Mariah Brasil

The Network

Artista: Mariah Carey

Se houvesse um jogo na tv chamado 'Qual é o Artista', todos que estejam um pouco familiarizados com a música contemporânea seria capaz de dizer o nome da cantora da balada insistente, mas delicadamente bonita, 'Through The Rain', em apenas uma nota. 

Tem que ser... só poderia ser... Mariah Carey. 

Com uma nova gravadora, Island, dando suporte ao seu próprio selo, MonarC Music, Carey soa definitivamente revitalizada no single, de volta ao topo da sua carreira. A música está fazendo seu caminho ao primeiro lugar nos rankings de música Adulto Contemporânea, Top 40 e Adulto Contemporânea Urbana. E também batiza o novo álbum, que será lançado em Dezembro e que traz um time de famosos produtores, entre eles, Jimmy Jam e Terry Lewis, Randy Jackson e Jermaine Dupri. Não tenha dúvida: a borboleta Mariah Carey voará alto novamente.

O comentário predominante das rádios sobre 'Through The Rain' é que a música é "a clássica Mariah". Foi importante para você se reestabelecer artisticamente com esse single?
Foi importante para mim me expressar como uma compositora que tinha certas emoções. Quando escrevi a música, eu não senti que tinha que me provar, mas sim, me expressar. Estou feliz que as pessoas sintam a música como "clássica Mariah", mas eu estou mais feliz que ela tenha vindo do meu coração.

Qual foi o seu enfoque nesse álbum - você queria criar músicas que mostrassem seus talentos mais fortes, ou você queria experimentar novos e diferentes sons e estilos?
Na verdade, eu estava no meio da negociação do contrato com a gravadora, imaginando para onde eu iria, em termos de escolher uma gravadora ou fazer a minha própria. Em um certo ponto, isso se tornou sufocante. Eu decidi que precisava "descansar" no processo de gravalçao, fazendo isso por minha conta e realmente me concentrando em escrever e estar no estúdio. Esta sempre foi a minha salvação. Então eu realmente não tinha um plano de ação, que não fosse trabalhar criativamente no estúdio, o que é real e orgânico.

A escolha do material que você decidiu gravar e usar nesse álbum foi diferente de alguma forma do que você escolheu em trabalhos passados?
Eu tenho comparado a quando estava trabalhando no meu primeiro álbum. Eu não sei exatamente como isso é, mas algo sobre esse disco se parece com aquela época da minha carreira. Talvez eu me sinta mais livre do que fui por um tempo. Antes de você se estabelecer como artista, a única pressão sobre você é estar lá por inteiro e apenas ser criativa. É engraçado, eu acabei de vir de uma entrevista numa estação de rádio, onde eu apresentei meu novo single no ar e disse que era do meu primeiro álbum. É apenas uma coincidência divertida que o single passe esse sentimento.

Houve alguma inspiração específica por trás das músicas desse álbum?
'Sunflower' é sobre meu pai, que faleceu no último verão. Eu a escrevi para ele; ele era muito especial para mim.

Quando você está trabalhando numa música no estúdio, quando você sabe que a música está pronta? Como lidar com a tentação de continuar mexendo nela e a melhorando?
Eu fico mexendo nas coisas até a masterização; estou sempre mexendo. Quando eu pego uma música da sessão de composião ou do estúdio, e eu sinto algo forte sobre ela, trabalharei nela até que esteja ficando como eu queria.

Você tem objetivos ou desafios específicos que você queira alcançar nesse álbum?
Por um lado eu tenho objetivos pessoais, espirituais e artísticos, mas não tenho nenhum objetivo espefífico em mente, exceto me mostrar de forma ampla e variada. Sim, o primeiro single é uma balada, e estou feliz que as pessoas estejam gostando dele e achem que é a "clássica Mariah". Mas há outras coisas que eu considero a "clássica Mariah" também. Eu tenho tantas músicas dançantes quanto baladas, o que é algo de que me orgulho muito por ter conseguido. Eu quero criar música que tenha um apelo multi-formato.

