\n'; document.write(barra); } } changePage();
O estrelato levou Mariah Carey ao limite da sanidade, mas ela está melhor agora. Por que? A superdiva se sente mais como seu cachorro...
Foto instantânea
Lugar: Suíte 129, Hotel Peninsula, Beverly Hills, Califórnia.
Data: 12 de Janeiro de 2005
Ambiente: No lobby do hotel, LL Cool J e o ator Tim Robbins passam seu tempo próximo a uma mulher tocando harpa. Carey chega por uma entrada lateral. Ela está aqui porque sua casa nas montanhas inundou com as chuvas torrenciais.
A suíte 129 do hotel Peninsula em Beverly Hills tem acesso via escadas. Suntuosas, curvas e de corrimão dourado, mas, contudo lá estão elas: ascendendo entalhadas em mármore e requerendo um passo de cada vez. Mariah Carey desmente o Mito Diva No. 1 subindo-as sozinha para seu apartamento de 4.000 dólares a noite. De botas Louis Vuitton até o joelho e mini-saia cinza subindo rápido, ela parece estonteante. “Eu subo escadas”, ela diz dentro do quarto. “Mas você pode escrever que fui carregada se você quiser.”
As janelas estão escurecidas para a estada dela. Insônia ainda é um problema. Mas a confortos de casa também: Jack, o Jack Russell dela, inesperadamente lívido e voluntarioso para o cachorro de uma diva, está correndo pelo quarto, animado no luxo. O cachorro não foi tirado da sua correria e quando ele foge eu fico no caminho fazendo-o bater na luminária de chão. Uma diva característica poderia ter um jornalista morto por isso, mas Carey leva na esportiva. Carey manda o cachorro embora e se deita no sofá, como se estivesse na terapia ou se recuperando de uma gripe.
E recuperação é a razão disso tudo. Mariah Carey é uma das artistas de maior vendagem de todos os tempos, com 150 milhões de álbuns e singles vendidos. Mas desde que se separou de seu chefe – e ex-marido - na Sony, Tommy Mottola, ela tem lutado para encontrar seu lugar no mundo. Em 2001, o excesso de trabalho e uma briga com seu ex desencadeou um colapso físico e mental e ela foi internada em um hospital de Connecticut. Naquele mesmo ano, os desastrosos filme e trilha-sonora Glitter levou ao término de seu contrato com a Virgin.
Ela assinou com a Def Jam, mas seu álbum de retorno em 2002, Charmbracelet, vendeu pouco, sugerindo que o tempo dela havia passado. Agora, o novo chefe da Island Def Jam, Antonio L.A. Reid está apostando no que deve ser a última jogada de dados dela.
Como Whitney antes dela, Carey entra numa era pop-diva “mais urbana”. No novo álbum The Emancipation of Mimi reis da produção como Kanye West e Jermaine Dupri fecharam os grandes espaços antes reservados para os gritos cinco-oitavas de Carey. No lugar, linguagem de rua, cenários luxuosos, sexo e fé andam lado a lado. Ocasionalmente, o som de Carey trilando em altas freqüências foi adicionado para satisfazer os fãs antigos.
Hoje, há tediosas recomendações dos agentes para manter a entrevista “positiva” e “olhando para futuro”. Mas em pessoa, Carey parece preparada para falar. A perna dela fica inquieta e ela dedilha um pingente de diamantes escrito Mimi quando você fala em “colapso”, “Tommy” ou “Glitter”, mas não há tentativa de impedir ou evitar...
Quem é Mimi?
Meus sobrinhos e meu irmão me chamam de Mimi. Isso começou na Disneylândia uma vez quando eles me levaram na montanha-russa. Eu tenho vários pseudônimos estranhos que uso nos hotéis, como Martha Washington.
Como é ela estar emancipada?
