O mundo da música pop jamais foi o mesmo desde que Mariah Carey lançou
seu primeiro álbum homônimo no ano de 1990. De lá pra cá, foi um sucesso
atrás do outro e um reconhecimento internacional impressionante. Afinal
de contas, os números não mentem: são mais de 80 milhões de cópias
vendidas em todo o mundo.
Para se ter uma idéia da dimensão daquela que é considerada a artista
feminina de maior vendagem da década, o último trabalho de Mariah Carey,
Daydream, estreou em primeiro lugar na Top 200 da Billboard e teve os
singles "Fantasy", "One Sweet Day" (dueto com Boyz II Men) e "Always
Be My Baby" encabeçando consecutivamente a lista no chart da Billboard. Para
completar, Daydream foi nove vezes disco de platina e Mariah Carey
foi a única artista até hoje com três discos lançados que venderam,
cada um, mais de 8 milhoes de cópias.
Agora Mariah alça novo vôo com Butterfly, que eleva a cantora a um
patamar musical único e pretende superar as expectativas de todos.
O álbum traz 14 composições, sendo 2 inéditas. Destaque para o single
"Honey" que estreou na Billboard americana em primeiro lugar na
Top 200; "Butterfly", "My All" (as duas faixas têm produção e
arranjos de Mariah Carey e Walter Afanasieff), "Breakdown" (que conta
com a participação de Krayzie e Wish Bone), "The Roof" (produzida por
Poke e Tone leia-se Track Masters), e "The Beautiful Ones", um
clássico de Prince do filme Purple Rain, produzida por Mariah em
parceria com Cory Rooney.
Confira agora um rápido resumo de sua carreira e uma entrevista onde
Mariah fala de seu novo trabalho.
1990- Mariah lança seu primeiro trabalho, Mariah Carey. O álbum vendeu
mais de 12 milhoes de cópias no mundo inteiro. As musicas "Vision Of
Love", "Love Takes Time", "Someday" e "I Don't Wanna Cry" conquistaram
os primeiros lugares consecutivamente na Top Pop Singles da Billboard.
Mariah é premiada com dois Grammys: Best New Artist e Best Pop Vocal
Female.
1992- Lançamento do CD Emotions. Mariah Carey é indicada para o Grammy
Awards em duas categorias: Best Pop Vocal Female e Best Producer.
Março de 1992- Mariah participa do MTV Unplugged e grava um EP, que
vendeu mais de 5 milhoes de copias no mundo inteiro.
1993- Mariah lança o Music Box e vende mais de 24 milhões de unidades.
As músicas "Dreamlover", "Hero" e "Without You" conquistam os primeiros
lugares nas paradas internacionais.
Novembro de 1994 - O álbum Merry Christmas vende mais de 8 milhões de
cópias no mundo com apenas uma semana de lançamento.
1995 - Mariah é indicada para o World Music Awards nas seguintes
categorias: World's Best Selling Pop Artist, World's Best American
Recording Artist e World's Overall Best Performing Artist.
1996 - é a grande sensação no World Music Awards. A cantora volta para
casa com mais quatro prêmios no currículo. Durante a premiação do
Billboard Award, Mariah é a escolhida artista do ano.
* Fale um pouco sobre "Honey", o primeiro single do álbum Butterfly.
MC: A idéia inicial partiu de um hit dos anos 80, chamado "Body Rock".
Estava em casa e o telefone tocou. Era um amigo meu que, de
brincadeira, cantarolou essa música pra mim. Nossa! Assim que eu ouvi,
tive a certeza de que aquela seria uma das principais, se não,
a principal faixa do meu álbum. Lembrei então de procurar o Sean
Puff Combs, cujo trabalho e parceria sempre deram certos. Falei
sobre a minha idéia e ele adorou. Tomamos a melodia como base e
compus os versos de Honey. Mas tarde a faixa tomou o formato
que eu queria com a ajuda do Puff e do Steve J.
* Já que estamos falando sobre Honey, o vídeo dessa musica é uma
verdadeira superprodução. Como foi gravar todas aquelas cenas onde
você salta na piscina de uma enorme altura, dirige um jet-ski e
ainda canta?
MC: Gostei muito de ter feito o vídeo, até porque existe uma história,
uma aventura. E como todos sabem, não dispenso ação. Aliás, falando
em aventura, a cena do pulo na piscina foi uma loucura. O pessoal da
produção pediu que um dublê fizesse a cena primeiro para que eu
tivesse idéia do que estava por vir. Quando percebi a altura, minha
reação foi a seguinte: "Meu Deus, Mariah! Você está completamente
sem juízo. Isso é muito alto".
Mas tudo bem. Fui em frente e, apesar de ter repetido o salto quatro
vezes, no final tudo deu certo. Então, por esse esforço extra,
mereço um crédito a mais.
