Mariah Carey Brasil

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Madame Butterfly
"Você quer ver uma coisa engraçada?" pergunta Mariah Carey, em pé na espaçosa cozinha de seu novo apartamento em Manhattan no lado leste da cidade. Carey anda em direção a uma pintura a óleo pendurada na parede, oposta a uma enorme janela com vitral e um elevado armário do século XIX. A obra inclui uma certa e delicada criatura com asas, a qual a cantora nomeou o seu último CD multiplatina: a borboleta. "Eu percebi isso depois que eu me mudei", ela diz com sua voz rouca e sedutora. "Borboletas estão sempre me seguindo, em qualquer lugar que eu vá." Gravado próximo ao topo estão as palavras em Latim levior aura, que se traduz como "mais leve que a brisa". Mas para Carey, a pintura "tem algo a ver com liberdade".

Certamente, liberdade tem sido o principal tema da recente história desta superstar de 28 anos. Pouco antes de lançar Butterfly no último setembro, Carey anunciou sua separação do presidente da Sony Music Entertainment Tommy Mottola, o homem que a descobriu em 1989 e se casou com ela quatro anos mais tarde. Enquanto casal, que mantém termos amigáveis, se dedicaram à mansão de campo que construíram (completa com piscina interna, salão de festas e um estúdio de gravação) e decoraram juntos numa propriedade isolada no subúrbio, em Bedford, New York, Carey iniciou uma aplicada procura por um lugar pra ela própria. Esta procura instintivamente levou a nativa de Long Island para a Big Apple. "Eu me lembro tendo 5 ou 6 anos, olhando para New Yorque pelo vidro de trás do carro, pensando, eu vou morar nesta cidade um dia!", Carey recorda.

Então, no último ano, Carey arrendou três andares deste casa de cidade em uma das mais elegantes áreas. É uma confortável decoração para Carey, que apesar do seu novo e liberado status e sua predileção por estar de acordo com as últimas músicas e modas também anseia por segurança e estabilidade. "A coisa sobre mim é que sempre me senti como uma forasteira", diz Carey. "Isto é em parte porque eu sou multirracial"- a mãe de Carey, uma antiga cantora de opera, é irlandesa-americana; seu pai é um negro venezuelano - "e em parte por causa da falta de dinheiro quando eu era uma criança". Seus pais se separaram quando ela era pequena; depois disso, Carey e seu irmão e irmã mais velhos se mudaram várias vezes em Long Island com sua mãe, que freqüentemente tinha que lutar para atingir resultados adequados.

A vida com Mottola foi muito estável. "[com ele] eu foi definitivamente o ambiente mais controlado que eu já estive, e isso foi uma parte importante do meu crescimento. Agora eu me sinto mais independente, mais confortável estando sozinha". Não que a vocalista feminina de maior vendagem de discos da década - Carey vendeu mais de 90 milhões de discos - esteja exatamente passando seus dias e noites na solidão. Ela tem interesse em um novo amor em New York o jogador de basebol estrela dos Yankees, Derek Jeter (mais sobre isso depois) e também visa a carreira de atriz no cinema. No fim deste ano, ela estará atuando a comédia de ação Double-oo-Soul; além disso, ela está desenvolvendo um script e trilha sonora para um filme dramático centrado numa família de músicos. Mais significativamente, Carey está se sentindo mais à vontade em sua própria pele, e na cidade que ela ama. "Antes, era um grande drama para mim chamar um táxi sozinha. Agora eu ando por aí e faço o que eu quero".

Para fazer a transição entre viver numa mansão gigante e viver sozinha, Carey quis lugar de bom tamanho com um ar familiar. A casa, claramente, a serve muito bem. " Senti-me em casa no minuto em que pisei nela", Carey diz. "E você sabe o que é ótimo? Eu posso levantar no meio da noite e pegar algo pra comer, e eu não sinto como se tivesse um duende escondido atrás da porta. Estar numa casa longe no campo pode ser assustador. Este era um lugar lindo, mas do tipo formal e imponente. Aqui é mais cômodo".

Parte dessa comodidade pode ser atribuída ao modo como o dono, um banqueiro investidor no seus 30 anos, mobiliou-o. Carey diz que ela prefere os tons ricos e quentes que dominam o apartamento, desde o vermelho profundo acentuado no quarto de hóspedes até a abundância de cerejeira e mogno na biblioteca. Ela igualmente gosta da lareira calcário da sala de estar, uma das cinco lareiras no apartamento. "Isto é algo que eu teria escolhido. É muito eu".

Carey também temperou o lugar com nítidos toques pessoais. Fotos suas em várias idades - como criança na praia, como adolescente com sua mãe, como adulta com Diana Ross - estão por toda parte, ao lado fotografias de seus amigos, parentes e numerosos animais (entre eles, seu querido, falecido gato, Clarence, e, naturalmente, o terrier Jack). Há mais parafernália de borboleta, desde presilha de cabelo até caixas de jóias; Carey explica que seus colegas, que a chamam de M.C., tem sido generosos com muitas quinquilharias para ela desde que seu álbum foi lançado. Na cozinha estão dois quadros com cartas de Bill Clinton. "Eu espero ouvi-la pessoalmente algum dia", o presidente escreveu num deles.