É mostrar o meu outro lado. Mesmo enquanto era pequena, eu nunca pensei em mim como Mariah Carey. Ninguém se chamava Mariah e eu odiava isso. Eu queria ser Sue, ou Heather, ou MC, ou Mimi. E então eu lancei meu primeiro álbum e usei os dois nomes pela primeira vez. Apenas a minha mãe me chamava de Mariah. E agora é um tipo de marca registrada e carrega muita bagagem.
Dê-me um exemplo de bagagem...
Bem, eu ouvi hoje que eu estava compondo músicas no piano de Marilyn Monroe. Eu possuo o piano dela, mas apenas o comprei porque sou fã dela. Eu me senti realmente mal quando eles leiloaram as coisas dela porque ela não tinha família e isso pareceu muita exploração, então eu disse ‘vou comprá-lo e um dia darei a um museu’. O público e os devem poder vê-lo. Mas o rumor é de que estou “manifestando” Marilyn.

Há algumas letras com muitas gírias no álbum. “Them chickens is ash/I’m lotion.” O que isso significa?
Chickens são garotas. Se você não passar hidratante, sua pele fica seca, como cinza (ash). Esta garota está dizendo para um cara na boate: “Eu sou quente. Minha pele é macia! Eu sou a pessoa certa!” Mas por favor, que fique claro que não sou eu falando. É uma personagem nessa música. Eu tenho que ligar para o Jermaine [Dupri] para falar sobre isso. Ele vai achar hilário... [Carey pega um celular da sua bolsa e liga para Jermaine Dupri, mas ele está na caixa postal.]
Você parecia tão básica e apropriada como diva das grandes baladas. Você parece muito menos tensa agora.
Por muito tempo eu sentava lá como se estivesse sendo pelo [programa de notícias da tv americana] 20/20. Agora eu quero me divertir porque essa é a minha personalidade. Quando comecei, fui treinada para “apenas sentar lá, dar respostas de uma linha e seguir em frente. Não confie em ninguém”. Portanto, fui treinada para ser tensa. Como uma artista nova, eles te dizem: “Não seja vista carregando uma sacola da loja. Não brinque com seu cabelo enquanto responde.” Disseram-me para ser comercial e não-ameaçadora. Mas eu me rebelei contra isso e certas pessoas ficaram pensando “por que ela está mostrando tanto o corpo?”.
Certas pessoas. Como Tommy Mottola?
Pessoas.
Você disse que se sente como se tivesse 12 anos. Por que?
Quando criança, eu era um adulto. Aos seis anos eu cuidava de coisas e via coisas que nenhuma criança deveria ter que ver. E portanto – e isso já é uma declaração muito batida – eu ainda apenas quero divertir. Por exemplo, eu saí com amigos e nós assistimos desenhos animados por três dias seguidos.
Isso soa um pouco “Jacksons”...
O que você quer dizer?
Infância difícil. Superestrelato. Presa na infância.
Hmmmm... LA Reid está preocupado porque eu ainda acredito em Papai Noel e sou de veneta. Eu posso ser profissional, mas eu sou muito mais como o meu cachorro. Ele é uma criança e eu também.
Quando ele enfiou o focinho na minha virilha, você disse que Jack é um eterno filhote, mas que às vezes ele fica temperamental e ataca as pessoas. Você está falando de você?
Não. Ele apenas fica assustado com multidões de pessoas. Ele fica um pouquinho iludido. Ele é obcecado por água, então ele pulará na banheira. Eu posso acreditar em Papai Noel, mas não sou iludida.
Você teve uma confusão emocional em 2001. Você parece bem sensata hoje. Você fez terapia?
Eu fiz terapia. Ainda faço, mas não todo dia. As pessoas tendem a pensar que foi por eu ter uma família birracial e isso com certeza foi um ponto importante. Mas houve eventos mais específicos em casa com os quais eu tive que lidar.
Você pode dizer quais?
Eu sei que soa evasivo, mas isso é sobre minha família e ser específica significa magoar pessoas. Eu não preciso dessa dor no coração.
O que você aprendeu da terapia?
