Muitas celebridades, quando vocês as encontra, são desapontadoramente pequenas. Mariah Carey é quase o oposto. Um mulher forte de um metro e setenta em cima de stilettos, com grandes olhos cor de chocolate, cabelos compridos e curvas do tipo de parar-o-trânsito que Blender pode descrever apenas como escrita da caneta de Deus, a estrela mais cara da história é um mulherão.
Ela entra no restaurante chinês em Manhattan apenas quinze minutos depois do combinado (um piscar de olhos no horário de uma diva) como uma estrela - mas não assustada. Brilhantes de dez centímetros e acessórios de diamante? Sim. Mas junto com uma blusa preta e um jeans apertado. Assistentes? Sim. Entretanto, inclui dois jovens adolescentes, e a mulher excede o número de homens três para um. Como é de se esperar. O cabelo de Carey é grande e cacheado. Mas o sorriso dela é maior e mais bonito.
Ela está usando um broche brilhante de borboleta logo acima do bolso do seu jeans. O broche é muito Mariah: diamantes genuínos, mas o estilo sugere "compra em shopping". Apesar das suas incursões no hip-hop e sua reputação de diva, Carey, de 32 anos, sempre foi mais simples do que de grife, uma superestrela suburbana, uma adorável moça de Long Island. Uma garota sensual, mas não sexual. "Oh, não", ela diz. "Eu gosto de flertar e gosto de me vestir. Para mim, roupas são como brincadeira. Eu deveria ainda brincar com Barbie. Só quero me divertir. Alguém mais faz coisas por diversão?"
Carey ri, como ela faz fácil e freqüentemente, e joga suas mãos em largos gestos. "Você bebe vinho?" ela pergunta a Blender numa voz suave para não dizer melosa. "Podemos pedir uma garrafa de Pinot Grigio?"
Podemos. Infelizmente, a maior parte dela será bebida pelo pessoal de Carey. Blender encontra a rapper Da Brat, usando um boné de basebol e um medalhão do tamanho de um prato, e aprende que os adolescentes são a cantora Isabel Gomes, 13, e o rapper Young Nae Nae, 14, potenciais artistas do novo selo de Carey, MonarC (que só tem uma artista contratada Mariah Carey). Gomes e Nae Nae se apresentaram no show de novos artistas. "Eu queria que vocês meninos viessem aqui e tivessem esse momento de celebração", Carey diz, sorrindo "porque a pior coisa é não ter momentos de celebração. Então..." - levanto o copo - "tim-tim"!
A benevolente chefe gostaria de ficar e festejar com seus protegidos, mas ela tem outro trabalho para fazer: que um rainha pop muito trabalhadora conhece, de experiências passadas, a importância da promoção.
Ela e Blender andam pelo salão principal do restaurante. As pessoas que estão jantando olham para ela, falando com ela enquanto ela passa. Ela se mostra infalivelmente gentil, perguntando a uma menina, "Já encontrei você antes? Você parece exatamente com alguém que conheço", e assinando um autógrafo para um garçom.
Para uma tão chamada diva, ela tem amáveis modos. "Se nós não estivermos fazendo um entrevista, eu não falaria de mim o tempo todo", ela diz. "Eu perguntaria 'E com você, tudo bem?'".
PARA SER HONESTA, Blender está tanto desapontada quanto encantada com a aparente normalidade de Carey. Desapontada porque nós tínhamos uma ponta de esperança de que fosse chegar como uma seleção de animais peludos e uma atitude (grande cópia!): encantada porque Carey é perfeitamente capaz de dizer uma seqüência coerente. Qualquer um que tenha testemunhado sua performance no MTV Cribs no ano passado - mostrando seus quartos-closets como uma alienada e solitária dona-de-casa - pensaria se existe realmente alguma coisa atrás daqueles olhos brilhantes.
Dois mil e um foi o ano em que Mariah Carey caiu - splat! - do seu pedestal. Por toda a última década, ela pareceu inacessível - uma superestrela desde o momento em que ela estourou nas paradas em 1990, com apenas 20 anos de idade, com a música "Vision of Love" escrita por ela mesma. Seu álbum de estréia, Mariah Carey, vendeu 9 milhões de cópias, produzindo quatro sucessos número 1. Nos dez anos seguintes, ela vendeu 150 milhões de discos no total, tendo mais sucessos número 1 do que qualquer um, exceto os Beatles e Elvis Presley. Atualmente, sua voz cinco-oitavas é tão familiar quanto a da sua mãe, e seu estilo vocal eclético é muito copiado, não menos que por todas as aspirantes a cantora do programa American Idol.