* Continuando a falar sobre Butterfly, a faixa "My All" parece ter um
pouco da Mariah Carey pessoa. Isso é verdade?
MC: (..risos) Olha, para ser bem sincera, a música My All é uma das
minhas faixas preferidas. Os versos estão carregados de muita
simplicidade e energia, duas características que considero essenciais
a um ser humano. Bem, levando-se em conta disso... sim" Sem dúvida
My All tem tudo a ver comigo.
* E "Close My Eyes" ?
MC: A história dessa música é muito especial. Escrevi essa faixa há 4
anos, quando estava numa fazenda, na verdade, estava dentro de uma
banheira e a lua refletia na água. Num cenário desses a inspiração
veio logo. Talvez num momento de introspecção. No fundo, o verdadeiro
significado dessa música só eu sei. Afinal, são sentimentos íntimos e
isso é um segredo. E segredo não é para ser espalhado por aí, certo?!
* Por que você escolheu o clássico de Prince, "The Beatiful Ones", para regravar ?
MC: Na época em que era estudante, costumava ir ao cinema com meus
amigos e um dos filmes que assisti foi "Purple Rain". Quando essa
música tocou, fiquei louca. E de lá pra cá, esperei o momento certo
para colocar "TBO" em algum álbum meu.
* A faixa título aparece em duas versões no álbum. Na segunda, ela
ganhou o título de "Fly Away". Por que?
MC: Existe uma cantiga de ninar que diz mais ou menos assim: Butterfly
is free to fly... fly away... bye bye... Foi à partir daí que eu e o
David Morales tivemos a idéia de usar o título "Fly Away".
* Quando você começa a criar as faixas do seu álbum, existe algum
critério adotado?
MC: Existe sim. Na realidade, primeiro escrevo as baladas e depois
parto para as músicas onde a minha voz precisa ser, digamos, mais
trabalhada.
* Você tem algum processo definido para compor?
MC: Não. Se estou em casa e uma melodia vem à minha cabeça e acho que
é boa e que eu quero gravá-la, ligo um gravador ou minha secretária
eletrônica e deixo lá a melodia para, num momento mais apropriado
poder desenvolvê-la.
* Como você definiria as participações especiais em Butterfly?
MC: As colaborações em um álbum são sempre muito bem vindas. Assim
tenho a chance de exercitar um lado diferente daquele que costumo
trabalhar. Assim foi com Bone-Thugs-N-Harmony na faixa Breakdown e
Mase & The Lox em Honey.
* E a parceria com Sean Puffy Combs, Steve J., Walter Afanasieff e
Cory Rooney?
MC: Tenho apenas uma coisa a dizer em relação a eles: todos são
pessoas maravilhosas. Apesar do trabalho ter sido árduo, o alto
astral e a energia de cada um acabaram facilitando tudo. Vou lhe
confessar uma coisa: não gosto de pessoas que se consideram reis ou
rainhas ou qualquer coisa desse genero. Simplicidade é tudo.
* Quais são suas influências musicais?
MC: Desde criança, sempre fui viciada em ouvir rádio. Aliás, faço
isso até hoje. Depois que todos iam dormir, saía escondida do meu
quarto e roubava o rádio para poder escutar Stevie Wonder e Aretha
Franklin enquanto todos dormiam.
* Como você lida com as críticas negativas?
MC: Se alguem que vai criticar meu trabalho é uma pessoa que não está
por dentro dele, como por exemplo, um crítico que escreve somente
sobre música alternativa, acho que isso não é certo. É como ter um
vegetariano tendo que falar sobre hamburger. Realmente não funciona.
* Do inico de sua carreira até agora, como você vê a atual Mariah Carey?
MC: Muita coisa aconteceu em minha vida, e talvez por ter iniciado a
carreira muito cedo, fui obrigada a amadurecer rápido demais. Mas me
sinto feliz porque faço a música que gosto, vivo minha vida da
maneira que eu quero e acho certo. Todo esse caminho foi um processo
de aprendizado. Muitas pessoas que julgam o meu trabalho, na verdade
não curtem o que eu faço porque não gostam de mim, mas não me importo
com nada disso. Faço musica para os meus fãs e tenho certeza que eles
estão muito felizes. A única coisa é que, hoje em dia, não posso
fazer certas coisas como falar em restaurantes por temer que as
pessoas escutem sobre o que estou conversando, e depois liguem para
os tablóides sensacionalistas. Só preciso ser mais cuidadosa.
* O Brasil e a América do Sul estão em seus planos?
MC: Provavelmente sim, por todas as informações que recebo da Sony
Music no Brasil é que os meus discos estão indo muito bem por lá,
tendo já recebido dois discos de platina. Ainda mais, que me
informaram que os brasileiros são super ligados em música, de uma
musicalidade toda especial. Então é bem possível que na próxima turnê
nós possamos incluir não só o Brasil como outros países da América
do Sul.