Mariah Brasil

HipHop

Mais que uma mulher?
É trivial de se relatar, mas é verdade. Em dia um quente e diferente de Setembro em Manhattan, New York, com nenhuma nuvem no céu ou ar puro para respirar, uma borboleta entra pela janela da suíte de hotel reservada para a entrevista coletiva de Mariah Carey. O inseto de cores vivas (laranja e marrom) pousa discordantemente no edifício, apenas para retornar menos de cinco minutos depois. Carey não tem um álbum chamado 'Butterfly (borboleta)'? Não era essa aquela cor e por que está voando perto do hotel dela hoje? Mas esse é o tipo de questão Mariah Carey. Por quê?
Falando estatisticamente, Mariah Carey é um fenômeno. Ela dá grandes números. Ela é oficialmente a cantora de maior vendagem desta, a última década do século. Ela tem 1,70m de altura. Ela tem extensão vocal que excede cinco oitavas. Ela teve um single número um na Billboard em cada ano desde 1990. Ela alisou seu cabelo naturalmente encaracolado, que aumenta o que ela descreve como sua "ambigüidade racial". E se isso não é o suficiente, Carey ainda tem apenas 29 anos.
Infelizmente para Carey, a voz, as vendas, o sucesso estável continua incompreendido na cabeça de muitos. Em vez disso, a pergunta Carey, o 'Por quê?', permanece. Por quê ela está subitamente 'caída' pela black music, depois cantar balada após balada? Por quê ela age tão espalhafatosamente? Por quê ela começou a usar tão poucas roupas? Por quê ela realmente se divorciou de Tommy Mottola? Mais para explicar, por quê ela se casou com ele em primeiro lugar? Por quê ela fez aquela balada religiosa com Whitney Houston e então logo depois lançou seu melhor trabalho mais urbano? Por quê nós nos surpreendemos com aquele clipe de 'Heartbreaker'? Por quê você suspeita que não gosta dela, mas continua interessado e opinando sobre ela?
Hoje, apesar de borboleta, é o dia do 'arco-íris (rainbow)' de Carey aparecer. 'Rainbow' {que segue outros álbuns de título simples 'Emotions', 'Daydream' e 'Butterfly'} irá apagar muitas das suas percepções musicais relacionadas à Mariah, porque é melhor que qualquer coisa que ela tenha feito antes. Melhor no sentido de que é mais de rua, menos açucarado, mais divertido e, bem atual. Isto apareceu como uma pequena surpresa desde que 'Rainbow' é o sexto álbum de estúdio de Carey, seu oitavo no total. 'Rainbow', do ângulo de Mariah, é o seu disco mais livre – é sem restrições porque não é a sua estréia, não foi gravado enquanto ela era recém-casada, casada com o chefe ou recém-divorciada. Ele é o som de Mariah como uma mulher solteira, vivendo com esse novo ajuste e encarregada de sua própria imagem e visão de composição musical. Este é um álbum que todos os artistas merecem, e querem, fazer. Seu próprio álbum. Aquele que eles mais dizem.
'Rainbow' tem aquela juventude de TLC/Destiny's Child e uma conotação de rua vindo de onde ela surge, tem um time de convidados, ícones jovens urbanos – Snoop, Jay-Z, Da Brat, Missy, DJ Clue. Carey se preocupa que a quantidade de convidados possa parecer como desespero. Mas quando ela divide o palco com Usher em 'How Much' sobre um loop de 'Me & My Girlfriend' do 2Pac ou canta nas batidas duplo-tempo de 'Thank God I Found You', uma união de Jam & Lewis que conta com a participação do cantor R&B Joe e a banda americana de rapazes 98 Dregrees, ela não se importa. É quase um remix de Toni Braxton/Foxy Brown. Eles se encaixam. Você irá gostar, assumindo que você atualmente não gosta, de Carey novamente porque você se aproximará dela. Oh, e aqueles números? Eles subirão além do teto.
Mary J Blige foi uma vez acusada pela cantora miss jones de roubar seu som. Mas o último álbum de miss jones estourou no último ano e ela agora apresenta um show numa das rádios negras mais escutadas de New York, Hot 97. Carey foi a convidada desta manhã, para a promoção de 'Heartbreaker' (o primeiro single de 'Rainbow'), cujo impressionante clipe está constantemente na MTV e é muito pedido no Total Request Live (o equivalente nos EUA para o Select na Inglaterra). Quando nos encontramos, Carey estava um pouco desanimada, devido ao fato dela estar "ficando resfriada". Ela toma uma daquelas garrafinhas de Coca-Cola esperando por uma iminente melhora.
Apesar do seu ar resignado inicial, ela parece magnífica. O que é evidente do seu traje – jeans, botas, jaqueta e cabelos despenteados – é que ela não está realmente tentando 'se preocupar com isso'. Ainda, ela tem um ar compulsivo; você quer olhar para ela, se apenas descobrir por quê você nunca notou as maçãs do rosto que iluminam sua face quando ela sorri. Por quê olhos com um brilho de 'menina inocente com maliciosas intenções' trazem vida ao seu rosto. Por quê você não notou o lindo sinal perto de sua boca, uma linda boca que age como caminho para a voz que vende milhões, mas que falando é áspera e baixa, grave e diferente, não como você imaginaria.

