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Mariah Carey
Brilho e glamour soam como uma nota alta no triplex da cantora em New York

Como parte de um exercício, a professora de teatro de Mariah Carey uma vez pediu a ela para entrar em contato com seu passado, para pensar em um lugar onde ela se sentia realmente segura. Carey pensou e pensou e nada apareceu. Não havia tal lugar. Ela não só cresceu pobre, como também foi perseguida e ridicularizada por seus vizinhos em Long Island porque sua mãe era branca e seu pai era negro. "Eu não consegui pensar em um lugar que não me desse uma sentimento de medo ou alguma memória negativa", ela disse.
Isso foi antes; agora é assim. Agora, após uma década na qual Carey foi a cantora mais popular no mundo, seus álbuns e singles venderam mais de cento e cinqüenta milhões de cópias; agora, após um novo contrato com a Virgin Records que renderá a ela quase cento e vinte milhões de dólares por seus próximos cinco CDs; agora, após a estréia em Setembro de seu primeiro filme, o semiautobiográfico Glitter, e agora, após o término de um espaçoso triplex em Tribeca que faz lembrar uma era - a era de ouro de Hollywood.
É difícil imaginar alguém se sentindo com medo no ambiente glamoroso que Mario Buatta criou. "Eu queria criar um plano de fundo para o próprio glamour de Mariah", ele diz. "Ela esbanja glamour - e sex appeal também. Ela tem um carisma incrível". E também tem seu novo apartamento, que é imponente. "Mariah adora luxo", diz Buatta, e ele desenhou um apartamento todo luxuoso: luxuoso do grande hall de entrada, com suas portas prateadas e paredes laqueadas cor de pêssego, à sala de ginástica, com sete máquinas e descansos para pesos, à sala de vapor, com chão e paredes de mármore branco e uma convidativa cama de casal. Carey trabalha quase que sem parar - uma prática que contribuiu para seus recentes, e muito noticiados, colapsos- e ela tem que cuidar de si mesma e da sua voz multimilionária.
O coração do seu apartamento é uma grande sala que, pelo desenho inteligente de Buatta, é dividida em três espaços separados: sala de estar, sala de jantar e uma intima sala para conversas após o jantar. Definindo a sala de estar está um grande painel, na frente dele há um longo sofá em estilo turco que se estende pela parede adjacente e oferece assentos suficientes para o harém de um sultão - ou para Carey e sua banda.
Embora o apartamento, que ocupa os três últimos andares de um prédio que já foi comercial, não tenha obstruções à luz do sol, a grande sala é realmente desenhada para a noite, quando Carey, que sofre de insônia, vê seus amigos e faz seu trabalho. Por não gostar de luzes fortes, ela mantém a intensidade delas baixa o suficiente para criar uma atmosfera quase misteriosa, como numa sala iluminada apenas por velas.
Separando as salas de estar e de jantar está o tesouro de Carey - um piano de cauda branco que pertenceu à Marilyn Monroe. Monroe é um dos ídolos da cantora, e Carey, de acordo com o que foi publicado, pagou seiscentos mil dólares por esta lembrança um tanto impressionante. O piano de Monroe fica próximo às tonalidades de chocolate, a cor predominante na sala de jantar. Carey prefere jantar com poucas pessoas, em cada mesa sentam-se apenas seis. Um espelho na parede interior reflete a vista das janelas, trazendo para dentro o rio Hudson, Manhattan e dois convidados permanentes - os elegantes Art Déco prédios, o da Chrysler e o Empire State. "É mágico", diz Buatta, e quem poderia descordar?
Em um apartamento dedicado ao glamour, o prêmio de mais glamoroso pertence provavelmente ao quarto de Carey. Uma vez que ela prefere cores claras e sólidas - ela rejeitou todos os tecidos escuros que Buatta mostrou a ela - o Príncipe dos Chintz evitou sua registrada. De acordo com os desejos dela, ele escolheu lavanda para as paredes do quarto, rosa para o teto, abricó para as cortinas e branco para o carpete.
Carey tem sua própria marca registrada - borboletas - e sua paixão por uma das criaturas mais charmosas da natureza levou Buatta ao que ele chama de um frenesi por borboletas. "Nós então as colocamos onde podíamos", ele diz. "Há borboletas nos armários do banheiro, e borboletas na colcha da cama. Elas estão até no sabonete no banheiro e nos azulejos na cozinha. Há muitas borboletas no apartamento, você nem as nota. Mariah nota."
Se seu quarto representa glamour, o banheiro de Carey é puro luxo. Com mais de onze metros de comprimento é maior que muitas salas na Park Avenue, é um lugar para relaxar e demorar-se, com uma enorme banheira, uma televisão de tela-plana, e uma chaise long coberta com tecido cor de pêssego. O luxo não termina aí, entretanto. Do banheiro Carey pode ir para seu quarto de roupas - ninguém poderia ousar chamar um lugar tão grande de closet - para escolher a roupa da noite. Como um butique, ele tem tudo à vista, com todas as suas roupas arrumadas por cor e tipo.
Do quarto de roupas, ela pode ir para o quarto de sapatos - ninguém poderia ousar chamá-lo de closet, também - para escolher o que ela irá colocar nos pés. Voltando à aqueles dias de "antes", na sua infância, Carey tinha apenas um par de sapatos, com buracos, ela diz, "isso congelava meus pés nos meses de inverno". Agora ela tem centenas de sapatos, mais, ela admite, do que usará. E nenhum tem um buraco na sola.
Buatta levou menos de um ano para transformar três pisos vazios em um lugar de acordo com uma diva exigente. O seu único problema não foi com Carey, mas com a agenda dela, que deixa para ela pouco tempo para parar e escolher cores de tecidos e móveis. "Ela trabalha muito e viaja constantemente", diz Buatta, "e é difícil conseguir a atenção dela por muito tempo". Quando ele conseguia, entretanto, havia uma conexão instantânea. Ele recorda-se que Babe Paley, deusa do alto estilo nos anos cinqüenta e sessenta, disse que um cômodo precisa brilhar - que um cômodo sem isso é como uma mulher sem jóias, incompleta. Os cômodos de Carey passam no teste de Paley. Seu triplex tem tanto brilho quanto a Tiffany's. "A maioria dos clientes compreender o brilho", diz Buatta. "Mariah compreende."


Architectural Digest – Novembro 2001



traduzido por Vany


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