Um novo filme e álbum. Um relacionamento vai-vem com Luis Miguel. Uma viagem para
Venezuela para procurar as raízes de sua família. Mariah Carey é uma mulher
ocupada.
"Você quer dizer que há uma torradeira da Hello Kitty?"
Mariah Carey exclama incrédula. Ela é uma colecionadora de coisas da pequena
gata branca com um laço na orelha. Ela tem um pequeno som rosa da Kitty, sua
agenda eletrônica é coberta de pequenos adesivos da Kitty, e ela agora pega o
telefone celular para dizer aos seus amigos - que estão fazendo compras - que
eles tem uma nova missão: chegar na loja Sanrio antes que feche. "Ela
imprime o rosto da Kitty na torrada", ela diz. "Encontrem-na".
Antes que você comece a pensar que a mente de Carey está alta onde sua
incrível e versátil voz pode chegar, lembre-se de que ela é a mulher que
apenas negociou por si própria um contrato de 80 milhões de dólares com sua
nova gravadora. Ela também apareceu com a idéia de seu novo filme, Glitter,
no qual ela estrela e fez a trilha sonora quel tem o mesmo nome. Nele, Carey faz
uma garota cuja luta para ser uma cantora só compete com o vazio que ela sente
por ter sido abandonada por sua mãe.
Na realidade, Carey não tem os problemas de mãe, embora ela tenha uma
herança interessante. Seus pais - Patricia, que é irlandesa, e Alfred, que é
venezuelano e afro-americano - divorciaram-se quando Carey tinha 3anos; seus
irmãos mais velhos a deixaram logo depois. Carey se mudou de Long Island para
New York City quando ela tinha 17 anos, levando com ela seu sonho de seu tornar
uma cantora de sucesso, muita vontade, e nada mais. Ela trabalhou como
cabelereira, garçonete, e backvocal, o último trabalho a levou a Tommy
Mottola, chefe da Sony Music Entertainment. Ele tornou-se seu mentor e marido;
ambas parceirias foram dissolvidas depois de alguns anos.
Mas isso foi há muito tempo. Hoje, ela está num quarto no hotel Manhattan's
Sobo Grand Hotel dando entrevistas, parecendo em cada centímetro uma estrela
com seu novo cabelo cor de mel, um top branco, um colar com o escrito
"Glitter", jeans, e sandálias de salto alto. Esta noite, entretanto,
Carey deve se transformar numa mulher comum lanchando torradas com a Kitty
estampadas nelas. Mariah Carey: Você vai ter que desculpar meu sotaque de New York. Estou
fazendo um filme chamado Wise Girls, e minha personagem fala assim
"O que você está fazendo, do que as pessoas estão falando?" (com
sotaque). Estou pensando, como eu vou voltar ao mundo de Mariah? Mas eu entro e
saio de personagens o tempo todo. Minha avó, Addy, [numa fala arrastada do
sul] ela costumava falar assim, se eu ficar perto de certas pessoas, eu
ficarei falando assim por dias. [Voltando ao normal] O problema é que
uma vez que você entra nessa personagem, é muito difícil sair.
Latina: Então você está descobrindo qual o problema que os atores tem
que lidar, que é onde o personagem termina e onde eu começo? MC: Bem, principalmente com este novo papel, eu sento como se ele tivesse
vindo para mim por uma razão. Esta parsonagem é muito poderosa e muito capaz
de dizer apenas, "Não, de jeito nenhum. É assim que vamos fazer".
Uma vez que eu sinto a necessidade de explicar muito as coisas e fazer que todo
mundo se sinta bem e dizer, "Eu não estou tentando explicar, é apenas que
blá blá blá..." É o traço daqueles de nós de famílias nas quais
você tem que fazer coisas assim, ser a pacificadora.
L: Falando na sua família, sua herença realmente reflete o que a
América se parece; quero dizer, se você e Tiger Woods tiverem um bebê, você
colocaria o nome dele de "Censo". Você sente que você pertence mais
a um grupo do que a outro? MC: Eu me identifico com todas as coisas que eu sou, e eu sinto que seria
ok. Mas eu me olho como ser humano. Eu digo, nós podemos apenas lidar com a
pessoa que vive dentro do corpo, quem tem que ir fazer todas essas entrevistas
agora e estar na TV e ser, como, a pessoa mais feliz do mundo? Uuuu!