Carey tem uma beleza observadora. Você sente que ela está olhando você, olhando ela. Casada com a fama, a conquistadora do vídeo (os olhos para o teto, cabeça recostada, e o pequeno dedo no canto da boca refletida tímida), você volta aos 'por quês?'.
"Estou feliz por ter feito o programa (no rádio) hoje", ela confessa, "mas isso confirmou quanta tolice há por aí, miss jones me perguntou, antes de irmos ao ar, se eu queria falar sobre todos os rumores que andam voando por aí, e eu estava indiferente a isso. Mas o que eu não pude acreditar foi que nós estávamos no ar quando alguém mandou um fax. Este fax estava cheio de citações, afirmando que eu rejeitei uma idéia de fazer uma colaboração com Lauryn Hill. Como eu não quis fazê-la porque isso não iria me beneficiar. Eu digo", ela diz cheia de indignação. "Isso é tudo mentira! Nunca houve conversa sobre uma colaboração. Por quê eu faria uma afirmação para a imprensa sobre isso se houvesse? E por quê alguém inventaria essa mentira? Por quê alguém teria o trabalho de inventar fontes, afirmações, tudo, mandar isso num fax, sabendo que não é verdade e fazendo parecer que eu tive um problema com Lauryn? Eu tenho o maior respeito por Lauryn e me chateia que alguém pensaria que está tudo bem em espalhar que eu estou desmerecendo alguém tão querida".
Ela suspira, "É o que eu digo, eu vou ao ar para falar sobre todas essas bobagens – quem eu estaria namorando, minhas supostas festinhas, minha 'tão falada' nova imagem – e enquanto estou me preocupando em gravar, um fax cheio de mentiras vem para o programa! Você sabe, você apenas sai do estúdio fazendo música – que é o que eu faço – e você tem que enfrentar isso. Essas mentiras...." ela toma um gole de sua Coca, contando suas palavras, coloca a garrafa no móvel e sorri constrangidamente. Maçãs do rosto. "Desculpe. Eu estou pensando comigo mesma." Não, ela não está. Sua exaustão com os tablóides de seu talento simplesmente mostra que Carey tem 'Por quês?' dela mesma. Por quê a mídia se interessa na sua criatividade pós-divórcio e o florescimento estético que ajudou muitos a ignorar seu dom musical e sua importância. Por quê comentários depreciados surgem quando citam seu nome. Por quê ela sente que tem que ter um ponto-de-vista racial como uma artista de raças misturadas. Como a maioria dos artistas negros ela provavelmente terá que morrer antes de conseguir apoio ao seu sucesso que está apenas começando, e como a maioria dos artistas brancos ela sem dúvida terá que tolerar intermináveis matérias de tablóides até que ela mereça apoio.
A maior razão para esse medo é que Mariah Carey incomoda as pessoas. Ela não joga pelas regras. Ela passou seus anos de formação nos olhos públicos, mas não se rendeu à bebida, drogas ou relacionamentos múltiplos. Ela saiu de uma menina de 19 anos com cabelos desajeitados que gesticulava muito enquanto cantava 'Vision Of Love' para uma moça de praia com a 'Olhe aquele busto!' beleza em 'Heartbreaker'. Em resumo, ela fez o que poucos conseguiram – floresceu criativa e visualmente. Ela oscila entre as três diferentes formas do pop e hip-hop, a racial, a social e a monetária. Ela é jovem o suficiente para ter o hip-hop, sábia o suficiente para saber a importância do apelo pop, bonita o suficiente para brincar com seu visual, talentosa o suficiente para não confiar nisso tudo. Ela não deixou a sua voz se tornar regulada por sua base operística.
Ela incomoda qualquer um corretamente. Dignamente. Porque Carey faz o que muitos gostariam de fazer, e vende mais do que qualquer outra mulher no planeta. O feio não pode ficar sexy, os vocais restritos não podem saltar, o hip-hop não pode voltar depois que eles fizeram pop, e os cantores pop não podem entrar no hip-hop. Mas Mariah pode.

