para um sapato. "Eu tinha que subir uma montanha para o estúdio todos os dias, então eu acabava dormindo lá – era um quarto que não era excelente", ela diz, fazendo sinal de aspas com seus dedos na palavra excelente, que ela pronuncia, como ela em certas palavras e frases, à la Dr. Evil; Mariah é uma grande fã de Austin Powers. "Não era como uma suite de hotel de qualquer tipo", ela continua, preparando-se para entrar em uma das principais espirais no repertório de espirais, a espiral relativa à conversação, "mas eu não me importo em ter um quarto enorme. Eu gosto de estar em um ambiente mais íntimo. Mas era difícil, porque haviam muitos mosquitos e não era muito limpo e era realmente pequeno, então eu subia e cantava, e então eu dormia o quanto conseguia, e ainda, eu podia pelo menos sentir como se tivesse um pouquinho do verão, eu pegava aqueles barcos pequenos – lá não tinha barcos grandes disponíveis, porque não era alta estação de turistas – para a Gruta Azul. Um dia eu acordei bem em frente a pedra da sereia. As sereias sentavam lá e seduziam os homens. Eles deram a elas esta pedra porque as mulheres eram consideradas menos importantes que os homens, e esta era a revanche delas: Elas atraiam sexualmente os homens com as suas vozes para esta pedra. E aconteceu de eu acordar na frente da pedra da sereia, e eu apenas me apaixonei por ela." Para dizer que Mariah é uma artista empenhada é muito pouco. Ela é uma mulher confusa (todas aquelas espirais), mas sua confusão de maneira nenhuma indica falta de objetivo ou inteligência; ao contrário, indica um excesso dessas qualidades. Ela está feliz, ela está ocupada e está feliz por estar ocupada. Seu divórcio em 1997 com o presidente da Sony Music Tommy Mottola, quem assinou com ela seu primeiro contrato depois de ouvir a fita demo que ela entregou a ele numa festa quando ela era adolescente, teve um efeito liberal. O casamento não foi um do tipo tranqüilo, e embora ambas as partes digam que seu relacionamento atual é amigável, um fardo foi obviamente retirado das suas costas – amigos dela costumam de brincadeira chamar a casa em Bedford Hills, New York, que ela dividia com Mottola de "Cante Cante", porque a perceptível exigência de novos álbuns ("Cante! Cante!") foi implacável. (Acidentalmente, a casa, que foi vendida em 1998, queimou até o chão em Dezembro. Nenhum dos antigos cônjuges foi visto correndo pela vizinhança com uma tocha.) Como o leitor imparcial e astuto perceberá, como uma simples explicação, essa caracterização do casamento fracassa um pouco no fato de que agora ela está em liberdade para fazer qualquer coisa e isso faz ela querer cantar! cantar! cantar!
Por outro lado, o ponto é que Mariah é uma diva ocupada. "Se eu não visse e experimentasse todas as coisas que ela faz em um dia, nem eu acreditaria", diz sua mãe, Patricia Carey. "Ela está sempre assim: nunca pára, sempre compondo, sempre fazendo alguma coisa." "Ela é uma acrobata, para resumir", concorda o diretor Brett Ratner, quem fez o clipe de "Heatbreaker". "Mas ela é como uma criança, também. O que é uma loucura, porque quando você está com Mariah, é, como, a realidade de Mariah É como, 'Pule e aproveite a viagem'. E, olhe, ela é muito, muito inteligente. Ela faz tudo: Ela compõe, ela produz. As pessoas pensam que ela compõe essas músicas apenas para vender discos, mas essas músicas vem do fundo do coração dela."
Nesse meio tempo, os passos agitados de Mariah são tão conhecidos que até as cartas de seus fãs freqüentemente aconselham ela a descansar um pouco. Ela não dorme, em primeiro lugar, e quando ela viaja a negócio, ela tem que levar com ela duas pessoas da companhia de seus empresários, então eles podem trabalhar em expedientes. ("Eu acho que durmo melhor com qualquer coisa que se mova", ela diz. "Como no avião, eu sei que não tenho escolha exceto ficar sentada. Quando eu era pequena, costumava dormir nos carros.") Ou pela ansiedade ou energia positiva ou uma combinação das duas, ela é constitucionalmente incapaz de fazer apenas uma coisa – por exemplo, além de viajar para Venezuela para ver Luis, ela irá tentar pesquisar o seu lado venezuelano da árvore etário de seu pai meio afro-americano, meio venezuelano. (Mariah, cuja mãe é irlandesa e americana, colocou o título Rainbow em parte numa referência as suas origens multirraciais.) Com Rainbow, como com Butterfly, ela esteve mais envolvida do que qualquer outro álbum anterior; desde seu divórcio, seu som tem refletido muito mais seu gosto pelo hip-hop, e Rainbow tem convidados como Jay-Z, Snoop Dogg, Da Brat e Missy Elliot, e samples de músicas como "Ain't No Fun If the Homies Can't Have None", como também o puro pop de baladas inspiradas com o que ela é mais associada. (Além de ter duas pernalidades, Mariah tem, fisiologicamente, três vozes distintas de canto: o que são chamadas uma voz de sussurro, que é a principal parte da sua extensão; a voz alta, caracterizada pela passagem de ar, que cai no meio; e a faixa central da sua extensão. "Eles enfiam uma coisa pela sua garganta – eu tenho fotos disso", ela diz. "Quando meu médico faz uma palestra, ele me usa como um exemplo. Um exemplo anormal.")
