A maioria das pessoas normalmente não é sortuda o suficiente para conseguir uma entrevista com a rainha do pop urbano, Mariah Carey. Eu tive o prazer de almoçar com ambas Mariah e sua outra personalidade Rachel que lida com drogas e gosta de aproveitar a vida. Indo mais adiante, Rachel é a personagem de Mariah no seu próximo filme Wisegirls, mas tente dizer isso a ela. Às vezes é difícil saber onde Rachel de timbre grave de New York pára e o rítmo mais refinado americano de Mariah começa. Esqueça as longas e elegantes pernas de Mariah, o cabelo louro mel ou a bolsa Louis Vuitton que me manteria vestida até o próximo eclipse. Hoje o centro das atenções são as longas e obviamente falsas unhas de Mariah. "Você está olhando para as minhas unhas da Rachel? Elas são muito más." Eu concordo. Ser cafona não uma característica de de Mariah Carey, então as unhas parecem coisas alienígenas pregadas às suas mãos bronzeadas. Até mesmo assinar autografos a dois fãs num discreto canto do restaurante Soho Italian parece decididamente incomodo. Minhas unhas chamam a atenção de Mariah e eu acabo mostrando minhas unhas pintadas a pouco tempo a ela. "Vê, estas são boas. Este é o tamanho das minhas unhas reais. Mas a esquisita Rachel, ela tem unhas assim e ela fala assim. 'Whadaya dooin?'" O característico rangido do "sotaque Rachel" é um pouco Bronx demais para mim, um pouco Rosie Perez demais, mas ei! O que eu sei? "Não permitiam que eu fosse ela o dia inteiro, então agora estou voltar à personagem. O que seja. Eu peço desculpas por mim mesma o tempo todo. Rachel é como "sim, você tem um problema, certo, que seja". É bom para mim ser capaz de agir assim." Isso tudo que sabemos é verdade. Mariah passou anos onde revelar muito estava fora de sua agenda. Seu casamento e divórcio do magnata da Sony, Tommy Mottola, deixou mais de uma marca então ela se preocupa com a publicidade e estar na personagem dá a ela lincença para se expressar de uma forma que não podia a alguns anos atrás.
"Com Wisegirls, ser está personagem é muito libertador de uma certa forma. Está me ensinando muito sobre mim. Está me ensinando que está certo dizer, "não". Eu não sabia que era certo. Foi por isso que me permiti ficar naquela situação ruim por tanto tempo." Não surpreende adivinhar o que quer dizer com "situação ruim". Mas profissionalmente, seu casamento foi uma época muito produtiva. Seus álbum Music Box (1993) e Daydream (1995) foram multiplatina e a ajudaram a se catapultar ao status de lenda viva e a ajudaram a subir ao topo do jogo da música.
Durante nossa conversa Mariah freqüentemente diz, "Eu odeio continuar sendo redundante mas". Sempre que ela fala sobre alguma coisa, deve ser pela milésima vez e, um vez consciente de que a novela de sua vida transformada em conto de fadas continuará a atrair os olhos do público, o cansaço em seus olhos é muito mal disfarçado. Imagine-se sendo pedido para continuamente falar mal do seu antigo esposo e evocar memórias dolorosas para o único propósito de aumentar os rumores. Mariah suspira "Nada me surpreende. Eu venho de um lugar não só de amor, mas também de total disfunção. Quando você tem isso, você não espera nada de ninguém. A necessidade de alimentar a negatividade não é algo que não compreende, mas isso diz algo sobre nossa sociedade. Eu não tenho essa coisa de "eu odeio a imprensa". Eu compreendo que nós todos temos nossos trabalhos para fazer e não é tudo que pode ser flores, e eu penso assim. Não, eu ser o tipo de coisa que vende jornais. Eu sei que sou uma pessoa real. Eu sei que não dormi com todos os Tom ou Dick, e sei quem eu sou. Eu sei as coisas que eu não faria e as coisas que eu faria, então realmente não me importa o que as pessoas dizem." Ela diz isso, mas você pode dizer que ela se importa. "Eu não espero que você me conheça apenas num encontro de 15 minutos. Eu digo que não confio em ninguém, mas no meu coração eu quero confiar nas pessoas e então é isso que às vezes me magoa, quando eu estico a mão e acabo sendo enganada. Mas novamente, eu não posso culpas as pessoas se elas me encontram e eu estou de mal humor ou coisa assim."