Você sente que você tenha que cumprir ou superar algo que você já alcançou?
Sempre que você entra no estúdio, é um desafio, mas ao mesmo tempo é muito gratificante, porque fazer discos é um escape para mim. Eu mergulho na música e a uso de uma forma terapêutica. A mídia dramatizou bastante a situação sobre meu excesso de trabalho, mas eu não sinto que tenha que provar algo ao mundo. Estou grata por todo o apoio que recebi ao longo do caminho, mas depois de tudo que fiz na minha carreira como artista, eu poderia estar numa praia agora se não gostasse de fazer isso.

Você foi muito cortejada por várias gravadoras. Essa experiência foi diferente da primeira vez que você assinou um contrato?
Não muito diferente. A primeira vez que quase assinei com a Warner Bros. Eu tinha um contrato esperando, e então como quase todos sabem agora, Brenda K. Starr fez minha fita demo chegar até Tommy Mottola. A partir daí, tudo começou, o que criou uma guerra de ofertas. Isso me permitou, como uma jovem adolescente, especificar certas coisas no meu contrato que eu não poderia forçá-lo a aceitar de outra forma, como por exemplo, não cantar músicas de outras pessoas.
De uma forma, essa época foi mais difícil e estranha. Eu agora tenho relacionamentos pessoais com várias pessoas na indústria, que vão além da coisa de discos. Eu respeito muito os executivos com quem me encontrei e foi difícil escolher. Eu cheguei ao ponto de ter que sair e ir gravar [minha música] longe [na Itália]. Foi muito sufocante, mas em um certo ponto, tive que tomar a decisão certa -- e não uma decisão por impulso.

Geralmente dizem que se aprende de cada experiência da vida e fica-se mais forte. O que você aprendeu sobre você mesma, como artista e como pessoa, no ano passado?
Eu sempre tive uma ética de trabalho forte. Eu cresci sem dinheiro, então eu era muito preocupada e precisava alcançar sempre mais. Eu queria superar o que me rodeava e queria ser bem sucedida. Isso começou um ciclo de fazer um álbum por ano, o que deixou de ser determinação para ser ridículo. Novas coisas sempre acontenciam e me levaram ao ponto onde eu estava trabalhando mais do que podia aguentar. Ninguém pode trabalhar 20 horas por dia por dois meses direto. A lição que tirei disso é simplesmente comer direito, dormir e descansar o suficiente.
A outra lição que aprendi é acreditar em apenas 10% do que você lê e vê na TV. Não é que eu odeie a imprenssa. Eu entendo, é tudo para vender revistas e ter audiência.

Como você lidou com a faca de dois gumes que é ser uma celebridade?
É estranho. Quando eu era pequena, queria ser famosa como qualquer um. Mas nós todos temos nossas próprias razões para querer estar nos holofotes, e eu sempre disse para mim mesma: "Eu nunca vou querer ser famosa como essas celebridades dos tablóides". Eu sabia que aquelas fotos de aliens com três cabeças e de algumas estrelas não podiam ser verdade, mas eu nunca quis chegar nesse nível. Bem, eu cheguei a esse ponto de qualquer forma. Então, eu sei que é uma faca de dois gumes. Eu pedi por isso, eu consegui e agora lido com isso.

Depois de alcançar tanto, ter mais sucessos e vendas de discos significam tanto para você quanto no início da sua carreira?
Quando comecei, eu tinha um dólar por dia para comida; era assim que eu vivia. Era uma questão de sobrevivência. E agora é uma questão de sobrevivência, mas uma forma diferente de sobrevivência. Nesse ponto, é um processo de cura para mim. Não é ter sucesso nas paradas; é criar música e realizar um sonho. O término de cada projeto é muito pessoal para mim, além de uma celebração. Não estou aqui cantando, "pobre de mim", e coisas assim; minha música é uma celebração da vida.

A última: Se as pessoas que ouvirem esse álbum tivessem que ter uma única impressão, qual seria ela?
Mais do que qualquer coisa, eu espero que elas percebam um senso de persevernça e fé.

The Network - Out 2002


traduzido por Vany


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