Quando um certo membro da família foi ofensivo ou te tratou de uma certa forma, às vezes você passa por aquilo novamente mais tarde na sua vida. Você encontra um substituto que é exatamente igual. Especialmente em sendo uma celebridade, as pessoas querem que você precise delas. Elas querem que você dependa delas. Não estou dizendo que nunca magoei alguém ou fiz algo errado. Você não pode ser uma vítima e “pobre de mim”, você tem que aprender por que você escolhe as pessoas que você escolhe.
O que você se lembra do colapso?
Tem sido muito cansativo voltar a esse assunto. É como quando eu caí e cortei meu dedo brincando na caixa de areia quando tinha seis anos e as pessoas ficam perguntando: “Como foi isso?”. Sem ofensas, mas é que não foi algo tão grande como disseram. Exageram muito. Eu sou um ser humano. Se alguém estivesse tendo uma semana difícil no mundo real, ninguém se importaria. No meu mundo, você tem 10 pessoas histéricas gritando: “Oh meu Deus, ela cortou o dedo! Um médico!”.
Então você não tentou tirar sua própria vida?
Não.
Sempre há muita influência masculina na sua vida. No livro I Don’t Mean To Be Rude (Eu Não Quis Ser Grosseiro), Simon Cowell diz que o seu problema é estar cercada por homens-cachorrinho...
Simon disse isso? [Mímica de magoada] Simon, como você pôde? Hmmm, definitivamente, atualmente não. Talvez antes. Definitivamente ainda existem pessoas que querem ter a grande opinião para poder dizer, “fui eu quem influenciou Mariah a fazer isso ou aquilo”. Talvez existam algumas pessoas que concordam com tudo, mas eu não preciso disso. Prefiro estar sozinha. Prefiro assistir TV.
Seu pai faleceu logo quando você estava se aproximando dele em 2002...
Sim. O modo que ele morreu foi horrível. Ele foi teve um diagnóstico errado. Eles pensaram que ele tinha cálculo biliar e que logo ficaria bom. E depois descobriram que era um caso muito raro de câncer e ele morreu muito rápido. Isso foi muito difícil. Só no fim descobri que meu pai guardava meus recortes e tinha todos os meus CDs. Eu tive esses momentos com ele que me deram uma boa idéia dele e do lado dele da família. Ele tinha álbuns de fotos que a mãe dele guardava com fotos dela, depois meu pai pequeno e depois eu. Agora eu as tenho e tenho um quarto na minha casa como todas essas fotos nele. Eu tenho o lado da minha mãe lá também, então é tipo: “essa parede mais essa parede é igual e mim”. O mais importante é que conversando com ele, eu percebi que coisas que aconteceram quando eu era mais nova não foram minha culpa.
Você se arrepende de não ter tido filhos com Tommy, assim o seu pai poderia tê-los conhecido?
Eu me casei muito jovem e, portanto essa não era uma opção. Tommy já tinha filhos e nos tratávamos como irmãos, o que era meio... diferente. Eu não sinto essa necessidade agora porque ainda estou muito envolvida com a minha carreira.
O quão normal você é? Que dia o seu lixeiro vem?
Eu não tenho idéia. Desculpe-me.
Você sabe mexes no DVD player?
No meu apartamento ele é programado. Não sou boa com ele. Sou melhor com a TV por satélite...
Se eu tirasse o seu telefone celular e os seus cartões de crédito e te mandasse em um táxi para Derby, como você faria?
Onde fica Derby?
É uma cidade na região central da Inglaterra. OK, digamos Hoboken, New Jersey. Eu te darei algum dinheiro para uma noite, mas você está sozinha. Como você faria?
Eu acho que me sairia bem.
Bem, conte-me então. Você está na rua principal. Para onde você vai? O que você pediria?
Um vinho branco, provavelmente.
Você aproveitaria ou ficaria pensando, “eu sou Mariah Carey e só estou aqui porque aquele maldito jornalista da Q me largou aqui e roubou meu telefone”?