"Eu conheço hip-hop. Eu fiquei com ciúmes da Mariah quando ela teve todos eles no vídeo dela. Eu queria estar perto do Puffy". - Brandy

Mariah tornou fácil para muitos outros cantores darem o salto, para casar música urbana e credibilidade enquanto acumula vendas no pop. Ela foi uma das primeiras principais artistas a molhar seu pé na piscina do hip-hop, para testar a água da mesma forma que as crianças mais velhas têm brigas de família, mas os mais novos sempre ganham. Por causa da ambigüidade racial de Carey, ela e sua voz foram facilmente aceitas na corrente principal e quando seu material mais urbano foi lançado e bem sucedido, ela passou a ter um duplo atrativo – pop e urbano, e a antítese sonora entre eles.
Nos últimos anos, Janet, Britney, Cristina Aguilera, All Saints e outros podem agora cantar sobre as batidas do hip-hop, mas tem uma firme base na corrente principal. E isso funciona da outra forma também. Porque Carey retorna ao seio das poderosas baladas de tempos em tempos, e ela deu a Mary J. Blige luz verde para se mover de sua orientação de rua para uma mais pop, grandiosa, mais balada; para fazer o que a cantora realmente queria fazer, cantar como ela queria, sentir que achava certo. É duvidável que as Spice Girls estariam de olho em produtores como Rodney Jerkins ou Jam & Lewis não estavam na reviravolta na percepção que 'Fantasy' de Carey gerou.
'Fantasy' de 1996 foi um trabalho inteligente e audacioso que David Morales mixou para os clubes e Puffy mixou para a rua. ODB, do Wu-Tang - o rapper mais sujo deste lado do Goodie Mob's Gripp – foi o Ying para o Yang de Carey. Isso significou não que nós não acreditássemos em seu convidado rap – "Me and Mariah/Go back like babies on pacifiers..." – porque a sintonia agitou. Ainda agita. 'Fantasy' não foi um veículo de marketing no que diz respeito a Carey. Isso não foi a passagem expressa dela para o gueto.
Ela dá um pouco da frugalidade para aqueles ainda sob a suposição de que ela usou o hip-hop para se 'escurecer', uma vez que seu sucesso já estava assegurado. E ela tem tudo desde que cada um dos seus álbuns contém material urbano que deveria ter sido lançado, mas não foi.
"Por muito tempo eles [a imprensa] formaram a idéia nas mentes dos ouvintes'. Chamando-me de uma diva 'pop' sem ouvir meu trabalho, então quando eu apareço com uma, 'tão falada' [Mariah está particularmente gostando dessa frase], música urbana é como, 'Diva pop fica negra'. Eu quero dizer, não sabem o que dizem."
A fim de compensar o balanço, muito antes do lançamento de 'Fantasy', Carey pediu que mais do seu material R&B fosse lançado.
"Eu me lembro de ter muitas reuniões com minha gravadora sobre lançar mais da ilustração do meu trabalho para mostrar aos fãs quem talvez apenas comprassem singles do que eu sou, especialmente com as baladas indo tão bem. Mas eles pensavam que singles de estilos diferentes poderiam 'confundir' o público. Eu sei como eu sou cercada pela música, mas foi que qualquer um iria acabar com a diva pop."
Essa obrigação foi desanimadora – ser incapaz de declarar e refletir exatamente quem você é.
"É mais que desanimador", ela diz com peso sóbrio, "sair da sua casa para ir até a gravadora para ter reuniões com a mesma pessoa com quem você veio de casa".
Esta é uma das duas referências que Carey faz a Tommy Mottola, seu ex-marido e presidente da sua gravadora, Sony Music. Um ex ator, a ele agradeceram muito no MTV Music Awards há apenas duas semanas, os vencedores de seu selo (Will Smith, Lauryn Hill, Rick Martin) e quem, como Carey, fazem muito sucesso. São nessas ocasiões que Carey, singularmente para um tópico de entrevista, diz mais não dizendo nada.