A Mariah mal humorada esteve ausente no dia de nossa entrevista. Sentada em sua cadeira, Mariah estava alegre, atenta e educada, a Mariah que chegou se desculpando pelo atraso de hora para nossa conversa e ficou segurando o gravador para que os ruídos do restaurantes ficassem menos audíveis. Essa doçura deve ser a base de aço para manter sua longevidade numa indústria com pessoas bem sucedidas, mas que são masacradas pela imprensa em mais do que algumas ocasiões onde se ela não pára para dar novas informações se sentem melhor masacrando-a.
Desde o lançamento de seu álbum de estréia, a vida de Mariah passou a ser vivida diante dos olhos públicos. Antes, quando ela dormia no chão de uma amiga em New York City, ela não conseguia entender por que celebridades freqüentemente reclamam de "falta de privacidade" e ser "continuamente atacada". "Eu me lembro de estar sentanda em casa e olhando para pessoas famosas e pensando. E o seu problema é... o que? Ser feliz, você está na TV. A realidade de estar no lado oposto dessa situação foi um pouco menos injusta. Minha questão é por que não me permitem ter sentimentos? Eu nem mesmo como às vezes porque dizem 'nós temos que ir, nós temos que ir'. Eu sou muito grata por estar aqui e não há necessidade, absolutamente nenhuma necessidade de que eu tenha ressentimentos. Esse tipo de negócios reforçou o antigo provérbio 'você pode agradar algumas pessoas por algum tempo, mas você não pode agradar todas
as pessoas o tempo todo' ou 'isso não pode desagradar todas as pessoas o tempo todo?' Eu aprendi recentemente que não vou ser a melhor amiga de todo mundo, nem todo mundo vai gostar de mim, não importa o que eu faça. Eu posso adorar isso e você pode adorar isso, mas não significa que nós podemos dizer que o cara sentado ali vai adorar isso. Ele apenas não gosta disso. Ponto. Eu vivo a vida como eu quero vivê-la. Ser a melhor pessoas que posso ser."
A fala de Rachel volta à tona no momento em que Mariah pára para responder um texto no seu pager Motorola, o acessório à rigor dos ricos e desconhecidos de New York. "É muito difícil com essas unhas! A garota esquisita é uma garota da cidade falando assim. Eu não consigo lidar com isso. De repente eu sou Mariah Carey e então eu sou Rachel novamente e é demais para mim!" Há 135 mensagens na sua caixa de entrada. "Não é loucura?", ela pergunta. Como se eu soubesse. A diferença entre a Mariah de 1993 e a 'nova' Mariah não poderia ser mais pronunciada. Atualmente, os colaboradores de Mariah incluem ODB, Nas, Bone Thugs n' Harmony. Alguns anos atrás seria notícia de primeira página, mas agora fãs jovens e velhos mal se surpreendem com o amplo relacionamente de Mariah com o hip-hop. Atualmente os cabelos estão mais Britney do que seus fãs gostariam e roupas curtas vem como padrão. Mariah leva a crítica à sério. "A primeira metade da minha metade eles me fizeram vestir blusas de gola alta e botas e calças que cobriam até o tornozelo. Você não acha que usaria roupas mais curtas quando tivesse uma chance? Bem, sim eu uso e não me importo. Se isso é o que vai me fazer feliz - que seja." Essa foi Rachel ou Mariah falando? É difícil dizer, realmente. Como defesa, Mariah admite que sua "recem-descoberta" obsessão com sua aparência não é tão nova assim. "Meus problemas vem da insegurança. A maioria das pessoas eu sei que disseram a elas que era bonitas a vida inteira sem nem mesmo ir para o lado glamoroso das coisas." Você tem a impressão de que embora ela esteja vestindo um top azul, jeans e quase nada de maquiagem, ela se sentiria nua saindo de casa vestindo agasalho de ginástica. "É como brincar de vestir para mim, mas quando o assunto é homem, e eu odeio ser redundante, eu realmente dormi com menos homens do que as pessoas pensam. Eu posso contá-los numa mão e estou orgulhosa disso porque é nesse caminho que preciso ir, especialmente no mundo de hoje."