Inicialmente, cépticos atribuíram o sucesso arrebatador de Carey ao seu então marido, homem todo poderoso da Sony Music, Tommy Mottola, com quem ela se casou em 1993. Mottola, 20 anos mais velho que ela, certamente teve uma mão excessivamente guiadora - alguns diriam controladora - na vida da sua jovem esposa, até o ponto de fazê-la mudar de seus vestidos curtos para roupas menos reveladoras. Mas quando eles se separam, em 1997, Carey encarou a separação aparentemente sem problemas; lançando Butterfly, seguido por Rainbow em 1999 e preenchendo seu contrato com a coleção de sucessos #1's. Ela namorou o jogador do New York Yankees, Derek Jeter e o cantor latino-americano Luis Miguel.
Em 2001, ela saiu da Sony e assinou um grande contrato com a Virgin, de 80 milhões por quatro álbuns começando pelo lançamento de Glitter, a trilha sonora do filme de mesmo nome no estilo dos anos 80, que apresentaria ela atuando numa história baseada em sua vida. Mas durante o verão, antes do lançamento do CD e do filme, Carey começou a sucumbir.
Ela terminou seu relacionamento "muito sério" com Miguel. Ela agiu estranhamente na TV, a mais memorável foi no programa Total Request Live da MTV, no qual ela impediu o apresentador Carson Daly de chamar o intervalo comercial e fez um estranho monólogo sobre sorvete. Depois ela anunciou que era invisível e que Marilyn Monroe estava falando com ela através do piano dela. Ela deixou mensagens esquisitas e tristes no seu Web site: "O que eu gostaria de fazer é tirar uma pequena folga ou apenas ter uma noite de sono sem alguém ligando sobre um vídeo ou outra coisa".
Manchetes inflamadas: Ela quebrou seu quarto de hotel no Tribeca Grand Hotel em New York; ela foi levada para o hospital North Western em Westchester Country, New York, com braços enfaixados; ela saiu para lanchar vestida de Mulher-Maravilha; ela entrou na reabilitação duas vezes, em Connecticut e em Los Angeles. De repente, era difícil encontrar uma reportagem sobre Carey onde a palavra 'problema' não aparecesse antes do nome dela.
Os eventos seguintes se aproximaram de um pesadelo: Glitter, o filme, foi um fracasso de bilheteria, custando 2 milhões e arrecadando apenas 5 milhões. Glitter, o LP, chegou às lojas no pior dia de todos para o lançamento de qualquer coisa: 11 de setembro de 2001. Embora tenha sido disco de platina, foi amplamente taxado como fracasso, e em janeiro de 2002, a Virgin rescindiu o contrato dela, pagando-a 28 milhões - além dos 21 milhões que ela já havia recebido. Financeiramente, ela estava muito bem, mas criativamente e emocionalmente, Carey parecia estar no chão.
Em maio de 2002, ela silenciosamente assinou contrato com a Island Def Jam, que deu a ela 20 milhões por quatro álbuns e mais o seu próprio selo. Charmbracelet é o resultado, gravado em um pouco mais de seis meses em Capri, Bahamas e Estados Unidos. "Tem o nome de Charmbracelet porque pingentes (charm) são como pedaços de você que você passa para outra pessoa, como uma música", ela explica. O álbum é o retorno de Carey à sua antiga e melhor forma. Mas não há nada para assustar seus fãs mais fiéis: há algumas baladas, incluindo o single "Through The Rain"; duas faixas quase urbanas com a participação de Jay-Z e Cam'ron; uma faixa de estilo latino; uma com o tom Gospel. Carey voltou para produtores renomados: Jimmy Jam & Terry Lewis, Randy Jack e Jermaine Dupri. O tema principal é o amor; amor terminado; amor desejado; amor a Deus.
Uma faixa, "Clown", parece ser sobre Eminem - com quem ela supostamente teve um romance no ano passado - onde as letras dizem "I should had left it at (Eu deveria ter deixado no)/ I like your music too (gosto da sua música também)" e "You should have never said we're lovers (Você nunca deveria ter dito que fomos amantes)/ when you know we never even touched each other (quando você sabe que nós nunca nem nos tocamos)". A música também faz referência à "Superman", umas das faixas no álbum The Eminem Show que menciona Carey (a outra é "When The Music Stops"). Nenhuma das duas é uma música de amor, para não dizer o pior. ("Superman" fala mal de todas as mulheres da vida de Mathers e inclui a linha "Am I too nice? Buy you ice Bitch if you died (Sou bonzinho? Compro gelo para você Vagabunda se você morresse)/ Wouldn't buy you life (Não compraria sua vida)/ What you tryin'to be, my new wife? What you Mariah? (o que você está tentando ser, minha nova esposa? É Mariah?)").