Então como aqueles tiques nessa coisa interracial, misturada, multiracial,
qualquer que seja o nome que você queira chamar isso, é que eu não tenho
problema com isso, porque eu me vejo todos os dias, e eu sei quem eu sou e com
quem me relaciono num nível humano.
É quase como se as pessoas não entendessem como compreender que eu a filha
de um homem negro que aconteceu de ser parte venezuelano e um mulher branca do
meio-oeste, [que foi para] uma escola convento, uma diva da ópera, uma lady.
Mas é interessante, porque eu encontrei pessoas que são quase a mesma mistura
que eu, mas eles não tem os mesmos problemas que eu tinha por suas próprias
razões.
Eu costumava sentir que eu tinha que encontrar aquela pessoa que era a exata
mistura que eu era, então nós teríamos nossas pequenas crianças misturadas,
e nenhum de nós teria crises de identidade ou nos sentiríamos como
estrangeiros porque nós teríamos nosso próprio grupinho e isso não seria
ótimo? Mas se aquela pessoa não compreende você emocionalmente, é inútil.
Nós discutimos a coisa do Nuñez, certo?
L: Não, o que é a coisa do Nuñez? MC: Este é o sobrenome real do meu avô, então meu nome teria sido
María Nuñez. Mas quando ele veio para este país da Venezuela, ele mudou seu
nome para ganhar imunidade cultural. Meu pai riu disso porque as pessoas
irlandesas eram tão discriminadas quanto os que falavam espanhol naquela
época.
Então eu recentemente fui à Venezuela, porque meu pai está tentando
traçar suas raízes agora. Meu pai e meu avô não não se falam por coisas da
vida do meu pai porque os pais dele se divorciaram. Mas meu pai descobriu o nome
da cidade na Venezuela de onde meu bisavô veio. Veja, tudo isso foi um novo
passo de compreensão para mim porque nós não sabíamos nada disso antes. Eu
pensei que era parte cubana por um tempo, porque meu pai não se dava com aquele
lado.
L: Quando você descobriu isso? MC: Eu acho que quando eu encontrei meu avô pela primeira vez, tinha 7
anos. Ele era um homem muito bom. Eu tenho uma foto que meu pai me deu do meu
avô quando ele era jovem, e eu fui à Venezuela e tentei descobrir
informações, mais para o meu pai do que para qualquer outra coisa, embora eu
não seja muito próxima do meu pai. Eu sinto que essa é a forma de ter um
relacionamente que é saudável e boa.
Então eu fui à TV perguntar por informações, e de repente um monte de
pessoas começaram a aparecer dizendo, "Eu sou avô dela". Mas ele
morreu há quatro anos, então foi uma coisa muito estranha. Mas eu acho que
descobri algumas pessoas que são relacionadas a ele.
L: Você fala espanhol? MC: Você sabe, eu realmente queria aprender espanhol e ser fluente, mas
eu não tenho tempo. E isso soa horrível, mas eu mal tenho tempo para ser eu
mesma agora. Mas eu deveria aprender.
L: Você consegue pelo menos xingar em espanhol? MC: Sim, um pouquinho. Eu estou feliz em xingar apenas em inglês.
L: Então conte-nos sobre Glitter. MC: Glitter foi uma grande experiência para mim. Esta personagem,
Billie, não é autobiográfica de forma alguma. Ela se sente abandonada por sua
mãe, e é isso que a leva a fazer tudo. Ter isso foi o que a levou e é
diferente do que eu tenho. Mas em cada ação que eu faço como Billie, eu tenho
que ir nessa direção com isso tipo de sentimento.
L: Então o filme saiu como você queria? MC: Quando eu apareci com essa idéia há dois anos, não sabia se iria
acontecer ou o que, e eu acho que aconteceu da forma que deveria acontecer. Eu
sou uma pessoa que acredita nessa tipo de coisa. Eu tive que abrir minha mente e
tentar ouvir o diretor, Vondie Curtis-Hall, que tinha idéias diferentes.
Eu sinto que a emoção está realmente lá.
L: Troque de lugar comigo e faça uma crítica à Glitter, o
álbum. Qual é a sua música preferida? MC: Bem, eu adoro o primeiro single "Loverboy". Mas eu também
adoro "Last Night a DJ Saved My Life" porque é muito difícil. Não
consigo escolher, porque este é o meu álbum preferido desde Butterfly,
que eu adorei porque todas as músicas eram muito pessoais. Esta é uma forma
diferente de me expressar porque eu estou compondo como a personagem ou compondo
sobre a cena.
