Mariah Brasil

Blues&Soul

MARIAH CAREY – Por trás do Arco-Íris
A indiscutível rainha da Sony está lançando seu novo álbum "Rainbow" que evidência alguns aspectos muito pessoais da sua viagem de montanha-russa até o estrelato.
Jeff Lorenz ouvi uma mulher muito pensativa.

"Quando você está envolvida em situações onde você é muito jovem e você está cercada por pessoas mais velhas, mais fortes e poderosas que estão mancomunados entre eles, você pensa que você é muito fraca – mas você não é! Até que alguém venha a você e diga que você não é fraca, você não vê a não ser que que você seja um desses tipo precoce que já sabe. Não é que eu não sabia com o que estava contribuindo, é apenas que eu sentia medo, estava assustada e insegura, e apavorada em muitos sentidos, e ninguém realmente me deu poderes."
Eu estou falando com uma Mariah Carey gripada, com frio, numa recostada numa poltrona, vestindo jeans e uma camiseta preta (sim, sim, eu sei!) numa suite luxuosa no Peninsular Hotel na 5ª Avenida, a um quarteirão da sua gravadora, Sony está localizada na Avenida Madison. Embora lendo as entrelinhas durante minha entrevista com a Srta. Carey, possa parecer que a uma vez "Rainha da Sony" agora alimente apenas relacionamentos a longa distância com a sua gravadora. Seu último álbum "Rainbow" (seu sexto álbum de estúdio, não incluindo projetos MTV ao vivo, especial de Natal e Maiores Sucessos). Apesar do seu status como a artista de maior vendagem dos anos 90, parece dificilmente estar na base de lançamento dos antigos lançamentos.
Talvez seja por isso que Carey pareça ter um orgulho particular em me dizer que seu último single, a divertida "Heartbreaker" com aquela cena de 'luta livre no banheiro', é o clipe mais pedido na MTV.
"Eu não discuti isso com a gravadora", ela diz do vídeo. "Nós apenas fizemos e eles ficaram provavelmente muito surpresos." Poderia parecer que com "Rainbow", talvez, mais do que com qualquer outro de seus álbuns (então titulado porque o álbum está tematicamente centralizado na metáfora de céus azuis após a tempestade), Carey pôde fazer o que ela quisesse. "Costumava ser que cada pequena coisa que eu fazia era o principal grupo de discussão. Agora eu faço o que quero e o que eu penso que é certo para mim. Sony se encontrou numa posição de ter que confiar no meu julgamento porque neste ponto na minha carreira, meus instintos estavam com tudo."
Até mesmo o parceiro de muito tempo de composições, Walter Afanasief, de repente se tornou indisponível para aquecer as usuais baladas poderosas de Carey, forçando ela a procurar em outro lugar.
"Ele estava ocupado fazendo outras coisas!", ela diz com aqueles delicados olhos enquanto ao mesmo tempo passa um pouco de brilho nos lábios e aquece mais ainda as minhas já quentes fantasias, quando pergunto sobre a falta de tempo de Afanasief: "eu na verdade estou feliz porque tive a chance de trabalhar com Jimmy (Jam) & Terry (Lewis) e David (Foster) porque eles adicionaram uma dimensão diferente musicalmente. Uma balada antigamente se tornaria muito grandiosa", ela diz como uma crítica disfarçada a Afanasief, "mas esses caras as manteram musical e grande, mas ainda com raízes R&B. Eles conseguiram a sutileza que eu queria fazer. Não existe egoísmo sobre isso. Foi tudo amor a música, o que foi ótimo e um ambiente maravilhoso para criar música que eu senti por muito tempo que nas baladas de sucesso que eu gravava sempre havia este desejo de alcançar o mesmo sentimento que foi criado para grandes sucessos como "On Bended Knee" (BoyzIIMen) o qual foi lançado na mesma época que "One Sweet Day".
Além de Jam & Lewis, Carey também se juntou novamente com Jermaine Dupri em "How Much" (com Usher) e o atualmente em alta, Kevin 'She'kspere' Briggs (TLC, Destiny´s Child) na contagiante e típica dele, "X-Girlfriend". A mestre em fazer baladas, Diane Warren também ajudou na desafiadora, "Can't Take That Away (Mariah's Theme) e a dramática "After Tonight".
"Nós tempos nossos estilos próprios e diferentes", Carey diz sobre trabalhar com Warren. "Sua vontade é às vezes o exato oposto do que eu quero fazer e eu fico numa posição de ser forçada a dizer 'Não Diane, eu odeio esse tipo de coisa, isso não é pra mim!' Ela fica obcecada com sua música e suas letras e novamente, de vez em quando eu serei forçada a dizer a ela 'Não Diane, nós dissemos essa palavra duas linhas atrás, não podemos usar de novo'. Entretanto, Diane e eu temos um bom relacionamento e logo, eu posso ser completamente honesta com ela. Ela é muito legal, divertida, talentosa e única."
A música pessoal mais óbvia no álbum para Carey é obscura e autobiográfica "Petals". Eu freqüentemente me perguntava se já/Houve uma família perfeita/Eu sempre desejei por união/E procurei por estabilidade". E depois "Eu fui atraída por um patriarca/Tão jovem como poderia ser esperado/Eu estava resignada a passar minha vida/Com um labirinto de tormento." "Eu não posso dizer exatamente o que isso significa porque é muito pessoal", ela admite. "A razão por que eu coloquei o título de "Petals" (Pétalas) é porque ela é sobre relacionamentos que agora são equilibrados e eu não acho que poderia voltar atrás de algum modo. É sobre partes da minha vida que agora se foram. Então ela leva a "Rainbow" (Arco-Íris) que é uma parte cheia de esperança e otimismo, e então a "Thank God..." que é feliz e realizada. "Petals" foi a última música que eu gravei para o álbum", eça continua. "A ponte após o refrão se refere a minha raiva com aquelas pessoas que me viram no estado anterior, mas eu deixei pra lá. Existem pessoas que supostamente estavam próximas a mim, mas eles ficaram com medo de dizer nada. ("Muitos que eu considerava/Mais próximos de mim/Dependiam de centavos e me venderam/Cheia de obrigações/Embora esta faca estivesse cortando/Em mim/Eles se recusaram a ver e/Foram para casa dormir...). Existem pessoas a quem eu queria dizer certas coisas e eu espero que elas ouçam isso e entendam em vários sentidos."