Mas é no subsolo que o impacto de Carey no apartamento é mais óbvio. Ela o converteu em um enorme, por todo espaço, closet, completo com uma área de beleza gabando-se de uma cadeira estilo profissional para massagem e eletrólise ("pessoas olham isso e eles brincam, 'o que seu dentista faz aqui?'"). Carey mesmo estando relutando para comprar esta casa por causa da falta de espaço "para facilitar os exercícios e todo esse troço" - "esse troço" significando espaço para guardar suas roupas e sapatos, os quais ela tem um bom suprimento. A cantora freqüentemente tem que se vestir apressadamente num roupão e descer para o subsolo num elevador - que ela divide com uma família que mora a cima dela no apartamento - simplesmente para conseguir se vestir.

As roupas de Carey são caprichosamente arrumadas e escrupulosamente coordenadas por cor. Calças, vestidos, jaquetas, mini-saias, blusas de linha, camisetas e bolsas formam filas e filas, pilhas e pilhas. Enquanto morando na casa de Bedford, onde ela tinha muito mais espaço, Carey "era muito organizada, eu tinha minhas roupas numeradas", ela ri, apontando para uma etiqueta marcada em uma jaqueta como prova. Seu guarda-roupa revela um estilo pessoal que vai em direção ao funky e modelos justos, um visual que sua altura de 1,75, magra ("eu abaixo pra 4 e subo pra 8 ou 10 quando eu estou inchada"), facilmente se ajusta perfeitamente ao estilo. Um item preferido no momento é um top tubinho elástico branco ("sete dólares!" Ela brincando); ela evita blazer, contudo, prefere vestir uma curta jaqueta de couro-nylon sobre seu jeans pintado.

Uma anormalidade na coleção de jaquetas de Carey é uma volumosa com número azul-marinho e com o símbolo do New York Yankees. "Eu fui a um jogo outro dia e eu estava com frio, então eu comprei uma", Carey diz timidamente. Sem muita pressão, ela conta a história real: Os rumores de que ela está se encontrando com Derek Jeter são verdade. Ela o encontrou, ela diz, a mais ou menos um ano atrás, e seu relacionamento evoluiu de uma amizade e foi fortalecido pelas coisas em comum que eles dividem. "Sua mãe é irlandesa e seu pai é negro - o mesmo que eu. Eu nunca tinha encontrado ninguém assim, e isso sempre foi uma grande parte de quem eu sou".

Naturalmente, como ex-esposa de uma figura proeminente da indústria de diversão, Carey entende que namoros para celebridades pode ser uma questão difícil, particularmente para aqueles que anseiam por privacidade. "Já é ruim o bastante quando apenas uma pessoa pública está envolvida", ela diz. "Mas com duas, é realmente difícil ter algo para você mesmo". Também, depois de se mudar para Manhattan - ela ficou em hotéis até encontrar seu apartamento - Carey rapidamente ganhou uma reputação de "coruja da noite". "Desde que eu realmente não saía no passado, eu tenho uma tendência a sair mais esses dias", ela diz. "[Mas] para manter minha voz em um bom tom, eu tenho que dormir. Quando eu estou viajando em uma turnê, eu me sinto como um eremita. Meus dançarinos e cantores saem pra se divertir, e eu estou na cama, como, ai de mim!".

Sua agenda social em New York tem jantares fora em certos restaurantes com tanta freqüência que o maître já conhece seus pratos preferidos. Durante uma recente visita a um restaurante chinês, por exemplo, dois pratos - frango com nozes e alho-poró e camarões servidos com Grand Marnier - foram pedidos pelo anfitrião em seu nome.

Carey não é uma mulher que é obcecada por dietas para manter sua imagem sob controle. Seu segredo: moderação - e bons genes. "Eu não sou uma dessas pessoas magrinhas por natureza, mas eu sou naturalmente bonita muscularmente . Se eu comer muito todas as noites, ficarei gorda com qualquer outra pessoa. Mas se eu não gosto de alguma coisa, não vou comer isso." De exercícios, ela faz agachamentos e localizados para perna, de noite, e ocasionalmente ela faz cooper.

O apartamento já está escuro na hora em que Carey volta do subsolo, e enquanto a cantora se acomoda no sofá da sala de estar, ela saboreia uma lembrança recente. "Eu passei a Páscoa neste a apartamento, e foi muito bom. Eu tive convidados, amigos - algumas das pessoas que falamos antes", ela diz com um sorriso que conta. "Não foi estressante, você sabe? Por muito tempo, tudo era uma grande tensão. Eu costumava pensar que isso era uma penitência pelo sucesso." Carey recosta-se, estica os braços, e suspira satisfeita. "Agora eu estou apenas tentando aproveitar minha vida".


InStyle - julho 98
Traduzido por Vany

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