Mariah Brasil

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Ela tem um novo disco, uma nova gravadora e um novo filme. Sean Plummer espera até a meia-noite pela super estrela pop Mariah Carey. Em New York City, a estrela brilha 24 horas, 7 dias por semana. Em algumas horas de contanto no LaGuardia, esse repórter desceu no elevador com a estrela do rap Eve, viu o diretor de "Buffalo 66" Vincent Gallo passeando pela Broadway, e disse oi e tchau para o rapper Choclair, na cidade para um jogo de basquete.
Mas, é claro, a estrelas mais luminosas brilham à noite então é apropriado que a entrevista da Profile com a diva pop Mariah Carey deve ser à meia-noite numa suíte luxuosa do Hotel Pierre. Carey está totalmente envolvida na promoção de seu novo álbum "Glitter", que será lançado 11 de Setembro. Produzido em sua maior parte por Jimmy Jam & Terry Lewis (Janet Jackson, Mary J. Blige), é o primeiro disco de um contrato de quatro álbuns com a Virgin Music depois de se desligar da sua gravadora de longa data Columbia Records. O novo contrato, segundo dizem, pagará à cantora de 31 anos mais de 25 milhões de dólares. "Glitter" é também, como o álbum "Purple Rain" de Prince, a trilha sonora do filme de estréia de Carey no cinema. Passado no início dos anos 80, "Glitter" (que estréia nos cinemas 21 de Setembro), traz Carey como Billie Franklin, uma ambiciosa jovem cantora em New York que se envolve com um DJ (o ator inglês Max Beesley) que promete transformá-la em uma estrela. O cantor Eric Benet e a rapper Da Brat também co-estrelam o filme. Carey criou a história original e deixou a roteirista Kate Lanier ("Set It Off", "The Mod Squad") acompanhá-la por dois anos para capturar o gosto de sua vida como uma super estrela pop (embora ela insista que o filme não é autobiográfico). Ela também co-produz "Glitter", que esteve em desenvolvimento por quase quatro anos antes que as filmagens tivessem início no último verão em Toronto e New York.
Além de dar entrevistas para "Glitter", Carey também está dividindo seu tempo na produção de um filme independente chamado "Wise Girls", filmando em Halifax, Nova Scotia. Ela co-estrela junto Mira Sorvino e Melora Walter como Rachel, uma garçonete que trabalha em restaurante da máfia. "Wise Girls" provavelmente estreará no ano que vem nos cinemas.
E isso não é tudo. A coruja viciada no trabalho também comprou recentemente seu próprio apartamento em Manhattan; filmou o clipe de 'Loverboy', primeiro single de Glitter, com o fotógrafo que se transformou em diretor David La Chapelle em L.A.; conheceu o pessoal na sua nova gravadora; e gravou faixas para uma música composta para ela pelo pioneiro do funk Rick James.
É por isso que não reclamo do atraso da estrela para a entrevista, especialmente depois que Mariah pessoalmente me traz um copo de vinho branco enquanto nos preparamos para conversar. Ela está exausta, mas ansiosa para começar. Ela também é educada, doce, comunicativa e animada além do que pensava, tanto que qualquer desconfiança que este repórter tinha sobre se encontrar com uma genuína super estrela se desfizeram o aperto de mão dela. Após uma conversa amigável sobre nossos respectivos animais de estimação - Mariah tem um Jack Russell terrier chamado Jack ("muito original") e um gato chamado William D. Kittycat que ela pegou em Toronto ("ele é canadense") - nós falamos sobre fazer "Glitter" (o filme e o álbum), crescer nos anos 80, e finalmente estar no completo controle de sua carreira.

Você tem um monte de assistentes e ajudantes. Eles todos são necessários?
Honestamente, eu preciso de mais ajudantes do que tenho. A verdade é essa, eu trabalho muito devido às minhas próprias escolhas. É escolha minha voltar para o Canadá amanhã para continuar as filmagens de outro filme enquanto, após assinar esse enorme contrato e trabalhar fazendo as coisas com minha gravadora, muitos artistas - eu não posso falar por todos - mas a maioria dos artistas que eu conheço, ele não fazem a masterização, eles não fazem necessariamente o seqüenciamento, eles não sentam lá para cada mixagem e montagem dos vocais e ficam obcecados com isso. Porque eu não consigo deixar isso nas mãos dos outros.