Distante de co-compor e co-produzir quase tudo do seu novo trabalho, ela tem, desde o lançamento de Rainbow, esteve numa espiral promocional que cobriu quatro continentes e a razão é chegar perto de encontrar cada fã em pessoa o quanto humanamente possível enquanto tendo ao menos quatro horas de sono por noite. "Às vezes eu não sei mais aonde estou", ela diz, continuando a resumir os últimos cinco meses, "porque eu estou em muitos lugares – literalmente uma cidade por dia. Mas eu acho que o que aconteceu depois de Capri foi, eu fui para New York... Não! Primeiro eu fui para Tenerife (Espanha), onde Luis estava fazendo um concerto, e pensei que seriam umas pequenas férias, mas não era um lugar excelente como pensei que seria. Mas, ainda, foi bom estar com ele, então eu implorei e pedi que ele fosse para Capri comigo antes de voltar e começar minha agenda. E não é exatamente um pequeno passeio. Então, vamos ver... eu fui para Capri – você está cansado? – de Capri para New York. Oh, e também, no meio disso tudo, eu fiz o clipe de "Heartbreaker" em Los Angeles, e fiquei completamente acabada, porque eu fiz minha próprias cenas. Sabia como fazer um chute roundhouse, porque meu irmão é faixa preta, e eles me ensinaram o resto. Mas a pessoa com quem lutei contra, ela uma ótima garota, mas ela batia em mim às vezes, e fiquei toda dolorida das cabeça aos pés. Então eu estava na cama e não podia me mexes. Estava mal; eu tinha as mãos dela marcadas na minha perna, e ninguém estava lá me ajudando exceto por Luis Ele disse, 'Eu serei seu assistente por um dia', então ele ficou cuidando de mim e me trazendo as coisas. E ele falou, 'Abra seus olhos, abra os seus olhos, olhe ali', e eu pensei, 'Ooh, o que ele fez?' porque ele é o mestre das surpresas. Então eu abri meus olhos e Mini-Me estava em pé no banheiro! Pensei que fosse real, porque Mini-Me sai à noite e está freqüentemente em clubes. Então eu fiquei, 'Nem me diga que você trouxe Mini-Me aqui enquanto eu estou nesse estado péssimo'. E era um poster em cartão de tamanho real que ele viu numa loja, mas como o banheiro dele tem muitos espelhos e eu abri meus olhos apenas por um segundo, parecia real. Depois nós fomos para Europa e fiz toda aquela promoção, e não tenho certeza se fui para casa ou não. Oh, sim, eu voltei e nós lançamos o álbum, e levei alguns fãs, que venceram um concurso, para Europa comigo num avião. Eles o chamaram de Arco-Íris, mas não era assim, era um avião bonito e bem pintado. Eles iam, como, eles iam fazer este avião arco-íris, e eu fiquei, 'Oh, legal'. E quando eu entrei nele, eles tinham colocado esses adesivos, e não era cinco estrelas, mas também não era ruim. Então nós fomos para Chicago no avião Rainbow e fiz Oprah, nós trouxemos fãs conosco, o que eu amei. Qualquer coisa que envolva verdadeiro contato com fãs reais que me dão uma retribuição e coisas assim. Depois, ou eu voltei para Europa ou fui para Hong Kong, não tenho certeza do que aconteceu primeiro. Então fui para Ásia e América do Sul, e agora aqui."

Mariah e Luis se conheceram um ano atrás em Aspen, onde cada um estava passando o Natal. Eles foram aproximados por seus agentes quem alugaram a eles suas respectivas casas – o agente de Mariah disse a ela que Luis queria conhecê-la, e o agente de Luis disse a ele que Mariah queria conhecê-lo. Embora a vida amorosa de Mariah seja tema de intensa especulação na imprensa, seu relacionamento com Luis esteve relativamente tranqüilo no nível público. Ocasionalmente aparece em colunas de fofoca, entretanto. Logo depois que eles se encontraram, foi noticiado que ele tinha dado a ela um colar de diamantes. "Bem, ele fez isso", diz Mariah quando o rumor apareceu. "Mas não era um colar de diamante grande, elaborado; é um bonito colar de diamantes Bulgari, e era Festa de Natal." Nós nos conhecemos um dia antes da Festa de Natal." Ela está sentada, comendo cenouras e bastões de aipo, amplo saguão Etrusco do estúdio de Miami, onde os vocais para o especial para televisão estão sendo mixados. (Se há uma coisa que Mariah, que fez dieta, gostaria que o mundo soubesse, é que Joan Rivers causou nela uma indisposição alimentar dizendo que ela parecia gorda no Oscar do ano passado.)