L: Foi uma boa negociação conseguir um contrato de multimilionário. MC: Obrigada. Você não recebe tudo isso de uma vez, acredite em mim. A
menos que você esteja fazendo isso por uns 25 anos, você realmente não
entende os trabalhos internos nos negócios da música. Mas pelos últimos três
anos e meio, eu tive que tomar posse de mim mesma dentro de uma grande estrutura
corporativa, porque não havia ninguém no topo que se importasse realmente. É
como lidar com um outro chefe completamente diferente, e eles olham para você
pensando, "Esta é uma jovem mulher que nós achamos que era
controlada", o que eu era. Mas então eu estava perguntando, "Quem é
o seu distribuidor em Taiwan? Porque eu sei que este é um mercado importante
para mim".
L: Nós podemos falar um pouco sobre você e Luis Miguel? MC:Nós temos? É só que ele não fala sobre isso, então eu não quero
me sentir exploradora e falar sobre isso. Eu acho que é demais para mim estar
constantemente falando nele. A questão é, nessa carreira, não importa com
quem você esteja, eu acho que a melhor idéia é sempre falar o menos
possível, mas é muito difícil fazer isso.
Eu só acho que é estranho, porque há sempre especulação: eles estão
juntos? Eles vão se casar? Ele está traindo ela? Ela está traindo ele? Todas
essas coisas. Eu sou uma pessoa de espírito livre que foi sufocada por muito
tempo, e isso não é bom. E o relacionamente público pode ser uma coisa
sufocante, porque as pessoas falam coisas que magoam os outros. Então é muito
difícil comentar sobre isso quando você está tendo um dia ruim com alguém ou
uma má semana ou um mês ruim.
Então meu novo lema é, em geral, Luis é uma pessoa linda com um grande
coração, e ele merece todo o amor que todos podem dar a ele. Nós erámos dois
indivíduos separados. Não importa o que aconteceu ou aconteça. Eu vou sempre
olhar para ele como a pessoa incrível, talentosa e linda que ele é.
Eu estive fazendo minhas próprias coisas, meu trabalho. Não há espaço
para mim, então não há espaço para ninguém mais agora. E a forma como eu
trabalho, cuidando de cada coisinha, não é normal. Este é um ajuste estranho
para qualquer homem aceitar. E então você está na TV em shorts curtos que
são um pouco picantes, para dizer ao menos, mas você também é um tipo de
Mary Poppins na seu pudor. É como uma separação de grupos opostos.
L:Sim, você se veste de maneira sexy, mas não dá a impressão de ser
vulgar. MC:Quando eu faço essas coisas agora, é como brincar. Eu tenho uma
brincadeira com uma amiga minha que nós estamos eternamente na primeira série.
E eu estou nesse caminho estranho, porque eu vi e vivi coisas muito intensas por
causa das pessoas na minha vida ou na minha família que eram realmente
estragadas, e ver isso me fez ir em outro caminho.
Você nunca vai me ver usando drogas nunca. Eu vi isso; e não quero isso. Eu
era muito protetora comigo mesma em termos de não ser promiscua por causa do
que vi muito cedo; eu não queria ter um filho aos 15 anos.
Eu ainda levo isso muito a sério, mas eu não espero que as pessoas
acreditem nisso, não que eu realmente me importe, o importante é que eu sei.
Estou orgulhosa de não ter estado com muitas pessoas na minha vida. Por que
eu preciso fazer isso? Eu preferia sentar e conversar com alguém durante horas
ou ir nadar ou ir à Disney World ao invés de ter uma noite casual de alguma
coisa que não vai me fazer mais inteira como pessoa.
L:Eu acho que as pessoas preenchem suas necessidades de formas
diferentes. MC:Eu tenho coisas diferentes que precisam ser preenchidas, como ser
viciada em trabalho. Meus fãs são como a extensão da minha família para mim,
voltando ao que falávamos antes sobre pertencer a um grupo. Foi nisso que eles
se transformaram. Eu só queria ser aceita como eu mesma, e o que meus fãs
fizeram foi me aceitar como eu sou. E se eles gostam da música e eles sentem a
emoção da música, eles tem esse senso de quem eu sou, eu realmente sinto como
se eles preenchessem essa coisa que eu sempre tive, este espaço vazio. Fotografada por Carlo Dalla Chiesa - Por Suzan Colón