Mas quando Blender presume que "Clown (Palhaço)" é sobre falastrão de Detroit, Carey ri.
"Não, nós não podemos presumir isso", ela diz. "Com todos os palhaços que já cruzaram a minha vida, como poderia direcionar a música só para um?" Ele fui rude sobre você, entretanto.
"Para ele, não acho que ele foi tão rude assim. Para ele isso foi suave".
Carey balança os ombros e joga o cabelo para trás. Assunto encerrado - mas apenas no momento, como iremos ver. Nós continuamos nos eventos de 2001. Embora num ponto ela suspire - "Isso é tão o ano passado" - Carey claramente tomou a decisão de contar o lado dela da história, de esclarecer as coisas. Ela começa uma explicação que dura uma boa parte de uma hora. Sente-se para ouvir a história de uma vida de borboleta.
"FOI UM efeito dominó desde o começo", Carey diz. Eu comecei quando era adolescente. Eu estava totalmente quebrada; vivia sozinha desde os 16, trabalhando muito duro. Eu trabalhava num restaurante até 1 da manhã, dormia algumas horas e começava de novo. Eu sempre fui muito trabalhadora. Mas quando os executivos das gravadoras vêem esse tipo de agenda de trabalho, eles aproveitam isso. E eles te usam até você estar completamente sugada."
A forma com que Carey conta, uma vez que Sony estabeleceu cedo que ela era capaz de tornar-se um produto de alta qualidade de demanda, isso se tornou a rotina de vida dela. Ela estala os dedos - "Outro álbum, outro álbum, outro álbum" - para ilustrar seu ponto. Quando ela e Mottola se separaram, a pressão não diminuiu e sem ficou mais intensa - ela ainda era contratada da Sony, mas "mas o apoio era diferente em termos da posição da companhia", como ela diz. Além disso, ela realmente queria provar que ela poderia ser bem sucedida sem seu marido.
Isso foi mais difícil do que ela poderia imaginar. Ela sentia que não podia confiar em ninguém, porque, embora ela não dirá isso explicitamente, as influências de Mottola alcançam todos os cantos da indústria. Então ela montou sua própria companhia de empresários e produção, empregando apenas pessoas em quem ela confiava, mesmo que fossem inexperientes. “Isso não é cirurgia cerebral”, ela diz.
Em 1997, Carey lançou Butterfly. Ela estava feliz. Ela fez o vídeo “Honey” se divertindo com Jet Skis e com P. Diddy e Mase. “Essa sou eu, a contente garota brincando na praia com o cachorro”, ela relembra. “Se eu pudesse eternamente ser assim, eu seria feliz. Não usando uma roupa abotoada até o pescoço; não sou assim. Mas isso mostrava minha voz no início, então estava tudo bem.”
Essa última sentença é típica de Carey. Sempre que ela pronuncia até mesmo a menor crítica, ela a qualifica. Ela seguiu seu comentário sobre sugar artistas até o fim com “... mas esse é apenas o mundo da indústria”. Quando Blender fala sobre uma história sobre seu sofrimento que foi publicada no New York Post, ela explode - “Neste ponto, na minha opinião, qualquer jornal é um poço de mentiras!” - e então sem tomar fôlego, ela continua: “Na maior parte, quero dizer. Nenhuma ofensa ao Post ou qualquer outro jornal”.
Ela não quer problemas. Ela só quer que tudo fique bem. O que ajuda a explicar por quê, quando ela saiu da Sony, ela fez de tudo para agradar a Virgin. Ela estava trabalhando em dois filmes - o recentemente lançado Wisegirls (pelo qual ela recebeu ótimas críticas) e também em Glitter - ela teve apenas quatro semanas para gravar o álbum Glitter.
“Eu estava num lugar novo, esperando que as coisas funcionassem como um relógio”, ela diz, “e quando elas não funcionaram, eu tentei compensar tudo sozinha. De 14-15 horas de trabalho por dia para 22 horas. Eu estava me levando para o fundo do poço. Não comia direito, trabalhando até o fim.”
