Determinação e trabalho duro de Mariah Carey dão bons resultados no
seu filme de estréia Glitter
Para Mariah Carey, a finalização de Glitter, seu tão esperado filme de
estréia pela 20th Century-Fox, foi um sonho que se realizou. "É um projeto
em que trabalhei muito duro e por um longo tempo para trazer às telas",
diz Carey. "Foi quase uma jornada para mim; cheia de descobertas incríveis
e lições de valor inestimável - e, ultimamente, prazer extraordinário.
Eu olho para o filme agora que está terminado, e só sinto orgulho. É meu
filho".
O ícone pop tem uma boa razão para sentir tal ligação pessoal com Glitter,
uma filme dramático com música que também traz Max Beesley, Tia Texada,
a estrela do rap Da Brat e o famoso artista R&B Eric Benet. Além de estrelar,
Carey é a produtora musical executiva do filme, colaborando com pesos
pesados como o time de produção multiplatina de Jimmy Jam e Terry Lewis.
E a trilha sonora de excelente qualidade - com artistas de sucesso do
hip-hop como Busta Rhymes, DJ Clue e Mystical - batiza seu novo contrato
com a Virgin Records.
"Foi muito importante que eu tivesse esse nível de envolvimento com o
filme", diz Carey. "A música é uma das coisas mais especiais na minha
vida. Seria difícil para mim não entrar na direção musical do filme. Eu
senti uma ligação especial com minha personagem, e eu queria que as
músicas refletissem isso."
Carey terminou Glitter alguns meses antes de ser hospitalizada por exaustão.
Nessa matéria, os detalhes de sua doença não são um assunto para a
discussão pública, uma vez que a artista prefere manter seu foco neste
projeto. Falando antes de tirar uma folga para descansar, ela observa
que Glitter é o mais recente marco em uma carreira que a manteve em
constante movimento. "Eu sempre vivi assim. Isso veio comigo. É uma vida
louca, mas é boa." É também uma vida baseada em interminável apoio dos
fãs. Embora Carey tenha milhões de admiradores em todo o mundo, poucos
são tão ardentes quanto aqueles na comunidade gay. Em um setor governado
por clubes noturnos e divas, Carey há muito tempo está entre as figuras
mais queridas - na maior parte devido ao fato de que ela freqüentemente regrava versões dance de seus singles. [Nota do editor: Numa
edição de 1999 de HX, os DJs mais quentes de New York listaram o remix
de David Morales de "Dreamlover" de Carey junto com "Where Love Lives"
de Alison Limerick como as melhores músicas dance da década.]
"Eu adoro nada mais que entrar num clube noturno e ouvir uma das minhas
músicas saindo das caixas de som", diz a artista. "É uma agitação incrível.
E, é claro, entre os mais importantes clubes - os mais vitais para mostrar
novas e boas músicas - são os clubes gays. Eu sou muito grata pelo apoio
da comunidade gay. Eles mantém garotas como eu vivas e fazendo sucesso."
Embora a personagem de Carey, Billie Frank, termine encontrando o auge
do estrelato na música, é aí onde as similaridades terminam. Passado no
mundo dos clubes noturnos de New York no início dos anos 80, Glitter é
a história de uma jovem cantora que supera uma infância turbulenta e
luta para encontrar sua verdadeira família e sua verdadeira voz. "Quando
nós vemos Billie pela primeira vez, ela está cantando com sua mãe", observa
Carey. "E há essa maravilhosa química entre elas. É meigo, mas também é
muito triste porque sua mãe é uma viciada. Billie termina sendo levada
pelo estado por causa disso. Ela é muito pequena quando isso acontece, e
ela não entende por que sua mãe não volta para ela. Quando ela cresce,
Billie quer entender seu lugar no mundo - e por que ela teve que crescer
se sentindo tão sozinha."
Anos depois, Billie é descoberta por Julian Dice (Beesley), uma carismático
DJ que logo se transforma em seu parceiro, produtor e namorado. Com Dice,
Billie começa uma jornada excitante, mas freqüentemente volátil e incerta.
"Eles têm essa bonita situação de amor", diz Carey. "É uma grande história
de amor nesse respeito. Mas há alguns paralelos entre Dice e a mãe [de Billie].
Ele é um pouco fora de controle."
A partir daí, a platéia vê Billie desejando ardentemente chegar ao estrelato.
"Sua necessidade de fama se origina do seu problema de se sentir abandonada",
diz a cantora. "É uma necessidade intensa que a guia acima de tudo."
O desafio para Carey como atriz novata foi entregar-se a uma história que
está longe da história da sua própria vida. "Também houve uma grande parte
de prazer nesse projeto", ela diz. "Minha música é geralmente uma reflexão
de coisas que eu passei. Fazendo Billie, meu objetivo foi relatar as questões
dela, mas me entregar à idéia de que ela é sua própria entidade. Ela não
sou eu. No final, eu era capaz de encontrar denominadores comuns entre
nós, mas eu também senti que consegui criar a personalidade única e própria
de Billie. Isso foi mais que excitante." Enquanto o mundo verá Glitter como
o mais recente projeto para impulsionar Carey para o auge da carreira, ela
tem um ponto de vista muito diferente. "Eu vejo o filme e o papel de Billie
como uma oportunidade que me foi dada para aprender a usar um instrumento
emocional diferente", ela diz. "Não é sobre ser 'estrela de cinema'. É claro,
eu gostaria que Glitter fizesse sucesso - eu quero promovê-lo comercialmente - mas
para mim, fazer o filme foi mais sobre arte, sobre ser capaz de expressar
outro lado da minha criatividade, além de cantar e compor músicas."
Carey ressalta que ela não resolveu atuar agora. "Eu pensava em trabalhar em filmes
há muito tempo", ela diz. "Houve um ponto onde parecia que trabalhar no cinema não
estava nas cartas. Mas depois de estudar atuação e pensar muito sobre o tipo
de projeto do filme, eu quis me envolver, Glitter parecia ser o certo."
O filme, produzido por Laurence Mark (de Jerry Maguire), também provou
ser atrativo para diretor Vondie Curtis Hall, cujos créditos incluem
Gridlock'd. Ele também é um ator bem conceituado que recebeu elogios por
seu trabalho no seriado da televisão Chicago Hope como também pelos filmes
Bayou e Romeo + Juliet.
"Eu achei que o script tinha uma premissa interessante", ele diz. "Junte
algumas músicas fantásticas e uma grande estrela como Mariah Carey, e o
projeto se tornou irresistível para mim." O primeiro desafio de Curtis Hall
foi encontrar um ator com energia e carisma para combinar com a enorme presença
de Carey. Na leitura inicial que Beesley fez com Carey, ficou claro para
todos que ele era Dice. "A química entre os dois foi passada para nós", lembra-se
o diretor. "Eles pareceram combinar imediatamente. Nós podíamos sentir esta
incrível vibração deles. Foi intenso, e funcionou."
Beesley ficou imediatamente impressionado com Carey. "Uma vez encontrando
e lendo com Mariah, eu descobri que ela é muito generosa. Nós criamos um vínculo, e
permanecemos próximos durante a produção do filme. Eu espero que nosso
respeito e admiração mútua apareçam no trabalho que fizemos juntos."
Ela conclui que "fazer Glitter - desde fazer o filme à criar a música e gravar
a trilha sonora - foi uma das melhores experiências profissionais que já tive. Será
difícil superá-lo. Mas, novamente, eu sempre gostei de um bom desafio! Agora, entretanto,
é maravilhoso sentar e aproveitar a agitação do que eu acredito é o melhor trabalho
que eu podia ter feito. Estou muito orgulhosa."