"Eu não posso tolerar R&B. Isso me faz sentir náuseas. Me enjoa". – RZA

Você sente que a comunidade de rua tem amor por você? "Eu sai com Jaz-Z recentemente", ela revela sobre seu parceiro em uma das duas mixagens de 'Heartbreaker'. "Nós falamos sobre um artigo da Vibe sobre Tupac. Há uma citação lá de um dos caras na Digital Underground que dizia que ele costumava dizer a Tupac para desligar sua fita de 'Vision Of Love' e músicas da Sade e Tupac dizia, 'você não entende'. Jay-Z me disse", ela para de repente, olhando para o ditafone com acentuada atenção. "Eu não sei se eu deveria estar dizendo isso," sua voz se transforma em um sussurro. "Eu tenho certeza de que estará tudo certo, mas eu não sei". Ela cai em um silêncio de contemplação, então olha pra cima, sua decisão foi feita. "Sim, Jay-Z me disse que isso é tudo relativo. Que apenas porque você não faz a música você mesmo não significa que não significa alguma coisa para as pessoas que não parece ouvi-la. Ele me disse que ele estava fazendo um lance e costumava ouvir 'Vision Of Love' o tempo todo, que os outros lá diziam "isso é demais, isso é especial"."
Ela olha para cima, pensando na gravidade do que ela disse sobre Jaz-Z, quem nunca revelou abertamente ter estado na cadeia. "Ele fez uma grande viagem, ele costumava me ouvir, e minha música significava algo quando ele estava enfrentando aquilo..." ela cai no silêncio novamente. "Então sim, eu senti amor."
Rapazes sentem Mariah. Sempre sentiram. Mas um novo tipo de rapaz está caído pela doçura de sua voz. Biggie, na sua ladainha 'Dreams Of Fucking An R&B Bitch', declarou "Mariah Carey/Um pouco assustadora", da mesma forma que os rapazes olham para a Spice Girl Mel B como 'a assustadora', parte intimidação, parte deusa sexy. Fora da sua liga de baixo nível.
Em uma das suas inúmeras entrevistas, Carey disse, mais uma vez, por não dizer nada, que ela não é do tipo namoradeira. Ela não namorava muito nos seus anos de colégio em New York. Depois que ela deixou a educação e gravou suas fitas demo, ela foi a uma festa com a cantora Brenda K Starr em 1988. Starr a apresentou a Mottola e entregou a ele sua fita. Carey saiu da festa antes dele, então na hora em que ele colocou a fita no estereo do seu carro e retornou, ele não a encontrou – quando ele a encontrou, assinou com ela um contrato que a transformou na cantora de maior sucesso da década. Quando eles se casaram em 1993, poucos podiam acreditar nisso. Agora, quando Carey diz que ela esteve envolvida apenas com dois homens – Mottola e o jogador do New York Yankees, Derek Jeter – poucos acreditam. Ela sabe que ninguém acredita nela. O que é bom é que ela não se importa. Mas dada a história, agora segue que você prefere namorar alguém que não seja da industria nem famosa?
"É engraçado... quando você mencionou namorar fãs, eles também podem ser bem sucedidos nas suas próprias áreas que começaram como fãs e você namora eles e você pensa neles e você se preocupa com eles, por eles. Mas eles ainda estão olhando para 'a artista...' Porque eu não ando por aí pensando em mim mesma dessa forma, eu não entendo.
"Veja que eu estava numa situação onde eu estava vulnerável.... quero dizer, eu não sei se você tem essa impressão de mim, mas eu encontro muitas pessoas famosas e muitas delas são como, se estivessem completamente imersas no seu próprio mundo. Eu tento ser real, então é difícil quando você é uma pessoa vulnerável e as pessoas não necessariamente vêem isso; eles podem ser cegos para o que você faz, quem você é... isso depende," ela sorri maliciosamente, "poderia ser um fã".
Luxúria é um bom remédio para vulnerabilidade. Você se permite cair na luxúria? Você se sente liberada o suficiente para agir assim? "Eu posso se eu quiser a minha foto no jornal do dia seguinte..." Você está ciente de que há pessoas sem o que fazer aí fora que não vêem essa viagem – que simplesmente vêem as roupas curtas e, bem, desaparecem no banheiro por uma hora?
Carey cai na gargalhada.
"Eu acho que eu olho pra essas coisas de um ponto de vista mais inocente... eu passei muito tempo estando fora de contato com a minha sexualidade de várias formas. Eu tenho fotos minhas aos seis anos posando de biquíni na praia. Eu não sei quem diabos eu pensei que eu era mas eu tirei a foto então minha tendência natural tem sido deixar isso pra lá e vestir roupas curtas e coisas do tipo desde que eu era criança... isso foi apenas se suavizando. Mas eu não penso, 'Oh, pervertidos vão olhar pra isso e ter uma... que seja.. mas agora que você está me dizendo isso, eu me sinto pior. Obrigada!"