“Eu estava realmente exausta. Fui fazer uma aparição numa loja, e alguém me disse que um DJ estava falando mal de mim no rádio, dizendo que eu parecia gorda - mas eles me disseram isso um minuto antes que eu saísse e ficasse frente a frente com centenas de fotógrafos e jornalistas. Então eu fiquei lá e comecei falar todas aquelas coisas felizes para que eu não parecesse brava na câmera. Eu havia dormido uma hora, e minha assessora tomou o microfone de mim. Poxa, eu poderia ter terminado a minha frase. Ela estava errada ao fazer isso - embora eu a adore ”.
A partir daí, as coisas rapidamente desmoronaram.
“Eu cheguei ao ponto onde apenas me cansei de voar pelo mundo e não comer, nem dormir, e meu corpo apenas desligou. Eu nunca digo não para nada, e recebi esse telefonema dizendo ‘nós precisamos fazer um vídeo’ e eu disse, ‘não posso fazer isso; tenho que cancelar’”.
“Mas ninguém aceitaria essa resposta - eles praticamente me caçaram. E eu fugi, ia para qualquer lugar que podia. Eu fiquei na casa de um amigo no Brooklyn por um tempo, e acabei indo para a casa da minha mãe e desmaiando, e minha mãe ligou para a emergência. Eu pensei, ‘Talvez dessa forma essas pessoas me deixem em paz, porque elas irão perceber a seriedade disso’. Eu não dormi por sete dias”.
Além da falta de sono, houve outro estranho fator para o colapso de Carey. Foi alegado que a mais nova diva de Mottola, a artista da Sony Jennifer Lopez, roubou duas idéias de Glitter para seu sucesso “I’m Real”: o sample de “Firecracker”, uma faixa de 1984 da Yellow Magic Orchestra, e o dueto com Ja Rule. Carey havia planejado usar “Firecracker” em “Loverboy”, o primeiro single de Glitter. Mas antes que o single ou álbum saíssem, Lopez usou esse sample em “I’m Real”, e Carey foi forçada a usar “Candy” de Cameo - resultando numa música muito mais fraca que recebeu críticas horríveis. (Fontes dizem que Mottola sabia o que Carey estava planejando porque ele tinha acesso à prévia de Glitter, que era um filme da Sony.)
O remix de “I’m Real” foi lançado no dia 24 de julho de 2001. Carey, segundo os jornais, quebrou seu quarto em um hotel no dia seguinte.
“Não”, ela diz com firmeza. “Eu fui para um quarto de hotel, mas eles não me deixaram dormir lá. Eles ficaram batendo na porta, então eu fui embora. Eu não estava cortando minha cintura nem quebrando copos - uma louca quebradora de pratos. E eu sabia sobre o álbum [de Lopez] muito antes disso. Alguém me falou na hora que eles usaram o sample”. Você acha que foi coincidência ou sabotagem?
“Bem, se eu disser sabotagem, irá soar como paranóia. Mas havia muitas questões de rixas pessoais acontecendo”. Isso já parou?
“Espero que sim. Todo dia é uma nova historia, então eu aprendi a deixar as coisas negativas de lado. Sou como Teflon”. O que eles fizeram por você quando você esteve na reabilitação?
“Me apresentaram a um bom travesseiro”.
CAREY PODE SER vaga sobre isso, mas é claro que reabilitação e terapia a ajudaram. Ela fala confiantemente sobre “codependência” e sobre aprender cedo a “tomar conta de todos” da sua família, apesar de ser a mais nova de três crianças. Ela se recusa a entrar em detalhes - “isso iria chatear outras pessoas” - mas sua mãe, meio americana meio Irlandesa, Patricia e seu pai, americano afro-venezuelano, Alfred Carey se separam quando ela tinha três anos. Três anos depois, sua irmã aos 15 anos se casou e teve um filho. “Muitas coisas aconteceram onde eu tive que tomar o controle. Aos 6 anos de idade.” Ela tem um irmão mais velho que saiu de casa logo depois, deixando Mariah apenas com sua mãe. As duas se mudaram - e Mariah teve que mudar de escola - várias vezes.Patricia tinha vários empregos. A casa em Long Island, New York, que elas finalmente chamariam de casa era “como uma barraca”, ela diz. “Eu tinha muita vergonha daquele lugar”.
O quarto dela era “a bagunça terrível”, com pôsteres de Matt Dillon e Marilyn Monroe nas paredes. A única real disciplina que ela recebia era durante suas visitas semanais ao seu pai, que era militar. Ele era muito rígido: “Ir cedo para a cama, você sabe”. (Ele morreu no ano passado de câncer, logo quando ele e Mariah estavam se tornando mais próximos; ela fica com os olhos cheios de lágrimas quando fala sobre isso.) Ao contrário, sua mãe a deixou fazer o que queria, e deu constante encorajamento a sua filha talentosa. “Ela dizia, não diga ‘Se eu conseguisse’, diga ‘Quando’”, Carey relembra com carinho.