O espírito independente de "Rainbow" é mostrado pelo fato de que ele marca o primeiro álbum que Carey gravou não apenas fora de New York (ela atualmente tem uma casa em Tribeca, centro de NYC), mas também fora dos EUA, com sendo gravados na idílica ilha de Capri, Itália.
"Eu fui para lá porque eu nunca consegui fazer isso nesse período do tempo", ela explica. "Meu pager, meu telefone, nunca foram desligados, as pessoas vinham falar comigo. Capri era tão limpa e bonita para minha voz. Isso me ajudou a ficar numa grande forma vocal. Eu preciso estar longe da poluição. Eu basicamente dormia no estúdio. Eu tinha uma cama e café-da-manhã numa parte separada e então eu ia e gravava, ou às vezes ia descansar num barco, nadar por algumas horas. Foi uma grande combinação de trabalho e relaxamento. As pessoas da cidade e os donos de lojas foram todos muito legais. Eles diziam (adota um acento italiano) 'Ei Mariah, ciao Mariah'. Você não podia pegar um taxi em qualquer lugar. Você tinha que caminhar, então foi uma experiência saudável também." O cover obrigatório vem com o sucesso dos anos 80 de Phil Collins, "Against All Odds", com produção de Jam & Lewis e Carey deixando as portas de voz abertas.
"Eu decidi fazer o cover no caminho para a gravação do clipe "Heartbreaker", ela explica. "Meu último cover foi um pouco mais obscuro – "The Beautiful Ones" de The Artist. "Against All Odds" me traz de volta memórias específicas do meu crescimento e o parque onde eu costumava passear. Então recentemente um amigo meu estava passando por um momento muito emocional. Eles perderam alguém muito próximo a eles. Quando eu falei com Jimmy e Terry sobre isso, eles acharam que era uma grande idéia e nós todos achamos que devíamos manter a música bem próxima da original." Muita especulação foi feita sobre esse poder ser o último álbum de Carey pela Sony. Sua taxa de lançamentos, desde a estréia no início da década tem decididamente um magnífico significado. Nove álbuns em nove anos realmente é mais que um exemplo para alguém do seu valor.
Se ela agora cumpriu as obrigações especificadas no seu contrato e vai pegar o caminho contrário, ainda não foi decidido, entretanto, em conversas ela faz pouco para mascarar a tendência.
"Minha situação é muito mais complexa e única por causa do aspecto pessoal do que costumava estar (Mariah foi casada com o chefe da Sony, Tommy Mottola), então eu tenho que fazer o que faço e fazer isso com o melhor da minha habilidade." Ela diz da sua atual relação com sua gravadora. "Eu sei que existem muitas pessoas lá em cima que ainda trabalham muito, muito, muito por mim e eu ainda tenho um bom relacionamento com elas, então eu faço o que faço e confio nos meus instintos, e meu desejo de me divertir e me expressar numa música como "Petals" ou "Can´t Take That Away".
Diferente dos trabalhos anteriores, nos anos recentes, os álbuns de Carey tem tendido a ser cheio de colaborações com os mais famosos artistas e produtores contemporâneos. (Master P, Snoop, Usher, Jermaine Dupri, Joe, 98 Degrees, Jay-Z, Da Brat, Missy estão todos no novo projeto). De fato, ela parece fazer isso seu negócio e mantê-lo de acordo com o novo Hip-Hop e R&B.
"Meu disco preferido no momento é 'So Anxious' de Ginuwine", ela me informa. "Eu só quero sair e comprá-lo". "Você comprá-lo!", eu respondo surpreso. "Alguém não poderia dá-lo a você? Quero dizer, ele foi lançado pela Sony através da Epic 550".
"Oh sério! Bem, eles não me deram nada!"
Dadas suas tendências de vicio em trabalhar, não é surpresa descobrir que Carey já está planejando voltar ao estúdio para gravar seu próximo álbum, a trilha sonora do seu filme de estréia, "All That Glitters".
"O filme se passa em 80-81 e agora que eu tenho experiência em trabalhar com Jimmy e Terry, eles vão ser produtores executivos comigo", ela revela. "É ótimo porque eles tem todos aqueles sons antigos, então será um som autentico. Eu já falei com alguns artistas daquela época como Rick James. Na verdade há uma referência a ele no meu filme e nós provavelmente vamos escrever algumas músicas juntos também porque isso é minha infância e aquelas foram músicas que me inspiraram a seguir minha carreira de cantora".
Mariah Carey gravando com o original Super Freak em pessoa! Bem, eu nunca!
"Meu novo lema", ela declara com um senso de liberação "é que como nada disso realmente importa, apenas se divertir e aproveitar a vida em qualquer nível que você se encontre!"
Uma filosófica Mariah Carey – agora há um pensamento.

Blues&Soul – Nov 99
traduzido por Vany


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