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Entrevista por Eric AltVocê foi arrasada pela mídia nesses últimos anos. Como você
vê isso tudo?
A forma que encaro isso é, você tem o bom e o ruim. Nós somos todos seres
humanos, e todos passamos por momentos bons e por momentos difíceis. Mas no fim,
é tudo uma questão acertar o caminho certo. Minha música ‘Through The Rain’ (de
Charmbracelet) é sobre passar por todas essas coisas. Eu me sinto triunfante
quando a canto.
Houve alguma crítica em particular que te magoou?
Houveram muitas. Às vezes quando você é uma celebridade, as pessoas acham que
sabem tudo sobre você. Na realidade, celebridades têm vidas não necessariamente
coincidem com nossa imagem pública. As pessoas acham que sabem tudo sobre você
por causa do jeito que você cantou “Hero”.
Então você é uma diva?
Todo mundo é diva hoje em dia. Você pode ser a diva das lixeiras – não importa.
É um pouco cansativo. Quando eu estava crescendo, minha mãe era uma cantora de
ópera, então eu liguei diva a alguém que realmente canta e é um pouco grandiosa.
Então eu acho que eu poderia ser uma diva. Existem alguns rumores sobre como eu
entro em hotéis e insisto em redecorar o quarto que vou ficar.
Então você não é arrogante ao entrar nos restaurantes?
Não, eu normalmente tenho outras pessoas para fazerem isso por mim. [risos]
Qual foi a pior mentira que você ouviu sobre você?
Que eu me nego a andar na grama. E ainda mais engraçado é que aparentemente eu
também me nego a andar no carpete. Então eu acho que vôo. [risos] Como as
pessoas acham que vou do ponto A para o ponto B?
Mas às vezes é outra celebridade falando coisas sobre você. Alguma razão
para o que Eminem disse de você na letra da música “Superman”?
Sim, aconteceu. Se eu tive alguma relação sexual com ele? Não, eu não o
conhecia, eu saí com ele algumas vezes, mas nada sexual ocorreu. Eu admitiria se
tivesse acontecido, mas não aconteceu. E isso foi o que me aborreceu nisso tudo,
porque fiquei “olhe, se eu tivesse um relacionamento íntimo com a pessoa, isso
seria uma coisa, mas...” Talvez ele pensou que nada acontecendo ele pareceria
mal ou algo assim.
Podemos tocar no assunto Glitter?
Qual é, não faça isso comigo!
Nós achamos que essa é a pergunta que você mais odeia!
Estou cansada de falar sobre isso. Foi há dois anos. Há muitas coisas positivas
para se falar! Tudo o que posso dizer é que eu não poderia ter tido pior sorte –
a trilha sonora foi lançada na semana de 11 de Setembro, e eu fui hospitalizada
por exaustão. O que eu podia fazer? Crianças vêm até mim o tempo todo dizendo
que adoraram o filme. O você vai dizer? É engraçado!
O que é mais difícil porque o filme refletia sua história de vida?
Não refletia. A única coisa em comum era que a garota era inter-racial e
cantora. Minha história de vida seria muito mais interessante.
Esse filme a fez desistir de atuar, ou você quer continuar?
Eu fiz um filme chamado Wisegirls com Mira Sorvino que foi uma grande
experiência. Ele mostra por quê eu quero continuar a atuar. Este foi um filme
independente, e recebeu ótimas críticas. Nós fomos ao Sundance e fomos muito
aplaudidos. Eu fiz uma personagem que era muito diferente de mim. Ela era uma
garçonete que lidava com drogas de Staten Island e que [com sotaque] é muito
descolada, sabe? Isso me permitiu deixar de ser Mariah Carey por um minuto.
Agora vou fazer um filme chamado Sweet Science. Minha personagem é uma boxiadora...
uma muito má. É uma comédia romântica.
Falando de você e câmeras, seus vídeos fazem um ótimo trabalho de te
revelar para o público.
Eu sei que tenho essa imagem que é sexy. Mas eu sou basicamente como Mary
Poppins. Este é o meu apelido! Sou muito púdica. É tudo como uma brincadeira
para mim. Quando você passa por momentos difíceis quando é criança, às vezes sua
infância permanece com você. E comigo foi assim. Houve um período quando estava
num relacionamento que era muito sufocante, eu tinha que vestir blusas fechadas
até o pescoço e calças compridas, e não eu. Então quando saí disso – na época do
vídeo ‘Honey’, onde um pulo na água como uma agente secreta – todo mundo ficou
chocado. Mas aquela era eu de verdade que estava aparecendo.
Descreva para nós como era antes da fama.
Mesmo batalhando, eu sempre sentia que seria passada para trás. Eu me lembro de
ter um par de sapatos com que eu tinha que trabalhar todos os dias. Eu
trabalhava em bares, e meu trabalho era sentar lá usando uma camiseta apertada e
vender camisetas para as pessoas. Mas esses sapatos eram da minha mãe e eram de
tamanho menor que calço. Meus dedos estavam quase furando a ponta do sapato e
era pior na época da neve.