Você compõe e produz muitas das suas músicas. Muitos artistas não fazem isso, principalmente hoje em dia. O seu envolvimento com sua própria música ajudou a assegurar a longevidade da sua carreira?
Eu acho que tem muito a ver. A coisa engraçada sobre mim é que, especialmente nesse disco, eu trabalhei com muitos artistas e muitos produtores que são muito mais famosos e estáveis. Eu estava num jantar para a BET (Black Entertainment Television) noite passada e alguém disse 'você realmente gosta de rappers que são malcriados'. E respondi 'é disso que eu gosto' e ainda eu também adoro fazer baladas. Principalmente para esse disco, muitas baladas foram escritas para preencher certas cenas ou certos aspectos dos problemas da minha personagem. Mas não há uma pessoa que seja intermediária entre esse lado do que eu faço e as baladas. Então, é como se eu fosse a única linha intermediária aqui.

Você é muito conhecida por suas baladas e músicas pop, mas você trabalhou com rapper 'malcriados' como Snoop Dogg, ODB, Ludacris e Da Brat. Você já se sentiu restringida por sua imagem?
Veja, eu sei qual é a minha imagem. Tudo o que eu sei é que algumas pessoas conhecem 'Fantasy' com ODB e algumas pessoas conhecem a versão pop. E eu acho que é porque quando criança eu cresci onde ouvia coisas diferentes. Eu ouvia o DJ Red Alert, eu ouvia qualquer coisa que estava acontecendo, não só as cinco músicas mais tocadas na estação pop, porque eu era muito 'ok, eu conheço essa. O que vem agora?' E então um dos primeiros discos que comprei foi um disco do Sugar Hill Gang, e eu o ouvia repetidamente para aprender o rap. Mas eu também adoro Barbra Streisand e a tinha na minha casa. Minha mãe é uma cantora de ópera. Eu também adorava - e vivia por - Olivia Newton-John, e eu também gostava muito de The Cars, você sabe o que isso quer dizer? Então, é esse estranho monte de influências que eu tive.

Eu li uma vez que a música que ouvia aos 14 anos continua a ser a música mais importante na sua vida. Você se lembra do estava ouvindo aos 14?
Claro. Eu ouvia a WBLS, KISS FM e KTU, que tocavam basicamente Cherrelle, Alexander O'Neal - ambos artistas urbanos que eram produzidos por Jimmy Jam e Terry Lewis com quem trabalhei nesse disco - Cameo, 'She's Strange'; discos de rap que começavam a ser lançados.

Você gostava de Prince?
Totalmente.

E de "Purple Rain"?
Eu vi esse filme dez vezes com meus amigos. Nós fomos várias vezes. Era o melhor!

Jam & Lewis te deram uma perspectiva daquela época, principalmente devido ao fato de que eles estiveram em "Purple Rain" como membros do The Times?
Eu dizia a eles 'você rapazes, o que acham dessa música?' e eles diziam 'como você conhece essa?'. Minhas influências foram os Dj's que tocavam seus discos obscuros, ou até mesmo pessoas que os influenciaram; a S.O.S Band, todos aqueles discos que eu adorava.

Dado seu envolvimento íntimo com sua música, como você se sentiu ao ter que dar o poder a um diretor e a um estúdio?
Porque eu estava fazendo a música para "Glitter" eu era um tipo de consultora de várias formas e eu ainda sou porque eles estão integrando minhas músicas nele e eu compus muitas delas para contar a história. E agora neste novo projeto que estou fazendo, "Wise Girls", é legal apenas ir. Estou pronta para voltar ao filme logo após este frenesi com a imprensa. A coisa sobre "Wise Girls" é que eu vou lá, faço meu trabalho com o diretor e com a cena com Mira ou Melora. É muito revigorante. Eu não quero ser uma louca controladora. Não quero fazer isso, mas na música, ou em coisas relacionadas com a música, eu tenho que ser.

Vivendo numa redoma como você vive, o que te traz de volta à realidade?
Eu estava dizendo para mim mesma quando saí de Halifax a última vez, eu disse, [com sotaque do Brooklyn] porque eu estava falando como Rachel o tempo todo e foi um pouco confuso porque tenho unhas longas e estava dizendo 'não sei como vou parar de ser Rachel'. Eu gosto muito de Rachel porque ela é muito agressiva e quando estou nesse modo apenas digo 'Não, não vou fazer isso'. [Voltando a sua própria voz] Mas estou como 'como eu vou fazer para voltar a essa outra coisa que tenho que ser?', porque estou gostando muito de fazer Rachel agora. Mas está tudo bem. Olhe, eu posso lidar com qualquer coisa. Sou grata por estar onde estou, sou grata por estar fazendo isso para viver. É loucura agora mas não há ninguém dizendo o que fazer. Eu escolhi fazer isso e esse é o ponto.



Profile – ago/set 2001



traduzido por Vany


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