Ela está usando um jeans Mariah e um top cinza que deixa sua barriga de fora, e em um pulso vários braceletes feitos de pedras semipreciosas multicoloridas que ela usa pelo seu simbolismo de arco-íris, junto com um bracelete de ouro que ela ganhou de um amigo de aniversário e um bracelete de diamantes muito bonito que ela ganhou de Luis no Dia dos Namorados. "No início", ela diz sobre seu relacionamento, "eu não sabia no que ia dar, eu estava na minha fase uhuu! de sair. E era como se eu estivesse em êxtase – todo era como se fosse a melhor coisa do mundo. Por causa da minha fixação em me sentir como uma intrusa em cada situação, eu costumava ter essa coisa toda de quando eu era pequena que pensava, 'Algum dia eu vou encontrar alguém misturado que irá se parecer comigo, e nós teremos uma vida similar, e nós seremos felizes depois de tudo', e isso me completaria de alguma forma. Não para estar parafraseando Jerry Maguire, mas eu me sentia como se isso fosse me fazer inteira como pessoa, porque eu me sentia como um tipo de prato de combinação de fragmentos de muitas coisas. Mas não funcionou dessa maneira – você tem que encontrar alguém que seja emocionalmente compatível. E Luis é assim, porque, primeiro de tudo, o fato de nós dois sermos músicos é uma nova dinâmica interessante, o que é muito bom. Eu fui num show dele na semana passada onde mulheres estavam caindo, desmaiando e sendo carregadas em macas. Eram umas 500.000 pessoas, e algumas delas tinham cartazes que diziam 'Luis e Mariah', e isso foi bem legal, foi muito bonito. Não foi ruim ou competitivo ou negativo. Porque ele é como um rei naqueles países, mas eu tenho fãs devotos aqui, também. As pessoas me perguntam o tempo todo se existe alguma competição, mas estamos muito longe disso."
Como as obliquas referências ao seu curto relacionamento com o jogador dos Yankees multirracial, Derek Jeter indicada na citação acima, Mariah é um pouco relutante em falar sobre sua vida pessoal em detalhes. Entretanto, ela é prestativa em demasia, e alguns dias depois ela liga de... oh, algum lugar, onde ela tendo sua maquiagem feita no carro no caminho de uma entrevista coletiva, para contar a seguinte notícia sobre o Billboard Music Awards, caindo numa anedota de Luis, que é a razão do telefonema. "Foi ótimo, e mais tarde nós fomos e este restaurante. E tinha essa mulher lá, e era aniversário do namorado dela, e ela me perguntou se eu podia cantar 'Happy Birthday' para ele, porque ela tinha dito a ele que a noite seria cheia de surpresas. Então meu amigo Trey Lorenz e eu fizemos uma pequena versão improvisada de 'Happy Birthday'. Mas antes disso, ela falou, 'Eu vou te dar $100 se você cantar. Eu vou te dar $100.' E eu disse, 'Não, está tudo bem, não precisa.' E ela estava abrindo a bolsa e puxando o dinheiro, e eu dizendo, 'Não, está tudo bem! Guarde os $100, isso não é problema.' Isso não é muito legal? Eu acho muito engraçado, após ganhar o prêmio de Artista da Década, oferecem a mim $100 para cantar 'Happy Birthday'. Então eu tive essa ótima noite. Dessa vez, eu tive este triunfante e alegre sentimento sobre tudo. Eu fiquei muito feliz com tudo. E também, Luis me mandou flores no hotel e um cartão de congratulações, e foi muito lindo, porque ele tentou me mandar dez dúzias de rosas mas eles só tinham sete dúzias em toda Las Vegas. E então com as rosas havia um cartão da florista, desculpando-se e dizendo, 'Ele tentou te mandar dez dúzias mas ele limpou todas as rosas em Las Vegas.' Então, não é lindo?"