"É muito importante que nós falemos algo de valor. Ou não falemos nada". – Curtis Mayfield

Está ficando tarde. Apesar de Carey ser forte – uma pessoa espirituosa, na verdade preocupada com o invidual – ela tem um dia longo pela frente e toda a Coca-Cola que ela puder digerir. Mas ela também tem algo para tirar de seu peito.
"Eu fiz uma matéria para a revista Interview, um dos 20 mais importantes artistas ou qualquer coisa. Meu amigo e eu vimos quando foi publicada. Eu estava feliz com isso, mas eu olhei os créditos próximos à matéria. Onde dizia 'Mariah Carey: cantora'. Na próxima página tinha Mary J Blige: cantora/compositora. Na página depois dessa tinha Puffy: rapper, empresário, estrela pop. Jewel: poetiza, cantora, blá blá blá... Eu fiquei: 'você sabe o que? Quantos álbuns eu tenho escrever cada música nele para receber algum crédito?' E eu não sei se é porque as pessoas me vêem como essa cantora com uma grande extensão vocal e a maioria dessas pessoas tendem a não escrever suas músicas e eles não querem reconhecer isso..."
Há poucas cantoras com a extensão de Carey, bem sucedida e jovem que escreve tantas músicas quanto ela faz. Muito foi feito da propensão de Lauryn Hill e Erykah Badu para escrever tão bem como elas cantam. Olhe as notas gravadas para outras cantoras, contudo, e a maior parte não é tão amplamente capaz. Mas é. Isso faz sentido desde que ela escreve 95 por cento do seu material. Mas poucos sabem que Carey é uma artista muito produtiva que lança álbuns instintivamente, ao invés de com atraso, diz, de Whitney Houston (oito anos) ou Janet Jackson (três). Ainda preso àqueles 'Por quês?'.
A mãe de Carey é irlandesa e separada do pai venezuelano, mas uma vez que ela faz sucesso na corrente principal da música, ao invés de conseguir mais apoio da sua eloqüência lírica , ela se encontrou sob pressão para se declarar negra. Ela corretamente constatou que fazer isso seria apagar a viabilidade de sua mãe em sua vida. Agora, com a última sedução da mídia com a vasta mistura racial da América, isto é, a explosão 'latina', a atenção foi mudada. Mas Carey ainda sente os ferimentos.
"Eu acho que ser misturada é um pouco mais aceito na Europa, eu não sei, eu posso estar errada. Mas eu sei que se você é metade chinês, metade italiano, permitem que você seja metade chinês, metade italiano, mas se você é metade negro e branco ou metade espânico e branco na América, não permitem que você seja o que você é: ambos. Isso é, na verdade, o mais racista dos pensamentos e que volta aos dias de escravidão quando eles vieram com a Teoria Uma Gota [que uma gota de sangue afrocêntrico já transforma a pessoa em negra e consequentemente um escravo – Ed.]. Isso é o que eu sinto de bom sobre a minha contribuição. Se eu não tivesse feito nada mais como artista eu sinto que pelo menos as pessoas saberiam o que passei. Eles tem alguém que eles podem olhar e dizer, 'Você sabe que eu posso fazer isso também. Eu estou bem.' Mas eu não tive isso. Muitas das crianças de raças misturadas me escrevem e dizem, 'você me fez sentir que está certo para alguém misturado ser bem sucedido na vida'... Talvez essa seja minha missão.