Você se casou com 23 anos com Tommy Mottola, presidente da Sony Music
Entertainment na época. O que você aprendeu sobre casamento?
A ficar longe dele! [risos] Eu me casaria novamente se fosse para ter filhos,
mas, além disso, não consigo me ver fazendo isso.
E o que a experiência te ensinou sobre executivos da indústria de discos?
Que eles são brutais! E ouvia a forma como eles falam sobre artistas porque eu
tinha a posição única de estar lá além das portas fechadas. Não era nada bonito.
Agora que você é uma cantora, compositora e produtora poderosa, você tem
alguém com quem sonha em fazer uma colaboração?
Eu sempre fui fã de Stevie Wonder, e nós sempre falamos sobre trabalhar juntos.
Eu trabalhei com muitas pessoas e é quase inacreditável – todos desde Snoop Dogg
e Jay-Z a Ol’ Dirty Bastard e Pavarotti.
Qual é a sua melhor história sobre ODB?
Eu adoro ele. Ele é o mais engraçado porque ele simplesmente não se importa. Ele
é hilário.
Ele é louco?
Depende do humor. Mas ele é realmente legal. Ele tem muito talento e... muita
liberdade.
Você presta atenção nas novas divas?
Eu gosto da Beyonce. Ela é legal. Eu gosto porque ela escreve suas próprias
músicas, diferentemente das pessoas que estão claramente imitando outros um
pouco demais.
Como J.Lo? Dizem que o produtor dela roubou idéias de você.
Eu gostaria de não comentar isso. Desculpe-me, apenas estou tentando agir de
acordo com as leis aqui.
É verdade que você deixou os fãs escolherem as músicas que você canta nos
shows no seu web site?
Sim, canto todas as que entram no top 15. Eu não vivo na Internet. Eu dou a eles
coisas como ingressos, mas para mim ler a opinião de todo mundo dia e noite não
seria bom.
Mas você na verdade deixa mensagens de vez em quando, certo?
Sim, eu deixo.
Isso é um pouco estranho, ter esse acesso a seus fãs?
Eu tenho um Jack Russell que é muito fofo. Houve uma menina no Japão que foi
vestida como meu cachorro nos shows. Essa menina tem um web site devotado a ele.
Então é muito divertido.
O quanto estar sob os holofotes – ao ponto onde as pessoas se vestem como
seu cachorro – onera seus namoros?
Estou numa posição estranha porque eu comecei fazendo isso muito jovem e eu
sempre trabalhei muito, e então tive um relacionamento com uma pessoa muito mais
velha. Eu nunca na verdade namorei. Eu já recebi muitas cantadas e convites,
obviamente.
Como são as cantadas que você recebe normalmente?
As pessoas vem até mim e me pedem em casamento. Mas não é tão difícil assim.
Apenas comece uma conversa! Eu posso conversar com qualquer um. O importante não
é estar na minha agenda de endereços. O importante é ser divertido, e legal.
Então, que tal sair conosco? Ir a um karaoquê, talvez?
Seria engraçado entrar lá, cantar, e ver a reação de todos. Talvez seja algo que
eu faça.
Então você não quer necessariamente sair apenas com outras celebridades?
Com outras celebridades, há sempre egos. É como, “Que fã viria até mim e pediria
um autógrafo e não pediria a você?” Quem se importa? O importante não é quantas
capas de revistas eu saio com essa pessoa.
Faça uma média de quantos caras chegam até você?
Eu não sei. Assobios e bilhetinhos contam?
Estatísticas de vida: Nascida em 27 de Março, 1970, em Huntington, New
York. “Eu canto desde os quatro anos. Minha mãe era cantora de ópera e
professora de canto, e nós duas sabíamos que eu tinha um talento natural para
música. Escrever músicas foi meu escape criativo. Sempre que passava por alguma
dificuldade, eu escrevia como forma de escape”.
Seu conto de fadas: “Meu sapato quebrou no palco duas vezes nesta turnê,
isso foi muito Cinderela! Uma noite eu notei que o salto tinha quebrado. Eu me
apoiando em uma perna, tentando terminar a música e rindo. Então apenas o joguei
para platéia e o dei a um fã, depois eu tirei o outro sapato e terminei a música
descalça.”
Dirigindo à loucura: “Ter motorista tornou-se comum. Eu na verdade odeio limousines. Eu adoro dirigir, embora não seja uma boa motorista.”
Bom esporte: “Sou uma boa corredora. Mas quando se trata de esportes coletivos, não sou boa. Fico, ‘porque essa pessoa está correndo na minha direção e o que eu faço agora? Que gol estou defendendo?’ Meu cérebro não funciona assim. Eu sei que rapazes querem jogar basquete com suas namoradas, então eu fingiria que sou boa nisso, mas a verdade é que sou péssima. Estou procurando alguém que me ensine.”
O que ela quer em um homem: “Definitivamente, senso de humor. Se alguém apenas senta lá e fala sobre assuntos do dia a dia, é entediante. Por que tantos problemas?”
Maxim – Agosto 2003