Você realmente acha isso, não é? Eu não sou uma diva. Eu gosto de conversar com as pessoas. Sou uma pessoa bem normal.
Então, você nunca mandou que o seu camarim fosse repintado ou que um garçom ruivo fosse morto?
De onde você tira essas coisas?
A última foi uma piada.
OK. Bom. Eu quase acreditaria nisso vindo da impressa inglesa. Mas não, eu fico tão impressionada com essas histórias quando você. Como você sabe, eu subo escadas. Eu não peço cachorrinhos no meu camarim.
Então você gosta de ser normal? Vamos até o bar agora?
Não. Não estou bebendo hoje, de qualquer forma. Estou de dieta. Tenho que perder 1,35 Kg.
Isso é muito específico. Por que 1,35 Kg?
Ah! Essa é uma fala do filme Garotas Malvadas. É muito engraçado. Essa garota anoréxica passa o filme todo falando, “eu realmente tenho que perder 1,35 Kg”. Mas não, eu tenho que fazer dieta porque estou fazendo um clipe e você tem que estar o mais magra possível, senão o mundo fica: “Oooh ela engordou!”.
Quem diz isso?
Pessoas. Pessoas que escrevem artigos, por exemplo.
Bem, você acredita nisso, não acredita? Não tem nenhum que grama de gordura em você. Vamos beber um vinho...
Não.
Você está escrevendo um livro para crianças além da sua carreira, eu ouvi...
Eu comecei a escrever um antes de certas pessoas [Madonna publicou The English Roses em 2003] começarem a escrever livros para crianças. Era um tipo de livro de cabeceira ara crianças de famílias birraciais. Há muitas situações em que você tem momentos difíceis como: “que lápis de cor eu uso para me desenhar?”. A personagem chamava-se Pequena Mariah, mas acho que vamos mudar isso.
Você cometeu alguns erros, mas sobreviveu a um início de vida difícil. Sua irmã mais velha, Allison, teve muitos problemas. Drogas. Prostituição. Contração do HIV. Você se sente como “poderia ser eu”?
Ela é nove anos mais velha, então a infância dela foi quando as coisas era piores. O racismo que a família passou era pior. Meus pais ainda eram casados, o que foi a causa de mais problemas. Mas eu tinha muito medo para fazer qualquer coisa que me tirasse do meu caminho. “Eu vou ter uma carreira na música. Eu vou ser bem sucedida. Eu vou sobreviver a essa pobreza.” Era assim que eu pensava naquela época. Eu não queria que os homens se tornassem o meu foco e ficassem no caminho da minha carreira. O mesmo com drogas. Tudo que o fiz foi muito assustador para se levar adiante. E é por isso que as pessoas pensam que tenho 12 anos eternamente – é porque sou muito pudica, acredite ou não.
Como está a sua irmã?
Faz algum tempo que não nos falamos. E é difícil falar sobre isso agora... por razões legais. Então... eu desejo o melhor para ela e espero que ela esteja bem. Mas não posso controlar a vida dela. Não posso controlar a minha vida, portanto não posso controlar a, de ninguém.
MARIAH CAREY diz que ela foi o mais honesta possível e acredite nela. Ela diz que desconhece o pesadelo da diva irritada dos tablóides, mas aceita que 40 malas é muito para sua estada em Los Angeles.
Do lado de fora da suíte, três das pessoas de Carey estão enfrentado um problema com a segurança. O despejado Jack está latindo um “Você sabe quem sou eu?” canino , pulando e girando nos braços de um homem musculoso. Descobre-se que esse não é um homem-cachorrinho, mas um grisalho londrino argumentado: “não posso segurar esse cachorro com uma, e.”.
Esse é Michael, gerente da turnê de Mariah Carey. Ele é de Hackney, leste de Londres. Enquanto ele contém Jack, ele diz que dão boas risadas sobre as bobagens que escrevem sobre Carey.
“Não acredite no que você lê”, ele diz com o cachorro no braço. “Ela boa como ouro, amigo”.
Q - mar 05