"Felizmente eu penso, eu espero, que as pessoas entendam que isto é a música que eu amo e eu amo todos os tipos de música e eu tentei integrar muitas coisas diferentes neste álbum. Eu tive muitas colaborações nele, mas isso não sou eu tentando entrar na cena hip hop... eu co-produzi todo o meu próprio trabalho. Eu trabalho com um produtor no estúdio quando estou cantando, mas é isso. Prince está me dizendo que ele pode me ensinar como operar um estúdio inteiro. Eu sei como colocar os vocais se eu estiver produzindo outra pessoa, mas eu não sei como fazer para mim mesma. De qualquer forma, co-produção é a única forma de eu poder incorporar todos os estilos com os quais eu queria trabalhar neste LP.
"Vamos dizer que exista uma cantora que não é uma compositora ou produtora e cante com todas as pessoas com quem eu trabalhei no álbum, e trabalhou com todos os estilos que eu tenho no álbum – isso iria soar como se não combinasse. Eu sei como juntar os sons porque os sons estão em mim. Este é o arco-íris inteiro – as diferentes cores da música, a música que eu gosto, as cores da minha voz; isso tem conotações raciais para mim. Uma combinação." 'Rainbow' foi lançado pela Columbia. Um novo single, 'Thank God I Found You' (com Joe e 98Degrees), será lançado no início de Dezembro

Arquivo Fantasy
Antes de sua carreira decolar, Carey fez 500 horas de escola de beleza. Ela ainda pratica alguns truques que ela aprendeu até hoje...
Comida Carey diz que ela não é muito obcecada com sua dieta, mas a comida que ela pede nos bastidores dos shows mostra seu cuidado com o peso. Junto com duas garrafas geladas de Cristal, ela geralmente pede Quaker fat Free Apple Cinnamon Rice Cakes e Guiltless Gourmet Baked Not Fried Tortila Chips.
Exercícios Ela às vezes nada, usa um step e uma bicicleta ergométrica.
Cigarros? Definitivamente não: "Eu fumava na escola, mas minha voz não suporta isso."
Nunca sem Claritin, lápis labial Spice MAC, gloss para lábios, lenços de limpeza.
Regimento de beleza odiado Eletrolise. "Eu tenho essa cadeira especial na minha casa para face e tratamentos de eletrolise. Não é divertido, mas funciona."

Número$ Gordo$
Fato! Mariah Carey teve mais sucessos número um do que qualquer um desde os Beatles – suas vendas atuais no mundo inteiro estão estimadas em 120 milhões
'Mariah Carey' (1990) – 12 milhões
'Emotions' (1991) – 9 milhões
'Music Box' (1994) – 24 milhões
'Merry Christmas' (1994) – 9 milhões
'Daydream' (1995) – 10 milhões
'Butterfly' (1997) – 12 milhões
'Rainbow' (1999) - ???