Conseguir ela conseguiu, e muito rápido. O DJ e produtor Arthur Baker (New Order, Afrika Bambaataa) foi testemunha do legendário encontro de Mottola e a jovem Carey de 18 anos na festa de uma gravadora. Carey apareceu com a cantora Brenda K. Starr, com quem Baker havia trabalhado. Mottola mostrou seu interesse em Carey - “Ele disse, ‘Quem é a moça?’” Baker relembra - então Baker apresentou os dois, Carey entregou sua fita a Mottola. Depois da festa, Baker levou Carey e Starr ao seu estúdio. Ele ouviu a fita de Carey. Era “Vision of Love”. “Você sabia”, Baker diz. “Era certo”.
Então a carreira de Carey começou, e seu vício no trabalho também. E ainda o tem, mas ela aprendeu com sua experiência de 2001.
Agora, ela faz cada um dos seus empregados assinar um contrato que garanta a ela ao menos meia hora de descanso por dia e cinco minutos entre as entrevistas. Ela contratou um nutricionista. “Isso irá soar como coisa de Diva”, ela diz, “mas quando viajo, tenho um massagista”. Isso não soa tão mal assim.
“Bem, eles ficam a disposição... se eu acordar, a qualquer hora, eles vem e me colocam para dormir de novo”. Mas você parece muito saudável.
“O mundo pensa que tive esse traumático colapso nervoso, mas não tive. Não estou dizendo que não aconteceu nada - eu tive um colapso físico e emocional. Mas isso certamente não foi como foi noticiado. Você pode falar com meu terapeuta, e ele só disse, ‘Você precisa dormir um pouco, e seu único problema é querer tomar conta de todos’. E é isso”.
É claro, nada é tão simples assim. A queda de Carey foi um prato cheio para imprensa. Ela não tinha a simpatia dada a, digamos, Robert Downey Jr., porque ela nunca ganhou o coração dos jornalistas, que classificam seu trabalho como POPULAR e sua pessoa como TRIVIAL. Sua reputação de diva não ajudou muito; além do mais, é difícil sentir pena de alguém que saiu com 49 milhões por fracassar.
Para que Carey volte ao topo, ela tem que ter o apoio do público novamente. Lyor Cohen, o executivo que assinou o contrato dela com a Island Def Jam, sabe disso. “No momento, o público já tem uma idéia formada sobre Mariah”, ele diz. “Nós só temos que diminuir isso. E Então podemos mostrar o que ela tem de melhor”.
QUANDO O MUNDO DE Carey desabou, ela procurou por amigos como Da Brat e Jay-Z e recebeu apoio de outros que ela nem mesmo conhecia: Olívia Newton-John, Sharon Stone, Elton John. Sem contar, é claro, seus fiéis fãs - suas “ovelhinhas”, como ela os chama.
O que não havia e ainda não há, é um homem. Francamente, Blender acha isso ridículo. Uma mulher multimilionária, bonita, talentosa, encantadora e com senso de humor: O que há de errado com vocês companheiros?
“Como está minha vida amorosa?” Carey repete. “Onde está minha vida amorosa! Olhe, se houve alguém legal, divertido, alguém que me deixasse ser eu mesma... Alguém que não tenha [meu] pôster, porque você não pode viver com um pôster. Acho que os homens esperam que eu sente do lado deles usando um vestido preto e cante ‘Love Takes Time’ no ouvido deles”.
Ela acrescenta. “Não quero estar com outra pessoa mais velha. Fiz isso, e não posso lidar com o confinamento. Eu não quero dizer que quero um homem que goste de mim pelo meu cérebro, porque isso irá me fazer soar como se eu achasse que sou Albert Einstein. Mas gostaria de alguém que não me acusasse por colocar palavras...”
Carey pára. Ela viu as letras da batalha de músicas de Eminem e Carey na sacola de Blender. “Posso ver?”, ela pergunta. Nós entregamos a ela, e ela lê. Enquanto lê, seu rosto mostra diversão, resignação e nojo.
“Sabe de uma coisa?”, ela diz. “Eu fui a casa dele e brinquei no trampolim. Foi isso.” E com essa imagem inocente e irresistível, Mariah Carey decide se juntar a seus amigos para se divertir um pouco.