A acusação não explícita que ela saiu de virgem para mulher sedutora não são bem responsabilidade de Mariah. "Eu ando por aí usando essas roupas curtas, mas a verdade é que eu sou muito Mary Poppins por trás disso. Parece que tenho uma pespectiva de seis anos sobre isso - como se estivesse brincando e 'Oh isso não é divertido?' Então é como 'Oops'. Eu acho que as pessoas pensam algo irá acontecer a partis disso, mas elas estão erradas. Honestamente."
Suas experiências em estar com homens que não hesitariam em explorar a situação ensinaram à Mariah os benefícios do elemento surpresa. Esteja prevenido. Tente algo que você pensa que a miss inocente-e-correta não seria capaz de pronunciar e Mariah promete lhe dar uma "cotovelada na cabeça. Embora eu seja muito legal, eu não hesitarei em acertar a cabeça de alguém. Acredite em mim. Este é o problema que nós temos aqui; a minha dualidade novamente".
A dualidade de Mariah é algo que está sempre em evidência. Nascida de uma mãe irlandesa e americana e um pai afro-americano e venezuelano, a luta para ganhar um completa aceitação de ambos grupos raciais é algo que sempre esteve à sombra de seu crescimento. Casados no início dos anos 60, seus pais, Alfred e Patricia divorciaram-se quando ela tinha apenas três anos, mas a apreensão americana com o resultado de um amor interracial se revela na vida diária de Mariah. O período das explosões de carros e envenenamento dos cachorros não foi o que ela viveu primeiramente, mas os olhares e críticas persistem.
"Eu me lembro de estar com meu pai e as pessoas olhavam para pensando, 'você seqüestrou essa criança ou o que?' E quando estava com minha mãe, as pessoas olhavam para nós pensando, 'por que ela parece mais escurinha? Por que ela parece étnica?' Eu me lembro de estar no jardim de infância e desenhando uma foto da minha família e fazendo meu pai marrom e os dois professores atrás de mim rindo e pensando que eu não sabia o que estava fazendo."
Para a jovem Mariah isso significava, "eu não estava certa. Se a família de minha mãe renegou-a e há um pouco de apreensão de todos os lados, o que isso me faz? Era uma luta interior mais do que qualquer coisa". No programa de Oprah no ano passado, Mariah falou sobre o lento processo de amar ela mesma e aceitar sua herança miscigenada. Em 2000 (quando o programa foi filmado) ela ficou frente a frente com meninas que ainda estavam lutando para aceitar suas heranças raciais. "O que realmente partiu meu coração foi uma menina chamada Haley. Ela parece menos étnica que eu, e ela tem essa crise de identidade e ela tem sete anos. Ela escreveu um poema chamado 'Eu Sou Invisível Para Você?'."
O que foi comovente sobre esse momento para Mariah foi o fato de que muito pouco mudou desde que ela enfrentou essas mesmas batalhas durante os anos 70 e 80. "Por que nós precisamos destes rótulos tão desesperadamente? Minha resposta é medo. Se você não sabe como categorizar alguém, você tem medo de que isso te assuste. Como você se coloca? Levou muito tempo até que eu aceitasse e compreendesse isso."
Para Mariah, a questão sobre maternidade é uma opção sobre a qual ela ainda está pensando. A questão de uma figura apropriada de marido/pai continua central, mas sua herança racial continua a ser uma parte significante nas decisões que toma. "A verdade é, eu não sei se devo ter filhos, eu não faria isso a menos que fosse com a pessoa certa. Eu costumava pensar 'deixa eu estar com outra pessoa que é miscigenada como eu e então nós teremos o mesmo tipo de realidade e não seria ótimo porque então eu serei uma pessoa completa?'" Este cenário idealizado começou a parecer menos ideal quando Mariah percebeu que faltava alguma coisa nessa equação. "Adivinhe, se eles não compreendem você em um nível emocional ou qualquer nível, não vai funcionar. Eu me sentiria muito egoísta trazendo uma criança ao mundo sem uma união correta. Eu não preciso disso para o meu ego. Eu já tenho pessoas o suficiente para cuidar e eu gosto de fazer isso."