A urbanização de Mariah
Que urbanização?
Ela sempre esteve lá...
Muita da contrariedade entre cantores e músicos, é que a indústria da música usa categorias para definir seus artistas e seu trabalho. De contemporâneo adulto, pop e urbano ao country, do rock ao latino. Na cabeça de muitos, procurar por material urbano no trabalho de Mariah Carey é como um cavalo, 'Fantasy' – lidera a corrida. Mas olhando dentro das melodias do catálogo de Carey aparece uma consistência, ainda que sutil, de uma artista que fez grandes vocais com um número de categorias...
Seu álbum de estréia 'Mariah Carey' (gravado quando ela tinha 18) reflete o calor, mas tons poderosos de sua voz e como sua carreira, musicalmente falando, podia ter ido em qualquer direção. Sua principal gravação 'Vision Of Love' – um sucesso mundial tanto quando uma grande gravação – a transformou numa instantânea estrela do contemporâneo adulto e pop, mas a percepção da 'urbanização' começa aqui também. 'Vision...' abriu com uma suavidade gospel ,enquanto 'Sent From Up Above' foi um sucesso nas rádios piratas inglesas – uma acessível, excelente melodia R&B com um ar alegre, naquele tipo Stephanie Mills.
O próximo lançamento de Carey também voltado para o pop, soul, suave, cheio de energia e dançante embora todos vocês se lembrem bem dos grandes sucessos. Como na sua estréia, com 'Emotions' há fatias iguais de um bolo urbano como também contemporâneo adulto e pop – isso inclui colaborações com Luther Vandross e Brian Mcknight que ela não teve que fazer, uma vez que ela já tinha um sucesso estável. No seu terceiro álbum, 'Music Box', dominado por seu sucesso co-escrito com Jermaine Dupri, 'Dream Lover' e a balada 'Hero', junta-se 'Anytime You Need A friend' que como 'Vision...' possui uma nítida inflexão gospel e outra oferta pop soul, 'I've Been Thinking About You' – uma colaboração com C&C Music Factory.
Lançado em 1995, 'Daydream', Mariah teve o equilíbrio do urbano e contemporâneo adulto igualmente cobertos. Suas baladas – como 'One Sweet Day', com Boyz II Men – foram evidentes, como foi a doçura das ruas de faixas como 'Always be My Baby', Mas há também a tranqüila 'Underneath The Stars', que tem o pedigree de um soul clássico. Mas a música dominante é sem dúvida 'Fantasy', que unifica os sons das discotecas, cheios de energia e arranjos vocais profundos com que Carey esteve flertando desde sua estréia.
Em 1997, 'Butterfly', o primeiro single 'Honey' vem do DNA do passado musical de Carey, mas por causa da produção de Sean 'Puffy' Combs. 'Honey' literalmente pega os arranjos do passado – com loop de 'The Body Rock' do Treacherous 3. O que é também surpreendente para muitos é a contribuição de The Ummah. 'Butterfly', apesar da faixa título, é um álbum urbano. O trabalho impresso mostra Carey na sua postura padrão, mas faixas como a melodiosa e surpreendente 'Breakdown' (com Bone Thugs-N-Harmony) e 'The Roof' (com loop de 'Shook Ones' de Mobb Deep) mostram o progresso feito.
Se você está mais inclinado a notar Carey visualmente, 'Rainbow' com seus convidados e afiliações fortes de rádios urbanas, irá parecer um salto gigantesco. Mas se você ouvir além dos sucessos e reconhecer que Carey sempre foi mais eclética do que foi creditado a ela, 'Rainbow' é um bom lugar para começar a acreditar. E quando você olhar para as suas colaborações passadas: Da Brat, ODB, Puffy, Brian Mcknight, Babyface, Kelly Price,Trey Lorenz, Bone Thugs-N-Harmony, Luther Vandross, Dru Hill... bem dificilmente Celine Dion e Cliff Richard, estarão aí, não?

Hip Hop – Dez 99
Traduzido por Vany

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