Verdade seja dita, Mariah é, na sua felicidade, de fato um tipo de diva excêntrica. Por exemplo, ela está pensando em fazer uma turnê mundial e começá-la em Guam, porque ela sempre teve, desde pequena, uma fascinação hipnótica com a palavra Guam, ela recentemente recebeu uma carta de um fã de Guam, dizendo que ela tem muitos fãs em Guam, e Dr. Evil, ela acredita, tem seu quartel subterrâneo em Guam, mas ela ouviu falar que existem muitas cobras em Guam, que caem das árvores de Guam, e as cobras comem todos os pássaros de Guam, então não existem pássaros em Guam. Estranho o bastante, historicamente, Jack Russell terriers foram usados para matar as cobras de Guam, ainda mais estranho, Mariah tem um certo número de Jack Russell terriers, em um deles ela colocou o nome de Guam. Então, ela dá razões, para começar sua turnê em Guam, e ela terá Sporty Thievz para o número de abertura, e eles podem cantar "No Pigeons (Nenhum Pombo)" e então no final do show, ela cantará "Hero" e soltará vários pombos. Então existirão pássaros em Guam, e talvez ela também doe alguns Jack Russell terriers. Quando objeções a esse plano são levantadas, ela diz, "Mas eu tenho medo de cobras. O que mais posso fazer?" Bem, se ela coloca dessa forma, nada.
"Eu sempre disse que se a personalidade da Mariah fosse revelada como ela realmente é, nada pararia ela e as pessoas a amariam de verdade", diz Trey Lorenz. "Eu acho que era diferente mesmo há alguns anos atrás, quando ela não podia se expressar. Agora, quando as pessoas dizem, 'Ela está tão diferente', eu digo, 'Não você, na verdade, está vendo mais de Mariah, até o lado legal e a pessoa que é apenas como você, mais do que nunca conseguiu ver' . Porque ela é uma pessoa legal." Concorda a mãe de Mariah, "Ela está certamente mais contente com ela mesma, e há uma paz que ela tem agora que ela não tinha há muito tempo, que ela certamente não tinha quando era casada. Mas agora ela voltou a ser a antiga Mariah. A Mariah, que cresceu divertida e que gostava de sair, está de volta. E não esteve aqui por um tempo." Apesar de ter vendido 105 milhões de discos no mundo inteiro durante os últimos dez anos, Mariah, que recentemente comprou um apartamento no centro de Manhattan, mas esteve morando em hotéis e apartamentos alugados desde o fim do seu casamento, tem apenas uma peça de mobília: o antigo piano branco da mãe de Marilyn Monroe, pelo qual ela pagou U$ 662.000 em um leilão no último outono. "Na verdade, eu também tenho uma cadeira que Louise McNally, minha empresária, me deu, porque ela se sentia mal por eu não ter nenhuma mobília. É uma cadeia branca e dourada, de provavelmente cerca de 1801. É uma cadeira muito bonita, ela me deu no último Natal. Mas eu sempre adorei Marilyn, desde que eu era pequena e vi minha mãe assistindo um documentário sobre a vida dela., e por alguma razão eu fiquei muito ligada a ela. E o resto do mundo ficou também, então devia ser ao contrário, mas a minha fascinação por ela aumentou, e eu comecei a ler livros sobre ela. O que talvez não fosse material para uma criança de oito anos estar lendo, mas eu aprendi muitas coisas sobre a vida dela, então sei que o piano era algo que pertencia a Gladys, sua mãe. E uma vez que sua mãe foi internada numa instituição e isso foi um grande trauma para ela, e seu pai nunca a reconheceu, e ela teve filhos, embora tivesse tentado muitas vezes, e ela não tinha família para dizer como ela queria que suas coisas fossem distribuídas... quero dizer, você gostaria que alguém leiloasse suas coisas para qualquer um, que você nem mesmo conheceu? Eu acho que ela é um ícone que merecia um lugar como Graceland, mas ela não tem um. De qualquer forma, meu ponto é, o piano foi de sua mãe. Ela o perdeu ao longo do caminho quando sua mãe foi internada, mas de alguma forma ela passou por todo esse problema para encontrar o piano branco novamente. Então ele era uma coisa muito importante para ela, e ela não tinha muitas coisas que pertenciam a sua família, então eu queria ter certeza de que alguém se preocupa em tê-lo, e vou ficar com ele, mas vou me assegurar de que ele, eventualmente, vá para um museu. Quando alguma coisa acontecer comigo. Ou talvez antes eu o coloque num museu, não sei – vou ver que energia e que vibração está ao redor dele, porque é muito intensa. Mas ela surpreendeu muitas pessoas. Eu fiquei feliz por ter conseguido o piano, porque é algo que eu acho que não deveria ser explorado, uma vez que foi algo muito importante para ela. E isso é um tipo de circulo fechado: de uma garotinha lendo livros sobre ela a ser capaz de comprar algo como isso. Eu acho que o quanto custou é um tipo de piada, mas eu não tenho mais nada – está é a única coisa que me pertence. E tem um certo significado para mim. Na verdade, eu estou muito feliz com isso."

Rolling Stone – Fev 2000
Traduzido por Vany

[voltar]