Aos 31 anos, Mariah se libertou do que ela chama de 'forças negativas'. Com seu primeiro filme, Glitter, marcado para esse ano e Wisegirls com Chloe Sevigny e Mira Sorvino agendado para estrear em 2002, Mariah está firmemente no controle do seu próprio destino agora. A Sony terminou seu contrato de oito álbuns com um álbum a mais sob direito e a Virgin foi rápida para aproveitar essa oportunidade, vencendo uma guerra intensa com um lance para contrato noticiado de US$ 100 milhões. Rumores de uma rivalidade entre ela e sua colega na Virgin, Janet Jackson, foram desmentidas como originadas de "pessoas que operam de um lugar negativo". Ela admite ser fã de Janet e argumenta que se ela tivesse assinado com a Arista, ela estaria negando rumores de uma rixa com Whitney Houston. O aspecto da competição chateia, mas não surpreende Mariah. "De certa forma isso é um tipo de coisa sexista. Eles querem que as mulheres estejam em competição o tempo todo." A decisão de entrar para Virgin levou menos de uma hora para ser tomada. Ela ligou para o seu amigo Lenny Kravitz, quem a animou, e o contrato estava feito. O bônus adicional de ter sido removida da 'rede dos homens' e trabalhando sob mulheres forte como a chefe da Virgin, Nancy Berry, fizeram Mariah confiar em seu instinto corajoso, o qual ela diz que nunca a deixou desistir.
Aquelas unhas batem levemente sobre o pager Motorola novamente e dessa vez a mensagem faz Mariah rir. "Espere, você quer uma mensagem divertida de alguém? Eu só sei como usar isso por causa da minha amiga Maryanne. Ela está me dizendo que não pode vir porque alguma coisa aconteceu no Brooklyn. Olhe sua última linha - seu assinatura. 'Loverboy 2001 - Promova-o ou beije minha bunda' Sabe, você lê algo e é mais engraçado do que se você ouvisse. Isso me diverte - de qualquer jeto." Não, Mariah, é muito engraçado quando você ouve também. Rachel se orgulharia.
Mariah - Perguntas e Respostas
Cera ou gilete?
Eletrólise, quando tenho tempo. Eles não voltam mesmo. Você mata os folículos.
Loira ou morena?
Você que saber para mim ou para um homem? Para o meu cabelo ou minha cebeça?
Para você.
Agora, loira. Quando era pequena eu era clara assim, é por isso que era esquisito para mim ser miscigenada.
Maionese ou creme de salada?
Sour cream? Oh creme de salada. É como molho? Nós não chamamos assim. Eu não uso nenhum. Sal e pimenta, baby.
Britney ou Christina?
Mary J Blige.
Sexo no primeiro encontro é muito cedo?
Eu nunca fiz sexo no primeiro encontro. Talvez em dez anos a partir de agora, quando superar meus medos, mas eu duvido.
O que há no seu CD player agora?
Ante Up de M.O.P e Busta Rhymes, repetidamente. Essa é a minha música preferida no momento. O remix é o meu preferido. Estou obsecada por ele. Sério.
Qual foi a coisa mais impressionante que alguém já te disse?
Alguém me disse hoje 'eu não estaria vivo se não fosse por você'. Foi no meio de uma coisa onde era para nós estarmos todos felizes. Foi alguém muito jovem também.
Seu clipe favorito?
'Fantasy' com ODB. Eles não o mostraram nos canais pop. Mas foi um momento muito divertido para mim.
Você acha que seria capaz de desligar os aparelhos de Timothy McVeigh - a 'Bomba de Oklahoma'?
Eu não poderia desligar nada de ninguém. Eu não consigo nem matar uma mosca. Não é da minha parte fazer julgamentos. Não estou aqui para julgar.
O que é ruim em um homem?
O que me aborrece num homem? Eu acho que quando as pessoas se sentem ameaçadas por mim... que seja, isso é status. Eu nem mesmo me vejo assim. Eu sei que parece ridículo, mas eu não sei. Eu não tenho uma percepção distorcida de mim, maior que a vida - não tenho. Porque ainda me lembro de dormir no chão e ter um dólar por dia para viver.